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Crítica de Mídia | Edição #450 - 19/09/2016

A mídia e o sotaque neutro no jornalismo

O jornalismo tem uma pronúncia padrão, que cria estereótipos e pode instigar o preconceito diante de quem fala diferente

Heloisa Fernanda
Estudante de Jornalismo

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A mídia cria diversos padrões para a pronúncia do jornalismo

(Imagem/pixabay)
A mídia cria diversos padrões para a pronúncia no jornalismo

Desde o surgimento do telejornalismo os repórteres falam de uma forma padrão, que foi logo imposta pelos grandes meios de comunicação. Segundo o Memória Globo, de 2004, a Rede Globo iniciou o treinamento dos repórteres em 1974 com fonoaudiólogas, para que falassem com naturalidade. Antes disso, estavam acostumados a atuar apenas no rádio e nos meios impressos, precisando assim de um treinamento para aprender a agir e falar frente às câmeras.

Todas as emissoras adotaram esse sotaque padrão que foi imposto, uniformizando a fala do jornalismo nacional. Isso amenizou os sotaques regionais e criou um estereótipo que gera preconceito. Há pessoas que já disseram que um jornalista com sotaque baiano seria cômico. Isso mostra o preconceito acerca do que é diferente.

Não é novidade para ninguém que a mídia impõe padrões, desde a roupa que devemos usar até o corpo que devemos ter. Com a nossa fala não seria diferente, por isso não só para jornalistas, mas para pessoas comuns, pode ocorrer um preconceito que faça as pessoas odiarem a própria fala.

Um sotaque não pode ser considerado mais natural ou melhor que o outro.

Até as emissoras regionais, que poderiam ter a fala da região em que se encontram, também adotam um padrão que ameniza o sotaque. Existe a preocupação que não mostre muito o local de origem para que a linguagem permaneça “neutra”.

Um sotaque não pode ser considerado mais natural ou melhor que o outro. O Brasil é um país enorme, com diversas regiões e diferentes sotaques. O problema é classificar um sotaque como padrão e ter que fazer todas as pessoas que não falam desse jeito padrão, se adaptarem. Isso anula a própria identidade do indivíduo, pois os jornalistas que não moram nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo acabam tendo vergonha da própria fala.

A justificativa de se ter criado um sotaque “neutro” é que o telespectador desviaria a atenção da notícia. Sotaques diferentes não irão comprometer a comunicação nem a interpretação, pois o emissor entenderá a mensagem da mesma forma.  Essa padronização veio desde o início do telejornalismo, e a essa altura, é difícil desmanchar estereótipos que já foram criados acerca disso.

Discussão e comentários »

2 comentários | Deixe seu comentário

mateus o Responsavel disse:

Frescura, o jornal deve ser PADRONIZADO SIM. Do contrário, qual a melhor explicação para o Jornal Nacional ser famoso e o melhor ?O Bonner e todos os jornalistas até então seguiam um padrão neutral, robótico, onde o foco era a noticia. E nao aquelas babaquices sensacionalistas. Com a vinda desses ” jornalistasinhos de G1” como aquela Mari Palma, e aquele moleque estranho cheio de trejeitos, tira a atenção e foco da noticia. A Mari Palma mais preocupada com o cabelo e fazer carinha na tela, do que propriamente informar. E por aí vai….

Jornal sem sotaque é extremamente importante. Apresentador baiano, pode dizer o que for, ele sabe que fica fora de forma a visao do ouvinte ou do telespectador, nao por preconceito ou seja qual for a desculpa, e sim pelo profissionalismo e estética padrão, como terno, e cabelo cuidado.

Um exemplo disso é o sotaque dos capixabas. É um sotaque ideal para televisão, nao da aquela sensação de ” nossa, só tem jornalista de SP e RJ , ou ” nossa só tem artistas de SP ou RJ na televisão”, sempre na globo vemos esses sotaques. Enjoa, e cria muita confusão. Ja o sotaque de Capixaba e Brasiliense, são bem neutros, exemplos para a tv.

David Atenas disse:

A própria adotação do “sotaque neutro” é uma forma de preconceito.
Mesmo em telejornais cariocas, as repórteres cariocas são obrigadas a falar com aquele “s” sibilante de paulista, além de “importarem” repórteres de outros estados pra estes telejornais – e todos eles falam com esse “s” sibilante.

É o tipo de prática que deveria acabar, tendo em vista nosso enorme país, recheado de culturas e sotaques distintos.

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