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Crítica de Mídia | Edição #426 - 21/09/2015

Somos todos uns “filhinhos da pauta”

Repórteres do Jornal Matéria Prima deixam a curiosidade de lado e acabam perdendo histórias extraordinárias

Maria Eduarda Martins
Aluna de Jornalismo

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Montagem sobre imagem/Maria Eduarda Martins

“Curiosidade. Apenas curiosidade. Se você é uma pessoa interessada. Esse é todo o treinamento que precisa para começar.” Foi a resposta do jornalista âncora da CNN (Cable News Network), Jonathan Mann, ao ser questionado sobre o que é preciso para ser jornalista. A curiosidade é característica crucial do jornalista. Afinal, ler se torna hábito, escrever se aprende, mas a curiosidade… essa nasce com cada jornalista. Para os futuros jornalistas do Jornal Matéria Prima (JMP) às vezes falta essa qualidade essencial, seguindo rigorosamente a pauta e, assim, muitas vezes, deixando histórias extraordinárias sem contar.

A tarefa de analisar as reportagens a partir do que poderia ter sido dito e não foi é uma tarefa árdua e, de certa forma, subjetiva, pois o que está em observação é justamente o que não foi dito. São nas reportagens de bairro e nas entrevistas que é mais visível a falta de interesse, vontade de ouvir, de buscar a melhor história que alguém possa contar. Pessoas comuns têm histórias inacreditáveis, mas muitas vezes não sabem disso, cabe ao repórter extraí-las.

Segundo o autor do livro Teorias e Técnicas do Jornalismo e da Comunicação (2013), Bruno Barros Barreira, a pauta não é fixa, pois os assuntos que serão analisados podem assumir outros contornos ou, até mesmo, derrubar a pauta. “A pauta ‘cai’ quando por algum motivo não seja possível cumpri-la, quando é substituído por algum acontecimento de maior interesse.”

Na edição 419°, do JMP, a reportagem “Pioneiro tornou ‘raspadinhas’ tradição” contou a história de Alair Arengue, 66, um autônomo que vende raspadinhas e doces na cidade. Ao final do texto me perguntei: “Qual é a história desse casal?”, “Eles têm filhos?”, “Eles conseguiram oferecer uma vida de qualidade para esses filhos?”.

Pessoas comuns têm histórias inacreditáveis e cabe ao repórter extraí-las

Por que os repórteres do JMP sempre seguem a pauta, sempre escrevem sobre o básico, focam na primeira narração do personagem e deixam de lado algumas peripécias da vida cotidiana? Talvez seja a comodidade ou, pela pressa de cumprir uma tarefa e até mesmo a expectativa de ouvir o que já está pautado, não se ouve livremente, não presta atenção nos caminhos que foram tomados para chegar à história pautada.  O Jornal Matéria Prima é um laboratório. É hora de experimentar e, se for preciso, errar. Devemos pensar: Como os outros jornais contariam? Como eu posso contar diferente?

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