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Crítica de Mídia | Edição #431 - 09/11/2015

Jornalismo superficial desponta no Enem

Atraso dos candidatos serviu de pauta para portais de notícia e tornou-se um festival de vergonha alheia

Ademir Freitas
Aluno de Jornalismo

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aconteceu em outubro em todo o território brasileiro. A imprensa, como de costume, estava lá para cobrir a realização das provas em frente às escolas e instituições. No entanto, o foco de alguns portais de notícias, como o G1 e UOL, pareceu mudar na medida em que os estudantes chegavam atrasados. O que deveria ser informação tornou-se um festival de vergonha alheia.

O Enem é o requisito básico para candidatar-se a uma vaga nos cursos de graduação, realizado em todo o território nacional todos os anos. A cobertura do exame neste ano ganhou proporções especiais nos sites de notícia: o atraso dos candidatos virou motivo de piada na internet – quase sempre sustentada pelo péssimo jornalismo das grandes mídias. Casos como o do padeiro Araújo da Silva, 39, que se atrasou por não conseguir liberação do trabalho, serviram como um bom exemplo de cobertura rasa e despreocupada com a verdade. O atraso do padeiro não virou manchete pela história dele, e sim pela vestimenta ainda suja de farinha e a expressão abatida e triste no rosto.

Em tempos de redes sociais, a internet não poupou os atrasados e, influenciada pela repercussão das notícias repercutidas, protagonizou “memes” e estimulou o festival de risadas e desdém àqueles que não chegaram a tempo para a realização da prova.

O jornalismo das redes sociais está preocupado com o entretenimento barato

O portal de notícias G1 publicou a reportagem abordando os inúmeros casos pelo Brasil sem qualquer sensibilidade, enquanto o UOL abordou da mesma forma sem aprofundar os motivos que levaram os estudantes a perderem o horário das avaliações. De acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, Capítulo 2, artigo 8º, é dever do profissional de comunicação respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão.

O jornalismo na era das redes sociais está preocupado com o entretenimento barato, utilizando-se de notícias importantes para viralizar conteúdo on-line. Não devemos nos entregar a esse tipo de pauta, afinal, o papel do profissional é encontrar a melhor forma de informar os leitores de maneira imparcial e completa.

A partir da notícia, a internet criou “memes” com a situação dos estudantes (Reprodução/Capa do Jornal Extra)

A partir da notícia, a internet criou “memes” com a situação dos estudantes
(Reprodução/Capa do Jornal Extra)

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