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Educação | Edição #456 - 31/10/2016

“O livro parado não serve para nada”

Victor Hugo Davanço reuniu 40 livros que estavam empoeirados na própria casa e decidiu colocá-los à disposição da comunidade

Jefferson Martins
Aluno de Jornalismo

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Davanço disponibiliza livros à sociedade sem custos  Imagem: Arquivo Pessoal

Davanço disponibiliza livros à sociedade sem custos
Imagem: Arquivo Pessoal

Um mercadinho de bairro em Cianorte (distante 90km de Maringá), já tem mais de 3.000 livros disponíveis à comunidade. Todos os títulos podem ser levados para casa, sem cadastro ou multa. A iniciativa foi do pedagogo Victor Hugo Davanço, 31 anos, que no começo reuniu 40 livros que estavam empoeirando na própria casa. Ele decidiu colocá-los à disposição da sociedade isso porque na época, a biblioteca da cidade estava fechada.O projeto cresceu. Hoje, além de oferecer exemplares doados, atende a comunidade com “contadores de histórias” no local. O comerciante disponibiliza o espaço e convida pessoas para contarem histórias para as crianças.  Os encontros ocorrem em dias da semana e reunem muitas pessoas que ajudam na educação das crianças do bairro Cianortinho e da cidade.

Em entrevista ao Jornal Matéria Prima, Davanço conta como iniciou o projeto e a importância social e educacional para a comunidade.

Você começou com 40 livros. Hoje a biblioteca do mercadinho conta com cerca de 3.000 mil livros. Como foi a ideia de criar uma biblioteca dentro de seu estabelecimento?

Em 2012, fui candidato a vereador em Cianorte, naquela eleição eu defendi bastante que tivesse um espaço para a juventude. Espaço que pudesse abrigar culturalmente os jovens. Um dos espaços que defendia bastante era criar a biblioteca no bosque da Igreja Matriz. Uma biblioteca que fosse ecológica, que captasse água da chuva, que tivesse energia solar, várias coisas que fossem atrativos não só pela questão cultural mas que fosse um atrativo turístico para a cidade.

O aumento de livros foi visível. Em quatro anos você conseguiu arrecadar cerca de 3.000 mil livros novos. Como aconteceram as aquisições?

A biblioteca que existia no bosque iria ser fechada na época. Mas não consegui me eleger e então pensei em fazer eu mesmo a biblioteca. Juntamos um espacinho aqui no mercado, colocamos uma prateleira com 40 livros que tinha em casa e colocamos na prateleira e deixamos à disposição. Um pegou, outro pegou, o pessoal devolvia. Logo colocaram na internet que tinham livros e que iam jogar fora porque não tinham onde colocar e doar (porque a biblioteca estava fechada). E falei para me doarem que eu buscava. Busquei, coloquei na internet e outras pessoas doaram e, devagar, foi aumentando. O pessoal doando, frequentando, e, quando saiu no jornal da cidade, até pessoas de outros locais, da região, nos procuraram e aumentou bastante.

Sabemos que praticamente todas as bibliotecas têm controle de devolução dos livros. Como você fazia o controle de devolução dos exemplares?

A ideia não era ter um controle muito rígido, além de fomentar a cultura era também desenvolver um senso ético. Não temos parceria, não cobramos nada, não tem prazo estipulado para devolução. A pessoa só tem o compromisso de pegar o livro, ler e depois que terminar, devolver. O livro parado não serve para nada. Isso deu resultado, a maioria dos livros é devolvidos. Teve casos de pessoas de Maringá virem a Cianorte e quando vieram ao mercado acharam interessante a ideia, levaram o livro e depois de dois meses, quando voltaram para Cianorte, devolveram o livro.

Além da biblioteca, agora vocês fazem também “contação de histórias” para as crianças. Como funciona o projeto?

Reunimos as crianças do bairro, ficam todos na frente do mercado e uma pessoa começa a contar histórias. O legal é que alguns outros lugares começaram a fazer isso também. Em Umuarama (distante 98km de Cianorte), modificaram um pouco a ideia, fizeram uma giro teca.

Quando falamos em leitura, vem em nossa cabeça educação e conhecimento. Pensando na forma de ensino público do nosso país, qual sua visão em relação as novas mudanças propostas pelo governo?

A educação da forma que está não dá para continuar

A educação da forma que está não dá para continuar. É notável uma falência do ensino público do Brasil, acho que deve haver mais discussão sobre isso. O grande x da questão é que o governo quer implantar a educação integral, mas dando foco na verdade para o ensino técnico. Há uma carência muito grande de mão de obra no país e o foco do governo é fomentar a mão de obra para as indústrias. A grande discussão dos educadores é por conta da medida provisória. Na verdade o debate sobre a modificação do ensino médio vem desde 2009. Precisaria mudar a educação básica primeiro, toda mudança é válida. Estão começando pelo ensino médio, mas é válida a discussão. Não sou totalmente à favor da medida do governo, mas também não sou totalmente contra, tem que ser debatido, tem que ser mudado.

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