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Saúde | Edição #427 - 05/10/2015

Mais “cinco minutinhos” não é preguiça

Horário exigido pela vida moderna não é adequado ao ciclo circadiano, o que afeta a produtividade e a saúde

Angélica Nogaroto
Aluna de Jornalismo

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“Deus ajuda a quem cedo madruga.” O ditado é antigo, mas é capaz de irritar aqueles que sofrem com a “tortura” de levantar cedo e ainda ouvir isso, como argumento para tal violência, de quem acha que tudo não passa de preguiça.

O investigador do Instituto do Sono e da Neurociência Circadiana (período sobre o qual se baseia o ciclo biológico do corpo, influenciado pela luz solar) da Universidade de Oxford, Paul Kelley, defendeu em conferência, no início do mês de setembro deste ano, que as pessoas com menos de 50 anos deveriam começar a rotina de trabalho a partir das 10h. De acordo com estudos, crianças de 10 anos acordam naturalmente por volta das 6h30, enquanto entre pessoas com 18 anos acordar sem a ajuda do despertador pode se arrastar até as 9h. Esses cidadãos só voltam ao ritmo da infância após os 50 anos.

No Brasil, o sono é responsável por 42% dos acidentes de trânsito

A privação do sono tem influência na saúde. Doenças como estresse, obesidade, diabetes, depressão, hipertensão, distúrbios mentais, entre outras, podem ser desencadeadas pela má qualidade das horas dormidas, inclusive acidentes de trabalho.

Porém as pressões sociais e de trabalho acabam forçando a interrupção do ciclo circadiano. E antes que digam que ir para a cama mais cedo resolve, o pesquisador responde: “um alarme tocar às 7 da manhã para adolescentes mais velhos é equivalente a um alarme às 4h30 para um professor de 50 anos”.

Pode até parecer bobeira, mas respeitar o ritmo circadiano é tão importante que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos publicou um relatório em agosto, também deste ano, recomendando que as aulas comecem a partir das 8h30.

A mudança da sociedade em relação a exigência de iniciar as rotinas diárias tão cedo pode influenciar não só na saúde individual, na produtividade profissional e educacional, mas na economia. De acordo com o pesquisador do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional Especializada, Lallukka Said, dormir de sete a oito horas por noite está associado ao menor risco de afastamento do trabalho.

Por exemplo, nos Estados Unidos, o custo de acidentes relacionados a sono pode chegar a US$ 56,02 bilhões. Acidentes relacionados ao trabalho causados por sonolência custam algo em torno dos US$ 24,7 bilhões.

No Brasil, segundo o Departamento de Medicina Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o sono é responsável por 42% dos acidentes de trânsito. No trabalho, segundo a Fundação Nacional do Sono (Fundasono), funcionários que não dormem bem correm 700% mais riscos de sofrerem acidentes de trabalho. Com isso, as empresas têm 60% mais gastos com a saúde dos funcionários insones.

Pequenas mudanças podem trazer benefícios à médio prazo. Programas promovidos pelo Governo à grandes empresas incentivando as sonecas após o almoço, as chamadas sestas, no próprio local de trabalho com lugares propícios, é um começo para melhorar a produtividade dos funcionários aqui no Brasil. Outra forma de melhorar a qualidade do sono é incentivar as empresas, como o comércio, a iniciar a jornada de trabalho a partir das 9h.

Atrasar o horário de acordar aumenta a produtibilidade social (Foto:Pixabay/Domínio Público)

Atrasar o horário de acordar aumenta a produtibilidade social (Foto:Pixabay/Domínio Público)

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