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Esporte | Edição #451 - 26/09/2016

“Esse momento no triatlo [além do limite] é quase entorpecente”

O maringaense Silvinho Iwata alia a prática do triatlo com a rotina de trabalho; conquistou este ano um prêmio nacional

Randy Fusieger
Aluno de Jornalismo

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Silvinho exibe o troféu conquistado no 26º Prêmio Brasil (Imagem/Arquivo pessoal)

Silvinho exibe o troféu conquistado no 26º Prêmio Brasil (Imagem/Arquivo pessoal)

A reportagem do Jornal Matéria Prima foi recebida no local de trabalho do triatleta, a Imobiliária Silvio Iwata, nome do pai e que inspirou o dele. O encontro foi combinado via WhatsApp e, com pontualidade britânica, Silvio Saiti Romão Iwata, 27, conversou com a reportagem sobre o esporte que pratica: o triatlo. Além de triatleta, Silvinho, como é conhecido, é advogado, corretor de imóveis, perito avaliador e mecânico de automóveis.

Cultiva uma paixão que não é efêmera: o amor por Jeep. Percorre vários lugares junto do alaranjado Troller 4×4, o grande companheiro de viagens. Em maio deste ano, ganhou em primeiro lugar o troféu da segunda etapa do Prêmio Brasil de Triathlon, realizado em São Paulo. Os detalhes da entrevista você confere a seguir:

O triatlo reúne três esportes em um só. Por que você optou por essa modalidade e não apenas por um dos esportes?
Eu sou nadador de origem, era atleta de natação quando criança. Na verdade, isso começa antes: meu pai sempre foi atleta de natação. Com quase 60 anos, ele ainda compete em jogos abertos, eventualmente em competições estaduais e com essa idade, ainda bate de frente com pessoas de 20, 30 [anos], é um cara casca grossa na água. E eu sempre fui nadador. Quando tinha 14, 15 anos, via muito meu pai quando ele começou no triatlo. Ele foi o segundo participante do Paraná a fazer o IronMan [prova mundial de triatlo], na época em que as bicicletas eram de alumínio, não havia essa tecnologia que temos hoje. E eu gostei, enfim, sempre me encantou e, na verdade, o lance do triatlo é o seguinte: é um esporte que você vai além do limite corporal, e é quase entorpecente esse momento, sabe? Muita gente fala assim: Ah, o cara é viciado em adrenalina, e eu acho que isso pode ser verdade mesmo pois você chega em um estágio de exaustão física tão grande que perde os sentidos, não ouve mais, enxerga mal, não sente sede, pois a prioridade da máquina corporal é manter você ativo, manter as funções básicas para aquele movimento que você está fazendo, então esse é o limite. Foi mais por causa disso, eu via os caras se superando muito e pensei: Ah, quero fazer também.

Você chega em um estágio de exaustão física tão grande que perde os sentidos

Seu pai é atleta. Você se inspirou nele para começar no esporte ou a vontade surgiu espontaneamente?
Tem dele e tem de outros amigos dele também, pois são os caras mais disciplinados que eu já vi na minha vida. E todos eles, esses que me inspiraram, são pessoas bem sucedidas e isso é curioso. São caras que treinam muito, são muito fortes e têm uma vida extremamente corrida, mas mesmo assim ainda conseguem fazer o esporte. Então as pessoas me perguntam: Nossa, Silvinho, você consegue fazer tudo isso?, e eu respondo que só faço o que todo mundo faz. Os outros também fazem, e às vezes até em proporção maior, pois são pessoas que têm família. Eu não tenho filho, não tenho esposa, então para mim é até mais tranquilo.

Dentro das três modalidades, você já percorreu, em apenas um mês, mais de 600 quilômetros. E como concilia a rotina de trabalho com o esporte?
É simples. Na verdade, costume. Você pega hábito. Quando eu estava no terceiro ano da faculdade, transferi de turno, saí da manhã e fui para a noite. Eu acordava muito cedo e vinha trabalhar, treinava na hora do almoço e voltava a trabalhar, chegava em casa, comia algo e ia para a faculdade. Chegava da faculdade extremamente cansado e aos finais de semana me sentia exausto. Mas é uma escolha de vida, então hoje eu faço exatamente isso: eu treino pela manhã, mas em alguns dias da semana, não todos. Na hora do almoço, treino também pois é obrigatório, todos os dias, e normalmente é natação ou o fortalecimento e ao final da tarde também faço pedal. Chegando em casa, despacho todo o restante. Só que o segredo é o planejamento.

Eu nem acreditava, no quilômetro quatro da prova eu já estava chorando

Em maio, na segunda etapa de São Paulo, você foi campeão do 26º Troféu Brasil de Triathlon. Como foi trazer o prêmio para Maringá?
Eu defino as coisas na minha cabeça assim: tenho metas e a meta é uma escada para atingir um objetivo e para cumprir essa etapa eu tenho um propósito, que é o que me move a subir esses degraus. Então, o meu objetivo era conquistar um Troféu Brasil, pois é algo que dá expressividade. O atleta deixa de ser visto como mediano e passa a ser alguém com representatividade no meio. E eu sempre quis ser um cara que as pessoas viessem conversar comigo. Só que foi o primeiro que competi e achava que iria demorar uns belos anos para conseguir ganhá-lo. Na época, nem sei se era merecedor. Deu tudo certo na prova e eu acabei ganhando. Como as competições de natação [750 metros] acontecem em água aberta, as boias podem estar distanciadas ou aproximadas. Em São Paulo, as boias se distanciaram muito, então como a minha natação é muito mais forte, eu saí com  média de 1,3 metro na frente dos outros competidores. Não houve como eles me alcançarem. Eu nem acreditava, no quilômetro quatro da prova eu já estava chorando.

Maringá elencou alguns atletas no cenário olímpico e paraolímpico. No triatlo, isso acontece com frequência?
É um esporte muito elitizado, por ser muito caro. Além disso, as pessoas não têm muita informação sobre o esporte. Sempre me perguntam se eu treino as três modalidades todos os dias, e não é assim. Você planeja o treino para que consiga cumpri-lo entre as três modalidades, durante a semana e não apenas em um dia. Se for analisar as cinco cidades que detêm os melhores atletas de triatlo do Brasil, Maringá está entre as cinco. Só que esse ponto ainda é forte, é um esporte menos divulgado por muitas razões: não é tão fácil de praticar, como o futebol, e que ainda exige muito do atleta. A reunião dos três esportes para uma única prova exige uma complexidade maior. Exatamente por isso que as provas são bem espaçadas, a logística da prova é muito grande.

Os triatletas locais recebem apoio dos órgãos municipais para a realização dos treinos e competições?
É mais iniciativa própria, mas existe o apoio, sim. A Vila Olímpica é cedida para nós em algumas oportunidades, para realizarmos os treinos mais longos, então os órgãos estão sempre presentes. O Corpo de Bombeiros também presta assistência ostensiva para o triatlo, até pelo fato de muitos bombeiros serem triatletas. A Polícia Militar como um todo nos auxilia bastante na realização dos treinos e provas. Eles oferecem um staff [suporte para provas] brilhante para nós.

O Crazy Dog Shortly [treino simulado] aconteceu recentemente em Maringá. Como foi participar deste treino?
Fazemos esse treino para simular a prova real. O mais difícil do triatlo, pensando em nadar, pedalar e correr, está entre a natação e o pedal. O grupo muscular exigido para cada esporte é diferente, então esse baque corporal é o que mais precisamos treinar. Não basta o atleta ser um exímio nadador, pois ele pode não ser necessariamente um bom ciclista, os músculos são diferentes. É uma complexidade de movimentos e, querendo ou não, é algo que exige mais do corpo. Esses treinos coletivos serem mais para transição do que para um treino em si, servem para que os atletas se habituem melhor nessas mudanças de um esporte para o outro.

O Copejem [Conselho Permanente do Jovem Empresário] organiza uma competição denominada “Copegym”. Qual o intuito dessa vertente para o esporte dentro do conselho?
O Copegym serve para regrar as pessoas. Se alguém me pergunta Silvinho, você se regra no esporte mesmo trabalhando muito? eu respondo que é o contrário, pois eu consigo ser muito regrado no meu trabalho exatamente por ser muito regrado também no esporte. A disciplina do esporte inspira muitas outras coisas. Para que você participe de uma prova de triatlo, é necessário organizar uma lista de, no mínimo, 49 itens. O planejamento exigido para isso é muito grande e isso ensina o atleta a ser assim fora do esporte: no trabalho, em casa, com a família. A ordem na vida atlética inspira a ordem na vida empresarial. É um elemento aglutinador, gastamos muito tempo fazendo isso mas vale muito a pena.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Alexandre Moran disse:

Acompanho mesmo que de longe a rotina deste atleta, e sei o quanto se dedicou para chegar onde esta.
Seu pai e tambem sua mãe são um exemplo para todos nós de determinação e força de vontade que reflete tanto na vida pessoal como na vida profissional e o Silvinho faz juz a familia Iwata…parabens e sucesso…Estamos Juntos….Um forte abraço…….Tudo é possível….

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