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Cidade | Edição #442 - 13/06/2016

Uma mão na roda para a acessibilidade

Cadeirante é youtuber e grava vídeos esporádicos, mostrando a realidade das estruturas das calçadas por onde passa

Advaldo Filho
Estudante de Jornalismo

Comentários
 
Uma mão na roda para a acessibilidade

Visão captada pela câmera acoplada na cabeça de Pastelzinho
(Imagem/Reprodução)

A vida tomou um rumo diferente na tarde quente do dia 13 de dezembro de 2007. Jair Cervelheri, 48, mais conhecido como “Pastelzinho”, voltava para casa depois do trabalho, conduzindo uma motocicleta. A três quarteirões de casa, no Jardim Oásis (zona norte), foi colhido por um veículo. O motorista atrapalhou-se e, no impacto, Pastelzinho e moto foram arremessados sobre a calçada. O episódio o afastou para sempre da função de motorista em uma empresa de ônibus.

Com a sequela deixada após o acidente, tudo mudou na vida de Pastelzinho. Desde então, ele se sensibiliza em prol dos cadeirantes e pessoas com algum tipo de deficiência motora. Teve a ideia de documentar as reações das pessoas perante as condições das calçadas por onde passavam, adquiriu uma câmera com estrutura para acoplar o equipamento na cabeça e começou a gravar e a postar vídeos no Youtube. Por meio do canal “Patelzinho Cadeirante” começou a receber queixas referentes à falta de manutenção e de construção de rampas, que antes eram obstáculos para quem precisava se deslocar para o centro e pelos bairros. “Não somos diferentes, a diferença está apenas na maneira de se locomover”, diz.

Não somos diferentes, a diferença está apenas na maneira de se locomover

A atitude de Pastelzinho beneficiou várias pessoas. É o caso da cadeirante Natália Luiz Magalhães, 26, vendedora autônoma, que se desloca constantemente pelas calçadas da cidade. Com o conteúdo dos vídeos a prefeitura providenciou o conserto das vias e ela pode usufruir dos benefícios. “Acho justo e apoio a causa, pois temos que lutar por melhorias na acessibilidade”, completou.

De acordo com o vereador Ulisses Maia (PDT), há inúmeros requerimentos protocolados em relação às rampas e acessibilidade no transporte público de Maringá. Ainda sobre esse assunto ele afirma que “a prefeitura arrumou algumas [calçadas], porém,  nos bairros ainda faltam muitas”.

A cada post realizado no canal, os vídeos de Pastelzinho são compartilhados nas demais redes sociais, ganham forças e chegam às mãos dos órgãos responsáveis. Atualmente, a página possuí 151 vídeos publicados e a maioria mostra a falta de acessibilidade para os cadeirantes em Maringá.

A esta altura o leitor pode estar se perguntando: por que Pastelzinho? Esse apelido, Jair Cervelheri recebeu após um ocorrido em 1989, ainda quando era cobrador de ônibus. Por não ter o troco na hora para devolver a um passageiro, deixou-o furioso e, ao descer exclamou em alto e bom som: “Cobrador, para mim você não vale um pastelzinho de rodoviária”. A prova de que a crítica foi absorvida com bom humor é que apelido pegou.

Toda a história da mudança radical que Pastelzinho sofreu após o acidente está resumida em um livro, ainda não publicado, intitulado “Uma vida sobre rodas”, onde ele conta a trajetória de quase cinco décadas de vida. Em determinado fragmento do rascunho há uma citação impactante: “Estou nesta cadeira, minhas novas pernas, que com a força de meus braços, me conduz para onde eu desejo ir”.

Discussão e comentários »

20 comentários | Deixe seu comentário

Laís Beckauser disse:

É possível sentir o ar jovem neste conteúdo. Soube valorizar todos os elementos, além de ter um vocabulário amplo! Gostei!
* Continue assim que irá longe, atingindo sempre suas metas!

Olá Laís, fico feliz por ter gostado da nossa matéria, o que fiz e quero continuar a fazer é questão de honra, só depois que a gente se vê numa situação dessa, que passamos a ver os problemas e as dificuldades que um deficiente encontra para se locomover,. E sentindo na pele resolvi fazer estes vídeos, e graças a Deus devagar esta fluindo,.Mas valeu aquele abç.

Jean Carlos Moreira disse:

Exercer tal ato de cidadania, é mostrar na realidade deste país que caminha para trás que pequenos atos podem sim mudar um espaço

Sylvia Navarro disse:

Nossa que sensacional, às vezes a sociedade nos julga só porque andamos na cadeira de roda, mas não veja o quanto somos independentes, a ponto de tentar mudar espaços que são benéficos para todo mundo, estou na cadeira desde os 11, e hoje estou com 27 e não foi por esse motivo que resolvi que a partir disso não faria nada, hoje sou secretária, e levo uma vida normal, as vezes uma dor aqui, outra acolá, mas nada que me tire a vontade de viver. Estamos aqui para lutar por nossos direito somos iguais, somos irmãos , e temos que saber viver sem que tenha preconceito!!

Não deixe de “rodar” atrás daquilo que você almeja Jair, sua história é de superação e ao mesmo tempo de ajuda ao próximo. Continue independente das circunstâncias realizando esse papel. Caso queira podemos ceder um espaço a você no site para contar sua história aos demais amigos, que acompanham nosso site.
Aqui vai o site também http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br

Laerte, fico muito contente por prestigiar nosso trabalho, é assim que a gente se sente útil, perceber que tem muitas pessoas que ao ver os vídeos e nos valoriza, muito gratificante isto, e desculpa por demorar a responder, por estar sem comunicação, e grato por me passado seu site, Valeu mesmo aquele abç.

Renata Honório disse:

Pequenas ações, Grandes conquistas.

Obrigada Renata, estamos ai lutando por uma Maringá melhor do que já esta, devagar estamos conquistando aluns benefícios para que posamos se locomover melhor, valeu seu comentário, aquele abç..

Analicia Assunção disse:

Para vencer na vida não importam as nossas condições físicas, importa sermos fortes com nossas mentes, pois assim alcançaremos horizontes. Caro Cadeirante, também sou, temos que deixar mesmo nossa marca no mundo. Aqui em Barra Mansa- RJ, as vezes sofremos por essa que estão da precariedade, tentamos melhorias, e quando nos unimos somamos forças e conseguimos! Juntos somos mais.
Obrigado por fazer o bem. Caro Jornalista essa relação da Mão na roda pode ser entendida muito bem, tanto na relação de usarmos nossas mãos para se locomovermos, quanto para a parte de ser uma pessoa mão na roda( que ajuda em tudo) Tá ligado? Analicia no comando demoro!

Analicia, muito grato por seu comentário, fico contente pela força que ai entre vcs tbm se dedicam a se unir e alcançar os objetivos. é tão pouca coisa o que queremos, que para os manda chuva não é nada,. Mas se ficarmos quietos, para eles que estão de carrões, nem percebe o que nós precisamos, por isso é que temos de por na mídia né !! . mas valeu mesmo aquele abç..

Leticia Amaral Bordim disse:

Essa não há dúvidas que seja uma verdadeira lição de vida a todos, é aquela simples história, fazer o bem, sem esperar a quem, e receber em troca melhorias não para si próprio, mas sim para o coletivo. Sou gestante, Letícia Amaral com seis meses de gestação, do Rebouças, quero agradecê-lo, por tudo o que conquista em prol da sociedade. Garra e coragem, é o que não falta. O interessante nisso tudo é as histórias que são encontradas, quem nem mesmo nós que moramos aqui conhecemos, o autor faz um desenrolar na história muito focado, para que possamos interpretar sem obstáculos cada frase. Gostei muito. Beijão. Não sei como é mais vou convidar para procurar histórias na minha região também.

OLÁ LETICIA, VALEU MESMO SEU COMENTÁRIO, FICO CONTENTE POR TER PESSOAS COMO VC QUE PRESTA ATENÇÃO NA HISTÓRIAS QUE AH EM NOSSA CIDADE, MESMO VINDO DE UM SIMPLES CADEIRANTE, QUE MUITAS PESSOAS EM SEU ORGULHO, PASSAM POR NÓS E TEM CORAGEM DE NEM AO MENOS DAR UM BOM DIA. MAS MUITO GRATO PELO CARINHO, DEUS ABENÇOE, AQUELE ABÇ..

O Toni, me encaminhou esa reportagem e gostei muito de tudo que a mesma explicita, Alessandro Fernandes, Blogueiro, e também trabalho como analista de desenvolvimento no BDMG. Moro em BH, e sempre mantenho contato com o Toni. No blog, contamos nosso cotidiano, que como até diz no texto, na fala do Jair : Não somos diferentes, a diferença está apenas na maneira de se locomover, e essa é a nossa realidade. Aqui em Minas, somos livres dessas picuinhas de preconceito, graças a nossas competência, somos capazes de trabalhar! Creio que você Jair, também seja!
Dou Graças a Deus em ter uma família, parceira para todas as horas, hoje tem uma família, e um filho e uma filha para cuidar, amo o que faço e sigo minha vida, livre de obstáculos.
Não conheço vossa cidade, mas quem sabe não possamos nos conehcer um dia, mandei solicitação de amizade a ambos nas redes sociais! Falou!

Jair Cervelheri disse:

Olá Alessandro, que legal que Toni tem lhe enviado esta matéria de meu amigo ADVALDO, bom que tenha feito seu comentário, e que gostou do que eu faço, vc disse que trabalha, isso é bom, eu sou aposentado por invalidez, na real nem posso trabalhar, me acompanha umas dores que me impede ate de continuar meus estudos, mas dou graças a Deus por ele me ter dado forças para fazer estes vídeos, para me beneficiar e aos demais tbm, .E tbm tenho uma família que me apoia, um casal de filhos que é meus tesouros.
Quando tiver oportunidade, venha conhecer nossa cidade, muito linda, pelo vídeos da para ter uma ideia. vou procurar vc na rede ok, aquele abç.

Robson Lopes disse:

Parabéns Pastelzinho, é o Robson aqui, motorista de ônibus da TCCC, eu que já tive o privilégio de conduzi-lo ao seu destino sei bem da alegria que ele repassa as pessoas quando esta dentro do ônibus, mais divertido ainda é quando esta com a câmera na cabeça e nos grava, falando que vamos aparecer no youtube, e pior que aparecemos mesmo, vi que você compartilhou e abri, tem cafezinho? Seu bordão quando chega aqui terminal não é . Abraços Binho.

Jair Cervelheri disse:

Olá meu querido amigo Robrson, cara estou sem palavras, que legal vc me fazendo estes elogios, isso é muito gratificante, lembrando dos vídeos da chegada do terminal, se misturando com a galera foi muito legal.
Muito grato pelo seu comentário aqui no JORNAL MATÉRIA PRIMA. valeu mesmo, aquele abç.

Toni Vaz disse:

Oi, também sou cadeirante, também sou youtuber, e antes de mais nada prazer aos dois, sou Toni Vaz, apresentador no canal Vai Cadeirante, sou do sudeste, moro em Coronel Fabriciano, Minas Geraiis, consegui ter acesso ao conteúdo, por causa da tag utilizada pelo autor, #youtubercadeirante, quando vi, me interessei, e abri, e tive a surpresa de ver que o canal de propagação dessas notícias era de Maringá, cidade turística, que já tive o prazer de conhecer alguns anos atrás. Muito legal esse projeto, abri o link e visualizei alguns vídeos dele e achei muito bem bolado essa ideia de solicitar essas obras para os órgãos cabíveis e responsáveis. Gravo vídeos também em vários estados, mostrando o âmbito de acessibilidade desses municípios e gerando essa questão de exemplos para outras cidades
Temos histórias um pouco semelhantes, estou na cadeira de rodas desde quando criança, você depois que sofreu um acidente, já adulto, mas uma coisa que me motivava era a elaboração de um livro, escrevi e publiquei, intitulado: O Menino Sonhador e o Poder da Determinação, além disso somos youtuber’s e levamos conteúdo sobre nosso cotidiano as demais pessoas mostrando a realidade de um cadeirante.
Convido vocês a também visualizarem o meu canal, https://www.youtube.com/channel/UC7klg6eMEGAqWmpIBKJiTag , ou curtir a minha fanpage no Facebook: Vai Cadeirante.
Obrigado a todos. Parabéns.

Jair Cervelheri disse:

Olá Toni Vaz, Me senti honrado com seu comentário, que bom que nós temos algo em comum, e melhor ainda que nossa matéria tem chegado ate vc, eu estou sem a gopro, tive que vender por força maior, mas irei comprar outra nem que seja usada, e continuar com os vídeos, para mostrar a sociedade que estamos ativos, e prontos para encarar o que der e vier,
Vou visualizar seu Canal. e adquirir umas experiências a mais com tigo, valeu meu caro aquele abç..

Camila Reis disse:

Sempre estou por aqui para visualizar as postagens tanto de notícias, quanto de histórias encontradas. E a história dessa vez me cativou muito, porque nos envolve de certo modo a querer aprofundar-se na história
Não importa se a pessoa é cadeirante ou não, o que importa é que essa pessoa ajude o próximo, e como é exemplo do seu pastelzinho, que pela inocência em gravar seus vídeos cotidianos, fez com que ganhasse voz, e por intermédio desses vídeos conseguisse melhorias para si próprio e para os demais. Essa matéria tem uma maravilhosa construção de palavras, que dá a quem lê, esse ar de descontração e de interpretação maravilhoso. Sempre o encontro no Terminal, vendendo seus doces, e aquele sorriso, aquele bom humor, é a sensação de que podemos ser mais.
Moro aqui no Jardim Indaiá, me Chamo Camila Reis

Jair Cervelheri disse:

Olá Camila, que bom que vc gostou de minha história, fico feliz por saber que existe pessoas como vc apreciando o que fazemos, mesmo sendo na simplicidade do jeito de ser, mas vc nos valorizou, muito grato e quando me ver no terminal, se apresente que desejo te conhecer, ok aquele abç..

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