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Cidade | Edição #446 - 15/08/2016

“A sociedade julga crianças em crise como mal educadas”

Para a psicóloga Daniela Devico o preconceito contra o autista só vai acabar quando as pessoas conhecerem melhor o tema

Rodrigo Lucas
Aluno de Jornalismo

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Psicologa Daniela Devico diz que precisa-se muito ainda para que o autismo seja reconhecido em Maringá

Psicologa Daniela Devico diz que precisa-se muito ainda para que o autismo seja reconhecido em Maringá

Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, publicados em 2011 pela Revista Autismo [especializada no tema], naquele país há cerca de uma criança com autismo para cada 110. Já no Brasil, estima-se que  haja mais de 2 milhões e autistas e mais da metade dos casos ainda continuam sem diagnóstico.

A qualidade de vida de muitas crianças e adultos com a síndrome pode ser significativamente melhorada por meio do diagnóstico precoce e a indicação adequada do tratamento. Visando a orientação sobre o tema, a psicóloga Daniela Devico Martins Pinto, 26, que já trabalhou com crianças especiais e atualmente desenvolve um trabalho de palestras sobre o tema em escolas, recebeu a reportagem do Jornal Matéria Prima na clínica em que trabalha. O tema, ainda pouco discutido, vem ganhando notoriedade. A psicóloga falou sobre a carreira, como surgiu o interesse sobre o tema autismo e projetos futuros.

Sabemos que a  psicologia tem como objetivo a compreensão de grupos e indivíduos tanto pelo estabelecimento de princípios universais como pelo estudo de casos específicos. Como surgiu seu interesse pelo tema autismo?
Esse interesse por educação especial tive desde o segundo ano de faculdade. Fiz estágio na Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais] de Paiçandú. Até então meu foco não era só autismo, e sim todos os transtornos. Após ser contratada pela Associação Maringaense de Autistas [AMA], tive que me aprofundar mais a respeito do tema. O dia a dia com as crianças me ensinou muito e foi então que entrei em uma pós-graduação em TGD [Trasntorno Global do Desenvolvimento]. Através desses estudos fui fazendo meu trabalho e a cada dia era um desafio diferente.

Embora a medicina  tenha avançado, as causas do TEA ainda são um grande mistério. Como  identificar uma pessoa que tem a  síndrome do autismo?
Não é facil identificar. Não é igual a Síndrome de Down, que dá para ver no físico. É através da observação do comportamento que vamos identificar o autismo.

Em Maringá e região
há cerca de 2.000
casos registrados

A inclusão de uma criança autista na rede de ensino regular é fundamental para que ela desenvolva capacidades e habilidades criativas e está na lei. Em se tratando de ensino, quais as maiores dificuldades das crianças diagnosticadas com a síndrome?
A criança autista tem muita dificuldade em se integrar em ambientes educacionais. As dificuldades demonstradas são as de organização, distração e dificuldades em sequenciar. Elas têm dificuldades de partilha, de expressar afeto, emoções e sentimentos. Essas crianças também têm dificuldades de interação social, principalmente na comunicação.

Segundo um artigo publicado na Revista Autismo, em 2011, mães relatam que desde cedo percebem alguns sinais de que os filhos são muito quietinhos ou muito agitados, e que nem sempre conseguiam compreendê-los. Como as famílias dessas crianças que têm a síndrome encaram a situação?
No primeiro momento, a família fica assutada, muitos até nem sabem o que é a síndrome. A angústia é muito grande, pois não sabem como lidar com os comportamentos. Passam por um processo de luto mesmo, negação, e resistência.

Essas crianças, para alguns, são consideradas diferentes por não se socializarem ou por se afastarem das pessoas. Como é o convívio do diagnosticado em sociedade? Existe preconceito? Como vencê-lo?
A sociedade tem preconceito, sim. Quando as pessoas se deparam com uma situação em que as crianças estão em crise, por exemplo, jugam-nas como mal educadas. A maneira de se acabar com o preconceito, é a sociedade saber um pouco mais sobre o tema, pois assim irá entender as dificuldades, como eles são, tendo um olhar diferenciado para essas pessoas.

Dois de abril é o Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo. A Organização das Nações Unidas (ONU) criou a data para que o mundo conhecesse e desse mais valor à pessoa que tem o autismo. Em Maringá, o tema recebe a atenção devida?
Em minha opinião, não. Precisa-se de muito ainda para que o autismo tenha reconhecimento e a devida atenção. Estamos engatinhando ainda para que as pessoas que têm o TEA [Trastorno de Espectro Autista] sejam reconhecidas em Maringá e região e que ganhem a atenção que merecem. Há instituições aqui em Maringá que trabalham para que esse reconhecimento aconteça. É o caso da AMA, que busca promover gestões para localizar, orientar, apoiar e acolher portadores do autismo, esclarecendo familiares acerca de mecanismos de convivência e tratamento.

Atualmente em Maringá, há quantos casos de pessoas com a síndrome?
Há cerca de 2.000 casos registrados.

Quais são os seus projetos futuros dentro dessa areá de educação especial?
Em fevereiro deste ano comecei uma pós-graduação em educação especial, que já estou para terminar. Meus projetos são a respeito do atendimento do TEA em educação especial e na educação inclusiva. Hoje trabalho na Clínica Zanutto e Zanutto, atendendo a crianças, adolescentes e adultos, e realizo também palestras em escolas particulares e públicas sobre o tema. Isso é só o começo de um projeto juntamente com mais duas colegas, psicólogas, para divulgar e tirar dúvidas de professores e alunos a respeito do Transtorno do Espectro Autista.

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