Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Crítica de Mídia | Edição #441 - 06/06/2016

Muita informação acaba em desinformação

A publicação do JMP sobre as negociações do Brasileirão apresentou apenas informações sobre um grupo negociador

Douglas Emiliano
Aluno de Jornalismo

Comentários
 
Imagem / Reprodução

Imagem / Reprodução

É inegável a quantidade de informações do artigo “O futebol será mais livre na TV a cabo”, publicado na edição 436ª do JMP (Jornal Matéria Prima). Porém, a publicação parece ignorar por completo o lado do Grupo Globo ao expor apenas os supostos benefícios que o Grupo Turner traria a transmissão do Brasileirão.

O maior equívoco foi dar um título com ênfase em algo impossível de acontecer. Por diversos fatores, as transmissões do Brasileirão, mesmo por grupo, continuariam seguindo o atual padrão. E não dá nem para dizer que foi um erro. Talvez o excesso de informações sobre a negociação do Grupo Turner tenha ofuscado o ponto de vista defendido no artigo.

Vale esclarecer aqui o que foi ocultado pelo JMP na ocasião. O Grupo Globo, atual detentor dos direitos do campeonato para a transmissão em TV a cabo, repassa para o clube o corresponde a 3% do total desembolsado com as cotas anuais de arrecadação. Os clubes receberam uma oferta conjunta de R$ 1,1 bilhão da Globo pelos direitos de transmissão de TV aberta e TV a cabo assim divididos: R$ 1 bilhão para aberta e R$ 100 milhões para o canal pago.

Também vale destacar que, ao contrário do informado no artigo do JMP, o valor do repasse não será de R$ 600 milhões para os clubes, pois o canal pretende dividir o valor total da seguinte forma: 50% de maneira igualitária, 25% de acordo com desempenho técnico e outros 25% a partir da audiência. Esse foi um pedido das equipes, que bateram o martelo também no total a ser dividido: cerca de R$ 600 milhões.

Dizer que o futebol será mais livre é um tanto quanto presunçoso. O JMP poderia ter destacado alguns privilégios, como o objetivo do Grupo Turner de fortalecer os times e o futebol brasileiro, o fim dos jogos às 22 horas e também o fim de privilégio de Corinthians e Flamengo no número de jogos exibidos pela TV.

Talvez o excesso de informações do Grupo Turner tenha afetado o artigo

Mesmo com esses benefícios, dizer que o futebol será livre é um tanto quanto contraditório, até porque os clubes continuaram presos, cada um a um grupo transmissor. Ao ler o artigo publicado no JMP o leitor é induzido a acreditar que tudo será melhor, porém para o torcedor pesa o fato de os clubes estarem divididos entre grupos, e isso pode resultar na não transmissão de alguns jogos.

De acordo com a Lei Pelé, uma emissora só pode transmitir uma partida sobre a qual tenha os direitos de transmissão de ambos os clubes. Ou seja, se o jogo for contra um time da outra emissora não poderá ser exibido por nenhum dos grupos. Onde estaria, então, a liberdade para o futebol brasileiro?

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

35.205 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.