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Literatura | Edição #451 - 26/09/2016

Sobre o medo de abrir as asas e voar

A ideia de abandonar o ninho que tanto me traz conforto ainda me causa medo; ainda me deixa angustiada

Monique Manganaro
Aluna de Jornalismo

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Aprender a bater as asas leva tempo. O processo é doloroso (Imagem/visualhunt/domínio público)

Aprender a bater as asas leva tempo. O processo é doloroso
(Imagem/visualhunt/domínio público)

Medos? Que não os têm? Angústia em deixar para trás aquilo que sempre lhe trouxe conforto? Quem não compartilha – ou já compartilhou – desse sentimento?

Sentada em frente ao computador, me deparo com um artigo compartilhado por uma amiga: “Geração canguru. O ninho está cheio, mas eles não querem sair”. Paro. Reflito. A sensação de que o texto parece ter sido escrito para mim é mais forte. Entendo que esse é o desafio a que estou fadada. Mas não, não quero entender. Procrastinar esse pensamento é extremamente mais confortável.

Os donos do ninho preferem que eu não aprenda a voar sozinha. Voos são perigosos, podem nos machucar. Além do mais, o aprender a bater as asas leva tempo. O processo é doloroso. Se nos mantivermos todos juntos, próximos, no aconchego que o ninho nos proporciona será melhor.

Não, não será. E todos sabem disso.

Observo como alguns amigos que fazem parte do meu convívio se desgarraram tão bem de seus ninhos. Ainda existem laços, claro. Mas o aceitar que o momento do voo chegou parece ter sido tão simples, tão natural, que agora não sentem mais (tanta) falta da segurança que o berço lhes trazia.

Será normal sentir esse medo, essa angústia? Acredito que sim. O diferente nos provoca receio, nos deixa sem saber o que pensar a respeito. Mas, então, por que as pessoas parecem tão seguras ao abandonarem os ninhos? Será puramente o pensamento positivo buscando mascarar o mesmo medo que as domina?  Ou será que eles apenas se sentem preparados para encarar essa etapa?

Nesse momento, me coloco a pensar: existe momento correto? Você saberá a hora em que estiver pronto? O seu relógio biológico vai te dizer e te lembrar que os donos do ninho, agora, devem seguir sozinhos?

Os donos do ninho preferem que eu não aprenda a voar sozinha; voar é perigoso

Talvez sim. Talvez não. Talvez.

Ainda busco essas respostas.

Certamente, essas repostas não virão sem que eu me esforce para isso. Certamente, para mim será doloroso. Porém, a necessidade falará mais alto.

Só espero que o ninho ainda me conforte e me abrigue por mais algum tempo. Sinceramente.

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