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Cidade | Edição #455 - 24/10/2016

Hortas comunitárias empregam e dão saúde

Projeto existe em Maringá desde 2007 e hoje conta com 37 hortas que, juntas, beneficiam mais de mil famílias

Nailena Faian
Especial para o Jornal Matéria Prima

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Sol quente, chapéu, sorriso no rosto e mão na massa, ou melhor, na terra. Esse é o dia a dia de muitas pessoas que dedicam um tempo para trabalhar nas hortas comunitárias espalhadas por bairros de Maringá. Pessoas como Roque Crivelaro, que, aos 89 anos, esbanja saúde e simpatia.

hortas comunitárias Maringá

Verduras e legumes são orgânicos e custam entre R$1,50 e R$ 3 (Foto: Nailena Faian)

Com aparência de uns 15 anos a menos, seo Roque trabalha pesado nos quatro canteiros localizados na horta do Borba Gato (região sul), cuidando dos pés de alface, almeirão, beterraba, pepino, rúcula, chicória, cebolinha, salsinha e outras verduras e legumes. Ele não deixa nenhum pedacinho de terra sem uma mudinha. “Mas tem que dar pulo para tomar conta de tudo”, conta.

O aposentado se lembra exatamente do dia em que começou a cultivar as plantas na horta comunitária. “Foi em 12 de outubro de 2010”, afirma com segurança. A data é marcante, pois desde então o novo trabalho garantiu a ele mais disposição. “A saúde melhorou muito, nossa senhora!”. Exibindo com orgulho os pés de couve de três tipos, seo Roque conta que é o primeiro a chegar à horta, às 7h, almoça por volta do meio-dia e perto das 15h retorna , permanecendo ali até o Sol se por.

horta comunitária Borba Gato Maringá

Aos 89 anos, seu Roque passa a maior parte do tempo cuidando dos canteiros (Foto: Nailena Faian)

A melhora na saúde é geral entre os participantes das hortas comunitárias, projeto que faz parte do programa Maringá Saudável, iniciado em julho de 2007 e que hoje beneficia mais de mil famílias. Quem tem canteiros pode levar o cultivo para casa e também vender, garantindo renda extra.

Irene Cordeiro da Silva, 44 anos, diz que não era muito fã de comer salada, porém, sempre gostou de mexer com a terra, já que passou metade da vida na roça, no município de Cândido de Abreu (distante 220 km de Maringá). Há três anos cuidando de seis canteiros na horta comunitária do Jardim Aurora (região oeste), ela diz ter aprendido na marra a comer verduras e legumes. “Agora como salada todos os dias”, brinca.

O objetivo é proporcionar saúde por meio da ocupação e do consumo de alimentos saudáveis

Mesmo trabalhando como zeladora até às 17h30, de tardezinha e aos sábados é sagrado Irene dar uma passadinha na horta e cuidar das plantas.Quem também vai ao local com frequência é a dona de casa Regiane Franco, 36 anos. Ela tem o privilégio de morar bem em frente à horta e, por isso, abastece a geladeira com as verduras fresquinhas. “Aqui é bom porque a gente vê os pezinhos de verdura e escolhe o que a gente quer e também é bem mais barato que a do mercado, vem muito mais. Um maço de cebolinha dura quase um mês”, diz ,repleta de sacolas nas mãos.

O preço das verduras e dos legumes varia entre R$ 1,50 e R$ 3. De acordo com o gerente das hortas comunitárias, o engenheiro agrônomo José Oliveira de Albuquerque, são produzidas em média 250 toneladas de verduras e legumes por ano. No total, a cidade conta atualmente com 37 hortas comunitárias. Para participar, primeiramente é preciso demonstrar interesse e, em seguida, existem alguns critérios, como ser de família menos favorecida.

horta comunitária Jardim Aurora Maringá

Regiane Franco é freguesa da horta do Jardim Aurora (Foto Nailena Faian)

Compradora fiel das hortas comunitárias, a aposentada Deolinda Fava dos Santos, 77 anos, é moradora de uma pequena cidade no interior de São Paulo, mas sempre vem a Maringá visitar os filhos e nunca deixa de comprar os produtos fresquinhos. “Eu gosto demais, é tudo sem agrotóxico, o precinho é bom e a verdura mais ainda”, afirma, enquanto observa cuidadosamente qual alface da horta do Borba Gato vai levar para compor o jantar.

Alvimar Dena, 62 anos, tem quatro canteiros no Borba Gato desde quando a horta foi inaugurada ali, em março de 2015. Ele trabalha como vendedor e, morando a cem metros dos canteiros, dedica o horário do almoço e o fim da tarde para cultivar os pés de alface americana, almeirão, rúcula entre outros. Além de vendedor, ele também trabalha com eventos e quando fica responsável pelo buffet, as verduras e legumes são todas retiradas do canteiro que cuida, o que alivia o bolso. Mas o melhor de tudo, segundo ele, é o sentimento que a atividade proporciona. “É uma terapia. Você está aqui, esquece do mundo. Você nem lembra que está devendo”, diverte-se.

Segundo o coordenador do projeto, o objetivo é proporcionar saúde por meio da ocupação e do consumo dos alimentos saudáveis, além de ser uma fonte extra de renda para os participantes. As áreas escolhidas para a instalação das hortas são espaços, geralmente, ociosos ou fundos de vale.

Central de compostagem

Central de compostagem abastece as hortas comunitárias com adubo

Central de compostagem abastece as hortas comunitárias com adubo (Foto: Roberto Furlan/Secom)

As toneladas de verduras e legumes produzidas por ano não contêm agrotóxicos, geralmente utilizados para controlar doenças e aumentar a produtividade. Por isso, a alternativa encontrada foi a criação de uma central de compostagem, em que é produzido adubo orgânico para abastecer as hortas comunitárias.

A central de compostagem funciona desde janeiro de 2016. O adubo é produzido por meio de resíduos industriais doados por empresas, como bagaço de cana, pó de filtro de algodão, esterco bovino, cinza de caldeira, terra e lodo de filtração e folhas de árvores picadas.

Hoje, são quatro empresas parceiras que levam os resíduos até a central de compostagem, estrutura com 10 mil metros quadrados de extensão localizada na estrada São Luiz, região da Gleba Pinguim. A cada 90 dias são produzidas 800 toneladas de adubo.

Criatividade

Trabalho duro, adubo para ajudar no desenvolvimento das plantas e criatividade. Esse último quesito está presente na horta comunitária do Borba Gato e o responsável é João Ribeiro Mendes, 75 anos, presidente do projeto. Ele resolveu implantar um sistema de irrigação para facilitar o trabalho.

Uma mangueira foi distribuída por toda a plantação e feitos furinhos nela. Quando a água é ligada, as plantas são umedecidas por gotejamento, sem ter a necessidade de usar um regador e molhar uma a uma.

“O meu filho tem um sítio em Campinas (SP) e veio para cá comprar umas mangueiras para irrigar o campo de futebol. Eu gostei da ideia e coloquei nos meus canteiros. Deu certo, compramos e colocamos em todos os outros”, conta.

Conforme um dos participantes do projeto, Orfeu Montoani, 75 anos, a ideia deu certo e a horta recebe muitos consumidores, principalmente nos fins de semana. “Eu vendo, levo para casa, para a família, para os amigos, todo mundo come verdura”, comemora.

Sistema de irrigação facilitou os trabalhos na horta do Borba Gato

Sistema de irrigação facilitou os trabalhos na horta do Borba Gato (Foto: Nailena Faian)

 

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