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Cultura | Edição #444 - 27/06/2016

“Busco na música o que o mundo precisa: amor”

Henrique Cerqueira, nascido e criado na Cidade Canção, conquistou o Brasil com composições românticas divulgadas na internet

Douglas Emiliano
Aluno de Jornalismo

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Henrique Cerqueira está lançando o CD autoral “Amor e Ponto”  (Imagem/ Allan Nascimento)

Henrique Cerqueira está lançando o CD autoral “Amor e Ponto”
(Imagem/ Allan Nascimento)

Nascido e criado em Maringá, Henrique Cerqueira, 37 anos, é um múltiplo artista: compositor, cantor, violonista e designer.  Em 2006 as canções Pensando em você, Don Juan, Crime, Saudade e Não desista dos seus Sonhos caíram no gosto do público jovem da internet, com à antiga banda Pimentas do Reino, do qual foi integrante.

O sucesso foi tanto que várias dessas músicas foram gravadas por artistas consagrados como: Claudia Leitte (Pensando em Você, Don Juan, Quer Saber e Crime), Belo (Don Juan), Thiaguinho (Quer Saber) Gilmelandia (Saudade), Turma do Pagode (Pensando em você), Kleber Lucas (Não fuja de mim), Wiliam Nascimento (Don Juan) e Pâmela (Crime, Eu tô apaixonado e Romance com o céu).

De todas parcerias, Claudia Leitte é a de maior notoriedade na carreira de Henrique Cerqueira. Graças à artista ele ganhou reconhecimento nacional em 2007, além de participar de dois DVDs dela (Ver-te Mar e NegaLora).  Ao Jornal Matéria Prima, por e-mail, Henrique Cerqueira falou sobre a carreira e o quarto álbum, Amor e Ponto, que chega ao grande público quatro anos depois do último CD, Deus é Romântico, de 2012.

Como você vê o início da sua carreira como cantor, ainda em Maringá? O quão importante na sua vida foi esses momentos iniciais?
Meus pais sempre foram envolvidos com o louvor, costumavam cantar em casamentos. Meu pai encontrou um jeito muito lúdico de acordar a gente de manhã, ele colocava música e nos estimulavam a escutar música clássica, jazz, música brasileira e os Dinossauros do Gospel.  Fui estimulado pelo pastor Alcides Duque (na época, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana , em Maringá), com 17 anos, assim, nasceu o grupo de louvor Pimentinhas do Reino. Esses momentos foram fundamentais no início, sem meus pais, sem “meu pastor” inovador nessa estrada não haveria Claudia Leitte, Pimentas, música romântica, nada.

Sem dúvidas a internet tornou seu trabalho reconhecido por uma grande massa. No início você esperava essa repercussão?
Não esperava. Eu desconhecia completamente o que estava acontecendo nas mídias sociais a respeito do meu trabalho. Para falar a verdade, fui ter uma conta no Hotmail quando Claudinha ligou lá em casa.

As suas composições são totalmente intimistas e passa uma sensação de que tudo é muito real. Como você vê algo tão pessoal ser cantado por milhares de pessoas?
A maior parte das canções é baseada em fatos reais, sentimentos reais, pessoas reais e por isso, a sensação de realidade. Busco transcrever em forma de música não só o que sinto, mas também o que o mundo precisa, ou seja, amor. Conheço muita gente que investe alta quantia de dinheiro e tempo para consolidar sua carreira e não consegue. Dá muito trabalho e eu estudei para outra coisa. Já tive momentos de pensar em desistir, mas estou em pé até agora. Se não fossem os sinais d’Ele para continuar, eu nem tentaria. Quis que desse certo e eu tenho aceitado o desafio.

Em 2007 a música Pensando em Você estourou em todo Brasil em uma regravação pela Banda Babado Novo. O grupo era conhecido pelo ritmo baiano, isso o deixou receoso com essa regravação?
Eu praticamente nasci na igreja, e nós [igreja] temos uma mentalidade hermética. Pensamos que não podemos nos misturar, mas Jesus misturou-se e mudou o mundo. A banda Pimentas do Reino tinha acabado e eu estava orando por um direcionamento. Me perguntava: “eu deveria continuar a investir em música ou não?”. Então Claudia [Leitte] ligou em casa do nada. Eu não acreditei no começo, mas era ela. Achei estranho e fiquei na minha. Conversamos e ela contou-me que estava ajeitando a vida, se casou com o Márcio [Pedreira] por uma questão de fé, pois eram amasiados e deu pra perceber essa relação de família, ela ainda disse que amava Jesus e vi atitudes sinceras. No fim, tive paz.

Eu desconhecia completamente o que estava acontecendo nas mídias sociais

Sua aproximação de Claudia Leitte se deu com a regravação da música Pensando em Você e hoje você já participou de dois discos dela, e à define como “Anjo de Deus”. Como foi esse processo de aproximação com a artista?
Foi uma experiência louca. Ela ligou lá em casa, meses depois, e me mandou a passagem para assistir à gravação do DVD Ver-te Mar, em Salvador. Nunca há vi pessoalmente e do nada, no fim da gravação, me chamou no palco e cantamos juntos. Foi perfeito. Eu todo tímido e ela diva. Dividir o palco com ela foi um aprendizado em questão de produção. Claudia quer estar no topo sempre e é muito trabalhadora. E também tive a oportunidade de falar de Deus muitas vezes, para um grande número de pessoas, que talvez eu não teria o contato sem ela. Essa amizade ainda existe e sempre mando músicas para ela. Uma hora ela grava [risos]. Estou sonhando com um DVD meu e com certeza quero ter a honra da participação dela.

Suas músicas têm referências a Deus, e mesmo assim “quebraram a barreira do gospel” e se tornaram populares. Você acredita que isso causou a perda da essência ou apenas facilitou o entendimento da sua mensagem?
De maneira nenhuma há perda de essência, minha essência vem de Deus, vem do amor, da originalidade, da autenticidade e como diz uma de minhas músicas: “mas que seja feita a vontade de Deus, se Ele quiser então”. No gospel, por exemplo, tem muita regravação de música americana que vira a base na carreira do artista. Acho pouco criativo para quem se diz: conectado com o Espírito Santo. É um atalho muito usado na indústria secular há décadas. Música boa é boa, em qualquer língua, mas o foco está muitas vezes no lucro e é só uma cópia do padrão. Sem contar que existem algumas letras não “cristocêntricas”, com foco na teologia da prosperidade e na vingança do antigo testamento. Tenho fé que essa fase vai passar.

Você acaba de lançar o CD Amor e Ponto de forma independente, porém seu disco anterior Deus é Romântico foi lançado pela Som Livre. Hoje os números de vendagem mostram uma crise da indústria fonográfica, lançar um disco independente não é no mínimo arriscado?
Sim, com muita fé e criatividade, lancei o CD com recursos financeiros bem limitados. Lancei o primeiro clipe Carta Escondida, que está com uma aceitação muito boa nas redes sociais, acredito que as pessoas estão sedentas de romantismo sincero e relacionamentos de qualidade. Em relação à gravadora, preferi realizar esse trabalho com minha identidade, sem interferências. O meu estilo é um tanto quanto singular no Brasil, exige abordagens diferentes.

No CD Amor e Ponto você se define como um Henrique mais romântico do que nunca. Como foi o processo de criação do álbum? E a que se deve essa fase mais romântica?
Estou apaixonado por Deus e pela vida. Não preciso estar apaixonado por uma menina para fazer música, um desenho ou uma pintura. Isso me capacita a olhar para o mundo de uma forma mais realista, para o gênero feminino de uma forma que nunca havia visto antes. Essa forma de sentir a vida me deu inspiração para fazer esse projeto e os outros que estão a caminho.

E para finalizar o que o Henrique de hoje diria para o Henrique sonhador do início da carreira em Maringá?
Creia cegamente em Deus e pule de cabeça na visão que Ele te deu. Estude mais música e arte. Veja com seus próprios olhos, não deixe pessoas sem visão te influenciar. Aproveite as oportunidades. Cultive relacionamentos sinceros. Forme uma equipe entusiasmada e criativa. Você não vai fazer nada sozinho.

Henrique Cerqueira e Claudia Leitte juntos, gravando DVD (Imagem /Fábio Nunes)

Henrique Cerqueira e Claudia Leitte juntos, gravando DVD
(Imagem /Fábio Nunes)

 

Discussão e comentários »

2 comentários | Deixe seu comentário

Luana Brenda Flávia Costa disse:

Que legal saber que tem grandes talentos em Maringá!
Adoro Pensando em Você e quando vi o link no Mundo Leitte nem tinha noção que o compositor dessa música que adoro é da minha cidade natal

Gabriela Vieira disse:

Adorei a entrevista! Henrique é um fofo, super talentoso. Desejo ainda mais sucesso! Adoro as parcerias dele com a KK

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