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Política | Edição #456 - 31/10/2016

Com destino certeiro ao fundo do poço

A incoerência de medidas tomadas na recente era Temer explicita a falta de foco e sugere um futuro obscuro e incerto

Christian Presa
Aluno de Jornalismo

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Imagem/Beto Barata/Agência Brasil

Imagem/Beto Barata/Agência Brasil

Os últimos meses têm sido turbulentos. O processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) resultou na segunda vez que um presidente foi deposto na nova democracia. Com isso, o peemedebista Michel Temer assumiu a presidência da República no dia 31 de agosto deste ano acompanhado de um clamor popular por mudança.

Era evidente que, para suprir as expectativas, Temer tinha que agir. E é o está fazendo, mas talvez não da melhor forma.

Da formação dos ministérios, essencialmente preenchidos por homens, a atos menores, a primeira grande polêmica do governo Temer foi a medida provisória de reformulação do ensino médio brasileiro (MP 746), em vigor desde 22 de setembro. A reforma apresenta, entre outras mudanças, a duplicação da carga horária (que passa a ser integral) e a não obrigatoriedade de disciplinas como Artes, Educação Física e Sociologia. A medida, concebida como forma de otimizar o ensino médio, causou furor nas redes sociais e levou manifestantes contrários às ruas e à ocupação de escolas em vários Estados, inclusive no Paraná.

Temer tenta unir o útil ao agradável, mas derrapa e atira para todos os lados

O segundo deslize e reagente de uma das maiores incoerências foi a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, ocorrida no dia 21 de outubro. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados com 366 votos favoráveis de 479, determina o congelamento dos gastos com saúde e educação nos próximos 20 anos. Isso significa que, nas próximas duas décadas, só poderá ser investido em educação o que já é investido agora – mesmo diante do aumento populacional.

As medidas, decisivas para o futuro do país, são um óbvio desacordo entre si. É bem contraditório, por exemplo, duplicar a carga horária – o que demanda reestruturação de planos de ensino e a construção de novos prédios para alocar os alunos – sem aumentar os investimentos em educação. Simplesmente não faz sentido.

Para tentar não sofrer da impopularidade conquistada por Dilma, Temer tenta transitar de forma neutra e unir o útil ao agradável, mas derrapa e atira para todos os lados. E para o Brasil, reconhecido internacionalmente como o país “rico” que tem a saúde e a educação sucateadas, o futuro não parece tão promissor.

Diante da evidente crise, recalcular a rota é importante, claro. Desde que não seja rumo ao fundo do poço.

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