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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #455 - 24/10/2016

Notável demais para resumir no título

Tudo narrado aqui é baseado na mais pura realidade, qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência

Gabriel Pinheiro
Aluno de Jornalismo

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Certa vez, você me perguntou qual dia eu considerava como o melhor de minha vida. Não soube responder de imediato – e, até agora, tenho receio ao dar uma reposta definitiva. Porém, depois de pensar por um bom tempo sobre isso, um dia em particular me vem à cabeça.

Eu me lembro de como dormi pouco naquele dia. Eu me lembro de ter ido dormir às 6h e ter acordado às 9h. Lembro-me da dor de cabeça. Tive que pegar a estrada. O objetivo era produzir um trabalho, em grupo, na universidade. O ônibus estava lotado. Não tinha lugares para sentar. Suportei o cheiro de suor durante todo o trajeto.

Uma tempestade começou no meio do caminho. Desci do ônibus. Procurei abrigo. O vento me deixou encharcado. Corri. Pisei em uma imensa poça de água da chuva. Senti um cheiro estranho. Notei que minhas roupas molhadas começaram a feder. Comecei a tossir. Comecei a tossir muito. Recebi mensagens que me enfureceram. O grupo tinha cancelado a produção do trabalho por causa da chuva. Senti-me frustrado. Fiquei a tarde toda sem fazer nada de muito produtivo. Meu cérebro não estava conseguindo se concentrar. Resolvi ir até a farmácia da universidade. Comprei uma pastilha para diminuir a tosse. Tal pastilha tinha o pior gosto que você pode imaginar.

O nervosismo desapareceu e senti como se estivesse respirando pela primeira vez

Finalmente, 19h. A aula começou. Recebi sua mensagem. Você tinha chegado. Saí de fininho. Eu te vi sentado na lanchonete, me esperando. Fiquei nervoso. Meu cérebro retomou nossa longa conversa da madrugada anterior (nosso primeiro longo diálogo). Eu me senti mais leve ao me lembrar das suas piadas descontroladas e de seu tom brincalhão. O nervosismo desapareceu como mágica e senti como se estivesse respirando pela primeira vez na vida.

Era como se um escritor amador estivesse escrevendo minha história. Tal escritor chegara à parte romântica da narrativa, abandonando as frases curtas e diretas e encharcando meu cérebro de frases longas e complicadas, que tentavam acompanhar meus líricos pensamentos, meu apaixonado frio na barriga e meu sentimental nervosismo.

Antes de me sentar, soltei um introvertido oi. Você respondeu com um sereno sorriso. Um sorriso que ensinou a minha alma como respirar; que me fez pensar em todas as frases românticas melosas que já tinha lido; que fez eu me sentir como se estivesse sonhando acordado. Ali estava eu: tossindo muito, fedendo, cansado e ainda um pouco molhado. Mas aquela foi a primeira vez que te vi sorrindo para mim e só aquele momento fez todo o resto valer a pena.

(Imagem/visualhunt/domínio público)

(Imagem/visualhunt/domínio público)

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