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Esporte | Edição #453 - 10/10/2016

“Sinto como se fosse campeão com a vitória da atleta”

O guia Guilherme Soares de Santana sempre esteve envolvido com esporte e hoje atua sendo os olhos de paratletas

Kamilla Yohanna
Estudante de Jornalismo

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Guilherme Santana trabalha como guia atleta há seis anos  (Imagem/ reprodução )

Guilherme Santana trabalha como guia atleta há seis anos
(Imagem/ reprodução )

Ao lado de paratletas com deficiência visual estão os guias atletas, direcionando o sentido da corrida. É uma junção de guia e paratleta, que inclui mais do que profissão, é preciso confiança e segurança para que os dois possam fazer o melhor.

O guia Guilherme Soares de Santana, 33 anos, graduado em Educação Física pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), sempre esteve envolvido com esporte, mas a paixão veio à tona, em 2006 após a inscrição dos jogos universitários na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sabendo que tinha velocidade ele começou a treinar para os jogos, participar de competições e ganhar medalhas.

A história como guia começou há seis anos, quando por acaso, a paratleta Terezinha Guilhermina havia passado em um concurso e precisava de um guia. Guilherme foi indicado pelo treinador Marcelo Augusto Ribeiro e correu ao lado de Terezinha em São Paulo. Nesse momento, a carreira como guia começou e hoje ele não pretende que termine tão cedo.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Você guiou duas paratletas. Como as conheceu?
Conheci a Terezinha Guilhermina em Maringá, quando ela se mudou para cá, em 2009 e em 2010 comecei a competir com ela. A Jerusa dos Santos é com quem estou agora. Sempre conversei com ela assuntos profissionais.

Ser um guia é orientar na corrida e também na vida da paratleta. Como é a relação fora da pista de corrida?
No caso da Terezinha, ela não era casada na época, então a ajudava em alguns trabalhos fora da pista, como tarefas extras, particulares, eventos, viagens, uma relação de amizade. Com a Jerusa, o marido acompanha ela sempre, só quando viajamos, a ajudo no hotel, nas refeições. Temos uma amizade também.

Você guiou a Terezinha nas Paralímpiadas de Londres, em 2012. Como foi ser adversário dela nos Jogos Paralímpicos aqui no Brasil?

A competição em Londres foi bacana e ganhamos bem. Sendo rival dela, foi um trabalho diferente porque estava sempre junto com ela. Foi uma pessoa que ajudei bastante, inclusive ela não conversa mais [com ele], mas meu trabalho é profissional e levo com todo respeito.

Cobro de mim para ajudar a pessoa que estou guiando

Para obter bons desempenhos é preciso muito treino. De que forma vocês fazem esses treinos?
O treinamento é realizado na pista e fora da pista, que é a academia. A gente tem que treinar todos os dias, tem um horário que marcamos para seguir o cronograma juntamente com o treinador. É um trabalho bem cansativo. O trabalho de atleta de alto nível é bem estressante e desgastante. A gente tem que trabalhar com o limite da nossa capacidade, sempre no limite, por isso sempre há atletas machucados. Nosso treino é forte, não é sempre moderado, depende da fase.

Como se sente sendo os olhos da paratleta na pista de corrida?
Me sinto muito bem em fazer isso porque desde pequeno sempre gostei de ajudar o próximo. Sinto como se fosse um campeão com a vitória da atleta. É um trabalho que faço com carinho, respeito e dedicação, fazendo com que o atleta consiga os melhores resultados. Isso me agrada de tal maneira, que quero sempre mais e busco cada vez mais. Cobro de mim, minha performance, para ajudar a pessoa que estou guiando.

Trabalhar como guia atleta exige, além do desempenho físico, a responsabilidade. Qual o tamanho dessa responsabilidade para você?
É estar preparado para qualquer competição, fazer sempre os treinos com a atleta para ter sempre a sintonia e sincronização para não atrapalhar nos movimentos e no atraso da performance. Fazer com que o atleta não desvie do caminho. É um trabalho tranquilo de fazer, mas algum detalhe pode desclassificar.

Como foi para você participar dos Jogos Paralímpicos 2016?
Por um momento achei que não iria participar [da competição] do Rio de Janeiro, foi uma sensação muito fera, bem diferente da de Londres.  Saí satisfeito da competição, porém um pouco triste porque os resultados podiam ser melhores. Mas estar nos Jogos Paralímpicos, tenho que dar graças a Deus. Tive que fazer um trabalho com a Jerusa e ela achava que não ia para os jogos. No momento que ela me convidou, dava sempre motivação, falando que ela estava melhorando e foi dando certo, tanto é que ela terminou o semestre como a primeira do ranking. Eu apostei muito e essa confiança fez com que ela despertasse a vontade de querer melhorar cada vez mais.

Durante esses seis anos sendo guia, quais as maiores conquistas?
A minha maior conquista é fazer com que os atletas consigam os objetivos, ganhem as medalhas e participem dos Jogos [Paralímpicos]. Isso já é um prazer enorme, só de estar trabalhando com essas atletas.

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