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Esporte | Edição #437 - 09/05/2016

A violência no futebol precisa de ação política

Desde 2010, 123 pessoas morreram em confronto de torcidas; a maioria das mortes envolveu grupos organizados

Camila Lucio
Aluna de Jornalismo

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Polícia detém integrante de torcida organizada em São Paulo

Polícia detém integrante de torcida organizada em São Paulo (Daniel Mello / Agência Brasil)

O Brasil lidera em número de mortes causadas por conflitos de torcidas organizadas de futebol. De 2010 a 2014, foram registradas 94 mortes envolvendo torcedores. Ano passado, 24 pessoas morreram, 15 ligadas a grupos organizados. De janeiro até abril deste ano já são cinco mortes. Os números assustam, porém as medidas para conter toda essa violência não têm surtido efeito.

A Inglaterra vivenciou uma situação pior que a do Brasil. Em 1985, 39 torcedores da Juventus (Itália) morreram em confronto com torcedores do Liverpool, em um jogo da Copa dos Campeões da Europa, em Bruxelas (Bélgica). A violência dos torcedores ingleses , conhecidos como hooligans, resultou na expulsão das duas equipes das competições europeias por cinco anos.

A situação foi piorando até 1989, quando ocorreu a maior tragédia. Por conta da superlotação do estádio, 96 torcedores morreram esmagados contra as grades de proteção na final da Copa da Inglaterra. Para solucionar o problema foram feitas reformas nos estádios e instituída uma política de prevenção da violência , interministerial, entre governos e clubes.

Na Inglaterra, mesmo que tenha violência, tem punição, diferentemente do Brasil

Hoje na Inglaterra o torcedor que for pego brigando, recebe uma Ordem de Banimento do Futebol (FBO, sigla em inglês), sendo obrigado a ficar de três a dez anos sem frequentar estádios. Para que a lei seja cumprida, em dias de jogos do time, esse mesmo indivíduo tem que ficar na delegacia. E quando a seleção inglesa atua fora do país, ele é obrigado a entregar o passaporte cinco dias antes do jogo. Caso não seja cumprida a lei, o cidadão é preso e processado. Portanto, na Inglaterra, mesmo que tenha violência, tem punição, diferentemente do Brasil.

Segundo Maurício  Murad, sociólogo e pesquisador da violência no futebol brasileiro, por aqui a impunidade é alta. Ele revela que em 2014, apenas 3% dos torcedores que causaram conflitos foram punidos.

Após um inocente ter sido morto em confronto entre torcedores corintianos e palmeirenses, no início de abril, o governo de São Paulo anunciou que os clássicos no Estado terão torcida única. Medida que já foi tomada há um tempo, mas que não solucionou o problema, até porque 80% dos casos da violência ocorreram fora dos estádios.

Não adianta fazer cadastramento de torcedores, proibir torcidas organizadas e torcida única, como já foi feito. É necessário, primeiramente, punir. Depois, promover mudanças na segurança dos estádios. Na parte interna ficariam os seguranças privados e do lado de fora a Polícia Militar. A violência no futebol precisa de ações políticas, que envolvam tanto o poder público como os clubes.

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