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Educação | Edição #441 - 06/06/2016

“Tímido que acha que não fala em público é o que vence as maiores barreiras”

Antonio Carlos Gasparoto ministra o curso de oratória na Unicesumar e garante: o frio na barriga todo mundo tem

Christian Presa
Aluno de Jornalismo

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Imagem/Arquivo pessoal Antonio Carlos Gasparoto

Gasparoto é especialista em oratória, mas admite ser tímido
(Imagem/Arquivo pessoal)

Comunicar-se bem é de suma importância para atingir objetivos e alcançar o sucesso esperado em todas as áreas, seja na vida profissional, social e pessoal. No entanto, fazer isso representa um obstáculo quase impossível para muitas pessoas. Ter segurança para fazer boas construções argumentativas e retóricas não é tão simples assim – pelo menos não parece.

O teólogo e pós-graduado em Coaching Para Gestão de Pessoas Antonio Carlos Gasparoto ministra o curso de oratória da Unicesumar e conversou com o Jornal Matéria Prima. Pelo telefone, o professor, que é formado pela própria instituição e atua na área há 11 anos, demonstrou a fluência e elaboração esperadas de um especialista no assunto, mas admitiu com surpreendente franqueza que é uma pessoa tímida e precisou de muita ajuda para quebrar a barreira, indicando o próprio curso como motivação para outras pessoas.

Com o advento da internet, o jeito de se comunicar, mesmo que pessoalmente, mudou?
Mudou bastante. A comunicação deu um boom, por assim dizer. Com o acesso às redes sociais, cada um pode emitir a própria opinião de forma mais coloquial. Todo mundo tem direito à comunicação hoje em dia.

Se você está preparado para ouvir um discurso, não é qualquer coisa que convence

E como isso influenciou na oratória?
No passado, poucas pessoas tinham acesso a uma qualificação precisa. Hoje não: hoje a gente tem curso de oratória até mesmo online. As pessoas fazem o curso às vezes sem sair de casa ou até mesmo na rua, usando fone de ouvido. Além disso, a internet abriu espaço para novos oradores. Antes eram poucas pessoas que exercitavam e aprimoravam essa técnica e hoje pode-se encontrar outras pessoas que também se comunicam muito bem. A internet releva essas pessoas e dá espaço para elas.

Existe um número ideal de alunos para que o curso seja efetivo?
A turma ideal seria de 15 a 20 pessoas. A turma que teremos agora no dia 18 junho está com 18 inscritos. Como eu já fiz turmas maiores e menores do que isso, sei que o número de alunos tem que ser reduzido para que os participantes tenham a oportunidade de desenvolver e praticar as técnicas ensinadas. Um grupo muito grande faz a qualidade do curso diminuir.

Os alunos que fazem o curso apresentam nível de dificuldade muito elevado?
Alguns apresentam bastante dificuldade. Suam e ficam nervosos só de terem que se apresentar e principalmente durante as atividades práticas. Outros já têm bastante facilidade, pois já fizeram outros cursos e querem apenas somar conhecimento. Mas é seguro dizer que em torno de 45% das pessoas que participam apresentam muita dificuldade de se comunicar. Muitos procuram [o curso] querendo aprender como apresentar um trabalho acadêmico ou como se portar numa entrevista de emprego. Dessa forma, o curso ajuda muito na prática do dia a dia e esse acaba sendo o nosso objetivo.

Mesmo os mais extrovertidos podem ficar inseguros diante de uma plateia ou de pessoas importantes. Qual a dica para conter isso?
Aquele friozinho na barriga dá em todo mundo, né? Eu creio que você, como jornalista, deve sentir isso, porque eu particularmente sinto toda vez que tenho que falar em público. O importante é a pessoa ter muito bem definido o que vai dizer e portar algo em mãos, porque a nossa mente pode dar um bloqueio. É recomendado ter sempre um roteiro com palavras-chave que ajudem a lembrar do assunto no momento do discurso. A gente não pode confiar só na nossa mente, porque tudo influencia: o nervosismo, o interlocutor (que às vezes é uma pessoa importante, de renome). Isso gera medo e ansiedade, ocasionando aquele branco. Meu conselho é sempre levar uma “colinha”. Não é feio para ninguém. E o mais importante é se preparar: treinar na frente do espelho pode parecer uma coisa antiquada, mas quando você se olha, consegue perceber onde pode melhorar. Essas são dicas simples, mas que fazem muita diferença.

O sucesso na oratória está diretamente ligado ao marketing pessoal. Como especialista, você diria que a imagem é tão importante quanto o discurso?
Com certeza. Inclusive eu já dei o curso de Marketing Pessoal. Você pode ser um ótimo orador, mas se não souber se portar diante de uma plateia não adianta. Tem que saber como segurar o microfone, como olhar para o auditório ou se a sua roupa e o seu cabelo estão adequados. Tudo isso conta. Não adianta eu ir falar para um grupo de adolescentes vestindo terno e gravata. A aparência e a postura criam barreiras ou abrem portas, então é indispensável que o orador tenha também um marketing pessoal bem apurado.

Em tempos de muito debate, vide os problemas políticos, econômicos e sociais do país, qual a importância de um curso de oratória?

É primordial. Ouve-se muitos discursos e as ferramentas ensinadas no curso de oratória aguçam o conhecimento para que você perceba palavras-chave e técnicas utilizadas. Quando você está preparado para ouvir um discurso, não é qualquer coisa que te convence. Você identifica o caminho feito pelo orador para convencer e consegue perceber se ele realmente tem domínio e capacidade para dizer o que está dizendo. Isso se aplica principalmente na política.

Então qualquer pessoa pode dominar a oratória?
Qualquer pessoa, e eu falo por mim mesmo. Quem me conhece particularmente não acredita que eu possa dar um curso de oratória porque eu sou tímido, mas a pessoa tímida que tiver as ferramentas adequadas consegue quebrar barreiras e ser uma boa oradora. O que eu sempre digo é que tem que ter coragem, dar a cara à tapa, não perder a oportunidade de falar em público porque a prática diária é muito importante. A pessoa tímida que acha que não consegue falar em público é a que vence as maiores barreiras, e são pequenos avanços que fazem a diferença. Eu sou uma pessoa reservada e consigo conciliar bem a timidez com o momento de me dirigir ao público ao dar uma palestra, por exemplo. Eu aprendi a controlar isso.

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