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Esporte | Edição #430 - 02/11/2015

“É mais fácil ensinar a regra do que o sangue no olho”

Bruno Hideki Miyasaki, 24 anos, é engenheiro civil, mas aos fins de semana troca as construções pelo futebol americano

Lucas Schimmack
Aluno de Jornalismo

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O futebol americano não é o esporte mais conhecido entre os brasileiros. Às vezes taxado de violento, às vezes confuso por ter muitas regras e posições em funções totalmente diferentes. Entretanto, é um esporte que cresce no gosto do brasileiro, cresce tanto que o Brasil teve a segunda maior audiência na TV para o Super Bowl XLIX no mundo, atrás dos EUA, obviamente.

Esse crescimento se reflete também entre praticantes de esporte. Ainda que seja amador, há dois campeonatos de destaque nacional, o Campeonato Brasileiro, organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), e o Torneio Touchdown (TTD). Além dos campeonatos nacionais, há os regionais. E no Paraná há o Campeonato Paranaense, com maioria de times de Curitiba.

Maringá também tem um representante no futebol da bola oval, o Maringá Pyros. Comandados pelo treinador e principal jogador, Bruno Hideki Miyasaki, 24, que recebeu a equipe do Jornal Matéria Prima (JMP) no escritório dele e concedeu a entrevista a seguir.

Bruno Miyasaki (esq), treinador e quarterback do Maringá Pyros (foto: Lucas Schimmack)

Bruno Miyasaki (esq), treinador e quarterback do Maringá Pyros (foto: Lucas Schimmack)

Como é jogar futebol americano, sabendo que ainda há preconceito de pessoas que acham que é um jogo violento?
Não é facil. Primeiro por ter esse preconceito e não tem o incentivo, como o futebol normal tem ou outros esportes. E por não ter incentivo, os próprios jogadores têm que bancar o esporte, as viagens, os equipamentos e essas coisas. Nós mesmos que compramos. É mais a falta de incentivo que o preconceito, até porque está começando a ter muitos interessados em acompanhar o esporte.

No ano passado, o time estava sendo treinado por um técnico americano, Johnny Mitchell. O que ele fez de bom para o time?
Ele implantou uma nova filosofia. Além da téecnica e da tática, o maior legado do Johnny foi a mente de um cara que jogou isso a vida inteira e ganhou para jogar, chegou a jogar na NFL[National Football League, em inglês], o que é outro nivel para a gente. Ele tem um conhecimento muito maior do esporte do que a gente já tinha. Ele moldou nossa cabeça para entender melhor o esporte.

Você falou da falta de incentivo, mas o time tem a parceria com a Opção Imóveis. Como foi conseguir a parceria e como isso ajuda o time?
A gente conseguiu a parceria ano passado. E foi a melhor coisa que aconteceu, porque com a Opção a gente conseguiu participar do campeonato paranaense, ir para Curitiba e, por influência deles a gente jogou duas vezes no [Estádio] Willie Davids. Eles trouxeram o Johnny [Mitchell] de Curitiba para cá e deram essa experiência para a gente.

A equipe demorou a fazer a primeira partida full pads [equipamentos completos]. Já ano passado, ficaram em quarto no paranaense, e este ano em sexto. Qual a projeção do time para as próximas competições?
A gente está treinando firme e forte. Até porque a temporada é curta e a intertemporada é longa, são seis, sete jogos na temporada. Temos que treinar bastante e entrar para competir e tentar voltar a ser quarto ou até ser terceiro, segundo ou primeiro.

Até o momento, o time só disputa o Campeonato Paranaense. A equipe tem intenção de disputar o Campeonato Brasileiro?
Temos, para o ano que vem, o planejamento financeiro para disputarmos, sim.  O principal problema é o financeiro, mas queremos disputar o brasileiro, sim, e dar maior visibilidade para o time.

Vocês estavam usando outros campos além do Willie Davids, como o Buracão e o Centro Esportivo de Iguatemi. Vocês pretendem mandar mais jogos no Willie Davids e sonham jogar com o estádio cheio para um jogo do Pyros?
Com certeza.  A gente só jogou em estádio regional e local. Jogamos também em Apucarana [63 km de Maringá] porque o Willie Davids é focado no Maringá Futebol Clube, então é muito difícil conseguir para a gente. Até porque o futebol americano exige as marcações das linhas, as jardas. Aí acaba dando prioridade para o futebol. Mas a gente espera conseguir jogar mais vezes lá e chamar o público e encher o estádio.

A equipe faz muitas ações sociais. Frequentemente há doação de sangue dos jogadores e arrecadação de alimentos. Em que isso ajuda a equipe?Somos uma associação sem fins lucrativos. Visamos mais isso do que só jogar. A gente sempre fala isso para nossos atletas, para darmos alguma coisa em troca para a comunidade. Outro dia a gente foi na Socpam [Sociedade Protetora dos Animais de Maringá] e demos banho nos cachorros. E tudo que a gente puder ajudar nossa comunidade a gente ajuda. E é importante para nossos atletas se formarem como cidadãos, não só como jogadores.

Somos uma associação sem fins lucrativos. Visamos mais isso do que só jogar

Regularmente a equipe realiza try outs (peneira) para recrutar novos atletas. Como é o trabalho com quem chega sem saber nada do esporte?
Os try outs são para isso mesmo. São para aquelas pessoas que não sabem mesmo. Nós não avaliamos se o cara sabe ou não. Mas dá para ver só pelo try out se a pessoa vai se dar bem no futebol americano ou não. Querendo ou não, requer muito espírito, força de vontade e garra. Naqueles exercícios a gente avalia se o cara tem ou não tem. É mais fácil ensinar a regra para quem não sabe do que um cara que sabe a regra e não tem sangue no olho. Isso a gente não tem como ensinar.

Treino da equipe no Museu Dinamico Interdisiplinar da UEM (Foto:Lucas Schimmack)

Treino da equipe no Museu Dinamico Interdisiplinar da UEM (Foto:Lucas Schimmack)

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Um comentário | Deixe seu comentário

Muito boa a reportagem!
Boa sorte para o Pyros na temporada 2016!

Abraço
Junior Bellafronte – MLB Londrina Bristlebacks

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