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Crítica de Mídia | Edição #438 - 16/05/2016

Senso comum intensifica estereótipos

Artigo publicado no Jornal Matéria Prima é um exemplo do risco de opinar sem conhecer o assunto em questão

Christian Presa
Aluno de Jornalismo

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Imagem/Christian Presa

Em um contexto de globalização e o fluxo constante de opiniões, os jornalistas, com carta branca dos veículos, têm espaço ainda maior para se posicionarem acerca dos assuntos. No entanto, nem sempre o fazem de maneira responsável.

A edição 436ª do Jornal Matéria Prima trouxe o artigo “Quando o feminismo fere a liberdade dos outros”. Na publicação, a militância feminina é criticada e os protestos com exposição física são citados como responsáveis pela perda de foco do movimento feminista, justificando que tais práticas ferem a liberdade alheia.

Sintaticamente, o texto não apresenta erros. É conciso, objetivo e a opinião nele é explícita como deve ser. O problema, no entanto, é a evidente falta de conhecimento acerca do assunto retratado, principalmente quando reduz as causas do movimento a conclusões como “A nova cara do feminismo é a de querer causar”. Isso muito se opõe ao objetivo principal das mulheres: a luta pelo direito de não serem assediadas, estupradas e mortas.

O primeiro efeito negativo é a validação de uma ótica errônea e superficial do feminismo. O movimento, que já sofre resistência, perde ainda mais legitimidade, uma vez que o texto ajuda a reforçar um estereótipo machista da militância feminina como fútil, subversiva e com problematização exacerbada. Para a luta por igualdade de gênero, isso é mais que um retrocesso. É um desrespeito.

Um resultado ainda mais sério é a falta de credibilidade atribuída ao JMP pela publicação de um texto imerso em senso comum. A premissa básica de qualquer veículo jornalístico é propor a informação, reflexão e transcendência do público, e nada disso é possível após a leitura do artigo em questão.

Para a luta por igualdade de gênero, reforço de estereótipos é um desrespeito

Exemplos contrários podem ser encontrados em artigos do HuffPost Brasil e até no BuzzFeed. Ambos os veículos são cautelosos nas abordagens realizadas, mesmo quando não se tratam de assuntos necessariamente polêmicos. As opiniões dos jornalistas aparecem, mas são sempre fundamentadas em dados e informações consistentes.

É importante explicitar que a intenção aqui não é fazer apologia ao movimento feminista. A liberdade de expressão existe e é bem verídico que a humanidade só evolui a partir da pluralidade de pensamentos. No entanto, é primordial que a produção de conteúdo em qualquer contexto seja antecipada de pesquisa, não só para cumprir com o papel do jornalismo, mas para evitar fazer juízos de valor das causas alheias. Do contrário, é melhor abster-se. Sempre.

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