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Segurança | Edição #430 - 02/11/2015

Geração condomínio esquece as diferenças

A criação de áreas de convivência fechadas pode fazer as pessoas não se importarem com os problemas dos outros

Alessandro Alves
Aluno de Jornalismo

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Condomínios, segregação social, luxo por trás dos muros Foto/ Alessandro Alves

Condomínios, segregação social, luxo por trás dos muros
Foto/ Alessandro Alves

O surgimento de condomínios residenciais começou junto ao fenômeno de descentralização na década de 1960. Condomínios horizontais reconfiguraram a cidade de São Paulo, gerando dispersão urbana inédita no país, que tinha como modelo o centro rico e a periferia pobre. Todas as atividades econômicas e culturais aconteciam próximo das casas da elite.

Segundo o Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inespar), existem cerca de 1.300 condomínios, entre residenciais, comerciais e mistos somente em Maringá.  Morar em condomínios tornou-se mais seguro para algumas pessoas, mas o problema é que a opção por esse tipo de convivência leva à diminuição dos espaços públicos, onde as pessoas estariam constantemente em contato com as diferenças. Jovens que moram em comunidades cercadas de muros não têm conhecimento do que acontece do lado fora. São menos tolerantes e têm medo de quem não é do mesmo perfil social.

Diante de uma sociedade como a nossa, tida como democrática, as pessoas com mais dinheiro tem, sim, o direito de construírem o próprio conforto. Mas ao se fecharem em casa ficam mais individualistas, preocupadas apenas com a própria segurança. Sabem que existem os problemas e as contradições na sociedade, mas não precisam se preocupar porque se sentem mais protegidas.

Quando nos protegemos de mais, acabamos nos esquecendo dos espaços públicos

No livro Cidade de Muros, 2000, Teresa Pires do Rio Caldeira diz que as tecnologias de segurança são usadas para criar espaços urbanos e segregação social. E que a elite está se recolhendo em ambientes privados cada vez mais controlados, deixando o espaço público para os pobres.

É preciso mais investimento em segurança nos espaços públicos, porque condomínio não é espaço onde as desigualdades serão vistas ou que a igualdade será respeitada. Não é espaço, porque a sociedade não é igual. Quando nos protegemos demais, acabamos nos esquecendo dos espaços públicos e das diferenças existentes na cidade.

Estar seguro e livre da violência é bom, mas é preciso pensar a cidade como um todo. E não é morando em um condomínio que haverá preocupação desse todo com os problemas dos bairros, com as ruas cheias de buracos e/ou a falta de iluminação pública.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Diego Mabel disse:

Boa discussão Alessandro. Estar presente no meio social te torna sociedade. Estar em um condomínio fora das relações interpessoais te torna o que?

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