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Cidade | Edição #436 - 02/05/2016

Índios migram para vender ou estudar

A presença de indígenas nas cidades brasileiras não é um fenômeno recente e essa situação também é retratada em Maringá

Advaldo Filho
Estudante de Jornalismo

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Índios migram para vender ou estudar

Sentada sobre a calçada, índia expõe artesanato para a venda
(Imagem/ Acervo Assindi)

Não é difícil para quem anda pelo centro de Maringá, encontrar índios vendendo ou confeccionando cestos e balaios nos semáforos e calçadas da cidade. Com os mesmos direitos de ir e vir, eles podem transitar pela cidade, como qualquer cidadão. Mas a permanência desse grupo nos locais de grande circulação, nas condições em que se encontra, preocupa autoridades no assunto.

De acordo com a fundadora da Assindi (Associação Indigenista) de Maringá, Darcy Dias de Souza, 73 anos, a presença dos índios nos centros urbanos deve-se à necessidade de conseguir recursos, já que o tamanho das áreas indígenas é insuficiente para que produzam os alimentos que necessitam para a subsistência.

Conforme a secretária de Assistência Social e Cidadania do município, Rosa Maria Marques, 64 anos, a prefeitura tem acompanhado a população indígena presente nas ruas de Maringá. Segundo ela, por causa da diferença entre as culturas, os índios não aceitam os serviços oferecidos pelo município, tais como convivência, atendimento pela rede socioassistencial e casa de passagem. “Eles alegam que são itinerantes e que só vêm a Maringá para vender os artesanato, única fonte de recurso para o sustento deles.ˮ

Ela diz que quando se relaciona a questão das crianças indígenas nas ruas, fora do recinto escolar, a sociedade vê a situação como algo vulnerável porque elas ficam expostas a riscos e à mendicância. Daí o choque cultural, pois, diferentemente do que pensa a maioria, os índios consideram que acompanhadas dos pais, as crianças não estão esmolando, e sim aprendendo a fazer e a vender os artesanato.

As políticas educacionais têm  contexto intercultural, mas caminham a pequenos passos

Para a antropóloga responsável pelo suporte técnico dos projetos da Assindi, Driéli Vieira, 30 anos, há tempos os chamados índios urbanos fazem parte da realidade brasileira. Por isso, ela explica que os resultados das políticas educacionais indígenas, apesar de implementadas, são de médio e longo prazos. “Na verdade as políticas educacionais têm contexto intercultural, mas têm caminhado a pequenos e demorados passos.”

Driéli relata que existe na associação um projeto mantido parceria com a UEM (Universidade Estadual de Maringá) , pelo qual os indígenas aprovados no vestibular da instituição têm a possibilidade de morar na entidade junto com as suas famílias. “Hoje abrigamos cinco famílias, quatro da etnia guarani e uma família com estudante universitário kaingang.”

Discussão e comentários »

2 comentários | Deixe seu comentário

Rita Porto disse:

O choque cultural sempre existirá nesse contexto, nada mudará cada um tem sua cultura, cada um tem seu jeito de viver. Algumas ocasiões os índios terão que aderir algumas práticas que nós da sociedade fazemos, pelo simples fato de que a sociedade capitalista e as condições em que vivem, irá os impor a essas situações de migrações para os grandes centros seja para vender ou seja para estudar. Aproveitando essa situação também menciono referente a enquete ao lado, que jamais as políticas socioeducacionais voltadas para os índios irão funcionar, pois o que nós da sociedade achamos ser uma “coisa”, eles com a cultura deles acham totalmente outra!
Por fim faço um convite para curtir minha Fanpage Índios do Brasil, no facebook, que já está chegando a 20 mil curtidas

Olá sou o Flávio Bittencourt, sou do Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro Jacarepaguá e apoio um projeto denominado Mobilização Nacional Indígena, muitas vezes abordamos essa situação retratada em sua cidade, em pesquisa Maringá, fica situada no Paraná certo? Sendo assim também averiguei a quantidade de Reservas nesse Estado e vi que de acordo com a Funai, hoje em dia existem mais de 16 Reservas. O Conteúdo desta matéria esta muito bem elaborado, e concordo absolutamente com o que a Fundadora da organização relata em determinado fragmento da matéria onde diz que atualmente, as terras indígenas não possuem tanta riqueza para produção como existia antigamente, os mesmo sempre estão sujeitos à precariedade, as doenças, a falta de alimento, vestimentas, moradia e outras questões. No entanto se veem obrigados a se deslocarem a civilização para obter dinheiro para subsistência, já que muita das vezes as terras onde vivem são impróprias para produção e cultivo de alimentos. De fato esse é o grande fator a precariedade.
Flávio Bittencourt

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