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Esporte | Edição #435 - 25/04/2016

“Buscamos quebrar tabus e preconceitos”

Maringá promove no fim de maio a primeira Liga LGBT de Vôlei; quem explica o evento é o estudante Hugo Farias

Juliana Nicolini
Aluna de Jornalismo

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Hugo Farias é um dos organizadores da 1ª Liga LGBT de Vôlei (Imagem/Juliana Nicolini)

Hugo Farias é um dos organizadores da 1ª Liga LGBT de Vôlei
(Imagem/Juliana Nicolini)

Hugo Farias, 21 , é estudante de educação física na Faculdade Metropolitana de Maringá (Famma) e organizador da primeira Liga LGBT de Volêi da cidade. Amantes do esporte, Hugo e os amigos Alexandre Santos, 31, e João Vieira, 20 , decidiram criar uma liga para lésbicas, gays,bissexuais, travestis, transsexuais e transgêneros para que as pessoas desse grupo possam se unir mais e lutar contra o preconceito que ainda existe contra relações homoafetivas. Os jogos da liga ocorrem em maio e junho, dias 28, 29, 4 e 5. Os locais onde vão ser realizados os jogos ainda serão definidos e a inscrição para participar da liga custa R$ 280. Cada jogador deve doar um litro de leite. Aqueles que quiserem assistir aos jogos devem pagar R$ 5 meia entrada (estudante) e R$ 10 a inteira, além de levar um quilo de alimento. Os alimentos e o leite vão ser doados para a Rede Feminina de Combate ao Câncer, entidade que apoia o evento. Hugo Farias, conversou com o Jornal Matéria Prima (JMP) sobre o projeto:

Quais os principais objetivos de uma liga exclusivamente para LGBT?
Queríamos realmente quebrar tabus e preconceitos. Como Maringá é uma cidade bastante LGBT, tem um grande público para esse evento. Queremos trazer um esporte diferenciado para a cidade e unir as pessoas desse grupo específico. Devo dizer que a Liga LGBT já existe, ocorre em Manaus desde a ditadura, então a ideia não foi nossa, mas decidimos trazer para cá e adaptar com base na nossa cidade.

Aqui em Maringá a comunidade LGBT é muito grande. Quantas pessoas se inscreveram até agora para a liga?
Até agora já se formaram quatro times com jogadores  de Maringá, de Lobato (distante 60 km) e de Umuarama (166 km). Cada time deve ter entre 8 a 12 jogadores. Como estamos com parceria com a Secretaria de Esporte do Estado do Paraná, muito provavelmente venham pessoas de cidades mais distantes, como Londrina (100 km) e Curitiba (426 km). Quanto mais pessoas vierem, melhor para que ocorra a liga, já que, com isso, formam mais times e acontecem mais jogos. Ninguém quer se inscrever em uma liga para competir apenas dois jogos ir embora. Como os times podem ser mistos, esperamos também que mais pessoas tenham interesse. E se algum heterossexual quiser participar, pode também. Cada time pode ter até dois heterossexuais participando. As inscrições vão até dia 30 de abril.

Um dos esportes mais conhecidos no Brasil é o futebol, mas sabemos que o interesse dos brasileiros pelo vôlei também é grande. Por que a escolha desse esporte?
Todos os organizadores se conheceram através desse esporte e temos uma certa paixão pelo vôlei. Com isso, acabamos tendo bastante contato com pessoas da área que, inclusive, são homossexuais. Sabemos também que em times profissionais de vôlei, inclusive na seleção brasileira, há jogadores homossexuais, então queríamos reforçar isso.

Você acredita que a revelação e participação de homossexuais nos Jogos Olímpicos contribui para a queda do preconceito?
Na verdade não há muita diferença, pois como são atletas federados não sabemos muito da vida pessoal deles. Talvez, se a federação não cobrasse muito que fossem tão reservados, acredito que seria mais divulgado o  LGBT participando desses megaeventos. Como o que faz a sociedade é a mídia, se fosse mais divulgado as pessoas repensariam sobre esse preconceito.

Você falou de algumas parcerias e apoio que conseguiram de empresas. Quais empresas estão apoiando e como vão contribuir com a liga?
Conseguimos poucos patrocínios por ser o primeiro evento e para um público LGBT. Fomos de porta em porta atrás de apoio e recebemos diversos “não”, mas conseguimos com algumas empresas, Por exemplo a empresa de refrigerantes “Refriko” e a empresa de energéticos “Furioso” vão oferecer uma degustação dos produtos deles para o público e vão distribuir refrigerantes e energéticos aos jogadores. Conseguimos patrocínio também com a “Enjoy Consultorias”, que está divulgando nosso evento. E, principalmente, conseguimos apoio da “Rede Feminina de Combate ao Câncer”,  para a qual vamos fazer doações de alimento e comida.

Se tivermos oportunidade faremos para outros grupos que sofrem preconceitos

Como você mencionou, outra liga LGBT já ocorre em Manaus mas esta é a primeira que vai acontecer no Paraná. Há interesse em expandir esse evento, fazendo outras edições e levando para outras regiões do Estado?
Já recebemos proposta para ministrar a segunda liga em Londrina. Inclusive, quando começamos a desenvolver o projeto, outros prefeitos de cidades vizinhas nos disseram que têm interesse em ter esse evento na cidade deles também. Isso nos deu mais ânimo para prosseguir com o projeto. Pretendemos continuar e quem sabe, se tivermos oportunidade faremos para outros grupos que também sofrem preconceitos. Se tivermos oportunidade faremos para outros grupos que sofrem preconceitos.

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Um comentário | Deixe seu comentário

Tayna disse:

Parabéns Juliana pela matéria, e a todos que vão participar desse evento
Super apoio !!

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