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Cidade | Edição #443 - 20/06/2016

Por só vender à vista, mercearia faz história

O Mercado Santo Antônio está há mais de 30 anos no Jardim Ipanema; freguesia já conhece a regra para comprar no comércio

Randy Fusieger
Aluno de Jornalismo

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O mercadinho fica bem em frente da casa onde Silva mora (Imagem/Randy Fusieger)

O mercadinho fica bem em frente da casa onde Silva mora (Imagem/Randy Fusieger)

Há mais de 30 anos instalado no Jardim Ipanema, zona leste de Maringá, o Mercado Santo Antônio carrega uma curiosidade conhecida por todo o bairro: nenhuma mercadoria ali é vendida a prazo. Os donos da venda, Antônio de Oliveira Silva, de 69 anos, e a mulher dele, Lourdes Pereira da Silva, de 65, chegaram ao bairro e compraram a casa em que moram, onde também funciona a mercearia, logo após a inauguração do conjunto habitacional. “Chegamos aqui bem no começo, quando o bairro estava sendo fundado. Compramos nossa casa e decidimos montar a mercearia para ganhar dinheiro”, conta Antônio Silva.

O curioso fato de não aceitarem o pagamento a não ser em dinheiro vem de outras experiências que o comerciante vivenciou antes de chegar a Maringá. “Nasci em Abatiá [a 221 quilômetros de Maringá] e morei em Juranda [a 165 quilômetros] antes de chegar aqui. Lá em Juranda já toquei bar, venda, frutaria. Já toquei de tudo, só não toquei hospital”, brinca. Ele revela que nenhuma mercadoria saiu de dentro do comércio sem antes ser paga em dinheiro. “É só no dinheiro. Não aceitamos cheque e nem cartão, não temos a maquininha [de cartão]”, relata.

Lourdes, mulher de Silva, ressalta que os dois já cogitaram a ideia de adquirir o equipamento para recebimento com cartões, mas os planos foram descartados, pois todo mundo já conhece o estabelecimento pela fama. “Aqui todo mundo compra à vista, quase ninguém pergunta se aceitamos cartão. [O aparelho] é só para dar trabalho para nós”, explica.

Já toquei bar, venda, frutaria. Já toquei de tudo, só não toquei hospital

A dona de casa Solange Souza dos Santos, 51 anos, compra na mercearia há mais de 20 e relata que nunca levou nada para casa sem antes pagar, em dinheiro, no caixa. “Não tenho cadastro aqui, por mais que conheço o Tonhão [como alguns fregueses o chamam] e a Lourdes. Nunca comprei a prazo, sempre trouxe dinheiro para pagar, senão, eles não vendem”, conta. Solange diz que o fato de sempre comprar à vista nunca foi impedimento para continuar fiel ao estabelecimento. “Nunca tive problemas com isso. Conheço muito os dois e concordo com eles. Se começa a vender ‘na notinha’, cria mau costume”, pontua.

O motorista e morador do bairro Willian Pires de Lima, de 39 anos, conta a história “dos tomates”, como ele se refere. “Uma vez, um morador aqui do bairro foi lá na mercearia do Antônio e comprou R$ 5 em tomates, mas tinha só R$ 3 no bolso. Para poder levar o produto para casa, o Antônio tirou de dentro da embalagem alguns tomates e, para dar o valor exato, cortou um deles no meio. Só depois disso o rapaz conseguiu levar o produto”, revela, rindo.

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