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Cidade | Edição #448 - 05/09/2016

Ferreiro faz parte da história da cidade

Nelson Dias, 67, ainda conserva na oficina em que trabalha as ferramentas usadas quando a profissão estava no auge

Nilton dos Santos
Aluno de Jornalismo

Comentários
 
Pioneiro Nelson Dias, o remanescente ferreiro de Maringá Imagem / Nilton dos Santos

Pioneiro Nelson Dias, o remanescente ferreiro de Maringá
Imagem / Nilton dos Santos

Dia de garoa fina, tempo nublado e temperatura por volta dos 10ºC. Dentro da oficina uma fumaça que saia da forja. A tenaz segurava uma barra de ferro que, aos poucos, ia tomando a forma de mais uma ferradura pelas mãos do Nelson Dias, 67. Casado com Ilda de Melo Dias há mais de 45 anos, ele exerce por mais de 42 uma das profissões mais antigas do mundo: ferreiro. É dali que tira o sustento da família e foi o que lhe deu condições de criar três filhos .

“Tudo que chegava na cidade por meio do trem, era transportado por carroças”

 

Pessoa simples, carismática, morador há 40 anos no Jardim Alvorada, à Rua Mato Grosso, 103 , zona norte de Maringá. É um dos pioneiros que chegou à cidade ainda menino, junto com os pais, em 1955, e aos 8 anos de idade começou na antiga rodoviária a trabalhar como engraxate.

“Meu pai era carroceiro e tudo que chegava na cidade por meio do trem, era transportado por carroças. A cidade não tinha ruas asfaltadas, na maioria [das ruas] era tudo barro.”

Hoje, na oficina de Nelson Dias ainda é possível encontrar as ferramentas usadas quando a atividade era muito requisitada: a forja, a bigorna, a tenaz e a marreta.
Seo Nelson, conhecido por todos os carroceiros da cidade, conta que já teve dois candidatos ao aprendizado da profissão, mas não permaneceram. “Abandonaram e não voltaram mais, ninguém quer aprender esta profissão. Se eu morrer, acabou”, brinca.

Com a Revolução Industrial (1820 a 1840), a profissão de ferreiro evoluiu, tomando novas formas de ser executada. É o que afirma Elcio Antonio Bibiano, casado e com 38 anos na profissão de torneiro mecânico. No início, ele trabalhou como fundidor e explica que o metal era derretido e colocado em moldes de barro para formar a peça desejada. O que ele faz hoje, afirma, teve origem da profissão de ferreiro.

Uso da Forja Imagem / Nilton dos Santos

Uso da Forja
Imagem / Nilton dos Santos

Atualmente se emprega química no aquecimento do metal e o conhecimento geometria e matemática são fundamentais para calibrar o torno. O maçarico substituiu a forja, a vídia substituiu a bigorna. “Em nenhuma oficina ou retifica se trabalha sem um torno.” Bibiano conhece seo Nelson há mais de 25 anos.

Hoje os metais são classificados e comercializados para a indústria alimentícia, construção civil, setor automobilístico entre outros, na forma de vigas, chapas, vergalhões, cantoneiras e bobinas. É o que afirma Adenilson Morales, especialista em venda de metais, há 17 anos no ramo. “Há alguns anos, a empresa Indústria de Máquinas Limeira produzia facas e martelos para moinhos, confeccionando-os na forma dos antigos ferreiros. Hoje não tenho conhecimento desse trabalho.”

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Solange Santos disse:

Gostei também desse conteúdo aí e vi agora que é um rodízio toda vez muda, achei legal igual o da outra vez da mulher que canta os hinos feito pelo advaldo, precisa-se de um ferreiro

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