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Esporte | Edição #451 - 26/09/2016

“Parei com arma de fogo e parti para o arco e flecha”

Fernando Martins, 58 anos, trouxe o esporte para Maringá em 2012 e em 2014 fundou associação na modalidade

Larissa Malaghini
Aluna de Jornalismo

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Quem vê Fernando Martins, 58 anos, atirando com arco e flecha, não imagina que ele é formado em gastronomia pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar). Hoje, servidor público aposentado, dedica-se a ser apenas “piloto de fogão” na casa dos amigos, porque é instrutor e presidente da Associação Maringaense de Arco e Flecha (Amaf), fundada há dois anos na cidade. Esta entrevista foi realizada durante o Festival Nipo Brasileiro, que ocorreu na Associação Cultural e Esportiva de Maringá (Acema), nos dias 3 e 11 deste mês, em um estande montado para tiros da modalidade. Fernando Martins estava lá, com um chapéu na cabeça e sorriso no rosto. Com vários arcos à volta dele, segurava flechas para instruir as pessoas que queriam acertar o alvo, pendurado no estande. Ele aceitou bater um papo com o Jornal Matéria Prima (JMP) sobre a Amaf e outras curiosidades a respeito do esporte.

Vai fazer dois anos que a Amaf foi fundada aqui em Maringá. Como foi a procura de alunos nesse tempo?
Eu trouxe o esporte para Maringá em 2012. O levei para o Clube de Caça e Pesca em Iguatemi [16 km de Maringá] que tinha área segura para praticar e chamei os amigos para conhecer. Em 2013 fizemos a primeira competição e em 2014 criamos a associação. Começou a ter uma procura maior agora, depois desse evento [Festival Nipo Brasileiro], porque foi mais divulgado.

Hoje os treinos são realizados no Colégio Estadual Rodrigues Alves. Além do colégio, há outro lugar específico que vocês treinam ou então pensam em mudar de lá?
O colégio cedeu para a gente a quadra coberta para treinar nas sextas à noite e sábados à tarde. Em contrapartida, vamos dar aulas de graça para os alunos do colégio. Por enquanto estamos só lá. Vontade de mudar a gente tem, o que não temos é condição financeira. Nós não tivemos apoio nenhum até agora de nenhum órgão público.

No tiro com arco e flecha há uma grande variedade de arcos, por exemplo o arco mongol e o arco japonês. Qual a diferença entre eles?
É mais diferença de confecção e de forma estrutural. O arco mongol se caracteriza por ser curto, mas de alta potência, feito de forma artesanal. O arco japonês é extremamente longo, também feito de forma artesanal. Temos também o arco longo, tipo inglês, que tem, em média, dois metros de comprimento, e o arco recurvo, que pode ser de uma peça única ou desmontada. Depois, temos o arco olímpico, que é recurvo, equipado com estabilizador, mira e mais alguns equipamentos que ajudam para tiros mais precisos. Temos o arco balestra, ou besta, que é como uma coronha de uma arma. Só que em vez do cano existe um arco fixado na ponta dessa coronha e ele dispara uma seta, um pouco mais curta que uma flecha de arco. Por fim, temos o arco composto, que hoje é de alta tecnologia, alta potência e precisão.

Fernando Martins no estande da Amaf no 27° Nipo Brasileiro (Imagem/ Larissa Malaghini)

Fernando Martins no estande da Amaf no 27° Nipo Brasileiro
(Imagem/ Larissa Malaghini)

As flechas podem ser feitas de vários materiais, como alumínio ou madeira. A mudança de material implica em algo na hora do tiro?
As flechas são feitas de acordo com os arcos que você vai usar. Por exemplo, o arco longo inglês é usado normalmente com flecha de madeira. Quem usa o arco recurvo, flecha de carbono. Existem ainda as flechas de alumínio e as de fibra de vidro. E para o arco olímpico existe uma flecha especial, chamada carboalumínio. O centro dela é uma vareta de alumínio e a capa externa é de fibra de carbono.

A partir do século 17 a prática de tiro com arco passou a ser vista como um esporte e no ano 1900 foi introduzida nos Jogos Olímpicos. Quais as exigências para participar dos jogos?
Existem algumas exigências do arqueiro ter uma experiência maior de participar de seletivas para poder então ser chamado para uma olimpíada. Pelo Ifaa [International Field Archery Association] basta você ter um arco de qualquer tipo e participar de uma prova no campeonato brasileiro, você automaticamente já tem direito de ir para o campeonato mundial. Não tem limite de idade.

Na minha categoria master, que é acima de 55 anos, ainda estou no primeiro lugar

Há competições de arco e flecha pela região?
Criamos um torneio aqui na região norte do Paraná abrangendo Maringá, Londrina, Ivaiporã, Toledo e Assis [São Paulo]. Todas têm arqueiros. Como arqueiro, na minha categoria máster, que é acima de 55 anos, ainda estou no primeiro lugar. Nossa associação também está em primeiro lugar entre as participantes desse circuito norte paranaense.

Você atira desde 2012. De onde surgiu a vontade de atirar com arco e flecha?
Fui criado aqui no Paraná na época que ainda era permitida a caça, usava-se arma de fogo. Depois, no início dos anos 90, fui técnico da equipe maringaense de tiro ao alvo nos Jogos Abertos do Paraná. Com essa onda do governo de desarmamento, o cidadão de bem passa a ser visto com certa restrição a possuir armas. Eu falei ‘não, eu não quero isso pra mim, não vou me sujeitar a essas exigências que o bandido não obedece’. Então, eu parei com arma de fogo e parti para o arco e flecha.

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