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Educação | Edição #447 - 29/08/2016

“Vocacionada, eu nasci para dar aula”

Professora aposentada, Edna Mendonça escreve livro contando as próprias histórias e dicas para futuros docentes

Gian Ribeiro
Aluno de Jornalismo

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Foto feita na livraria da Unicesumar ao lado dos seus livros

Edna Mendonça ao lado do livro autoral lançado recentemente

A maringaense Edna Aparecida de Souza Mendonça, 50 anos, professora de Língua Portuguesa, concursada e aposentada pelo Estado do Paraná, lançou no ano passado, o livro “Histórias e Dicas da Professora Edna”. Ela conta experiências de 33 anos em sala de aula.

Assim como milhares de brasileiros, Edna optou por ser professora dos ensinos primário, fundamental e médio, uma profissão reconhecidamente mal remunerada. Em entrevista ao Jornal Matéria Prima, Edna, falou sobre a longa carreira, os desafios e aprendizados obtidos por meio dessa profissão.

Sabemos que não é comum uma professora escrever um livro depois da aposentadoria. Quando e como surgiu a vontade de escrever o livro?
O livro surgiu de passar as minhas experiências em sala de aula e as minhas histórias com meus alunos. No segundo dia em que eu estava aposentada, comecei pensar como foi importante ter sido professora. Eu fui uma professora vocacionada, eu nasci para dar aula. Desde pequena eu dizia para minha mãe: Eu vou ser professora. Então pensei: meu Deus, essas histórias não podem morrer comigo. Eu tenho que passar essa experiência para os outros, histórias tristes e histórias alegres. No meu último dia de trabalho, fizemos uma festinha de despedida e uma professora recém-formada disse que gostaria de ter tido mais tempo comigo para aprender, então surgiu a ideia de dar dicas no livro e listei 26 delas.

O professor deve saber lidar com todo tipo de aluno. Como você vê os professores nessas situações e como agia?
No começo da minha carreira não existia inclusão, mas cabe ao professor saber trabalhar com cada aluno. Existem alunos com mais dificuldades do que outros. Eu tive um aluno cego, então organizei para que cada dia um aluno sentasse ao lado dele para ajudar. Era tão bonito vê-los, até brigavam para realizar essa tarefa. Eu instalei um programa que falava as palavras no meu lap-top, assim, ele [o aluno cego] conseguia acompanhar as aulas. Então fazíamos um rodízio e com certeza aprendi muito mais com ele, do que ele aprendeu comigo. A inclusão prepara não só o aluno para a vida, mas prepara os outros para a vida da inclusão.

O buillyng sempre existiu, porém atualmente está em pauta. Qual dica você dá para essa situação?
Realmente ele sempre existiu, só deram um nome chique e importado. Acredito que o buillyng deve ser tratado na hora em que a situação está calma. Deve haver uma conscientização da parte do professor para os alunos. Muitas vezes, o aluno aceita a brincadeira para estar perto dos outros, então fazer os alunos entenderem esse lado humano é importante.

Uma das tarefas difíceis para um professor é instituir a disciplina na sala de aula. Como você agia para manter a ordem?
Atualmente a disciplina em sala de aula é um dos pontos principais. O conteúdo, o professor domina, ele foi preparado. Agora, o relacionamento com o aluno é complicado. A primeira dica é saber dosar e ser um professor legal, saber a hora de ser legal e a hora de ser rígido. No primeiro dia de aula é importante estabelecer as regras, mas não negociar essas regras. O professor deve também saber reconhecer quando erra. Nunca ser um inimigo declarado e conversar separadamente do aluno quando for adverti-lo. Não deixar o aluno desocupado. Aluno desocupado é bagunça. Todo aluno admira um professor competente, que é legal e que ensina. Tem que ter conteúdo, tem que ser bom.

Como toda pessoa, há dias que não estamos bem. Cuidar da saúde é importante e influência no trabalho. Como você tem visto a saúde dos professores?
Tenho visto que há muitos professores doentes. A carga horária é muito pesada, a remuneração é pouca. Muitas vezes trabalham vários turnos e acaba que eles não têm tempo para preparar as aulas, gerando estresse e, por consequência, depressão e outras doenças. Além da sociedade, o governo deveria olhar mais atentamente para esses profissionais. Deve haver uma conscientização da valorização dos professores.

A educação deve passar por um pensamento coletivo de melhoria

O professor prepara o aluno para a vida. Prepara também para o vestibular. Mas você acha que o professor deve olhar mais no futuro (ensino superior) e não reduzir somente ao vestibular?
O professor deve amar a sua profissão. As escolas devem ser mais equipadas para o melhor aproveitamento do ensino. A educação pública não evoluiu junto com a sociedade e nem do ponto de vista tecnológico. O básico deveria ser ler e escrever bem, aprender interpretar um texto e o mundo. Não dá para se apegar tanto nos livros e decorar as coisas, pois logo esquecem. É um tal de aprender e esquecer. Não exercitamos a memorização como se deve. Defendo também a escola integral, mas que seja de qualidade, dando suporte para os alunos. Estuda a grade na parte da manhã e, na parte da tarde, o aluno poder fazer o que gosta, ajudando na criatividade. A educação deve passar por um pensamento coletivo de melhoria.

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