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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #446 - 15/08/2016

Beijo de esperança que resistiu ao tempo

Será que um dia tudo o que há de ruim vai acabar? Por que tanto ódio? Talvez ainda haja uma esperança

Raysson Schimmack
Aluno de Jornalismo

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Eram seis da manhã. O relógio apitava desesperadamente. Tive de levantar. Mas você sabe, de manhã vem sempre aquela preguiça. O corpo fica mole e o “vilão” das manhãs aparece: o sono.

Como em uma batalha sempre venço o vilão e depois da vitória pareço ganhar forças. O sono que antes me intimidava, some sem deixar pistas.

(Foto: Lucas Martinez)

(Foto: Lucas Martinez)

Já na rua o vento frio parecia soprar incansavelmente. Enquanto esperava o ônibus para mais um dos meus passeios matinais, um turbilhão de pensamentos tomou conta da minha cabeça. Por que as pessoas são como são? Será que um dia tudo o que há de ruim vai acabar?  Por que tanto ódio? Por que tantas diferenças e preconceitos?

Procuro por uma poltrona desocupada no ônibus. Seria apenas mais um dia qualquer. Pelo menos era o que pensava. A viagem passa. Desço no primeiro ponto que surge em meio ao nevoeiro da manhã. O tempo voa e lá estou à espera da próxima condução. Dessa vez ao meio dia. Na volta para casa vejo algo que mexeu comigo. Seria um dia qualquer, pensava eu. Como todos devem imaginar, esse não foi um dia qualquer. Aquela cena me marcou.

Como foi apaixonado aquele beijo. Era como as das telonas de cinema. Juro que só faltou aqueles coraçõezinhos cheios de brilho pairando ao lado dos dois. Era uma verdadeira despedida de homem e mulher, enfim, um lindo e demorado beijo do casal de idosos do outro lado da janela do ônibus.

Parece que nesse momento às respostas das minhas perguntas vieram à tona no meu coração. Em um mundo liquido, onde tudo passa rápido e na maioria das vezes em direção ao abismo, aquela cena me surpreendeu. Talvez ainda haja um novo caminho para seguir. Talvez ainda seja possível atingir o mundo da esperança, mesmo que apenas pelo toque dos lábios.

Deitei-me e fiquei a pensar naquele beijo, no amor. Como resistira ao tempo?

O ônibus seguiu o trajeto. Minutos depois já estava em casa. De pouco em pouco, o vilão das manhãs reapareceu. Não lutei. Confesso que não tive escolha, deitei-me e fiquei a pensar naquele beijo, naquele amor. Como resistira ao tempo?

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