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Literatura | Edição #425 - 14/09/2015

Não dá pra viver na inquietação do vazio sem ideal

Em meio a perdas dolorosas, corrosivas, amarguradas e agonizantes, cá estou com a pior que poderia me ocorrer

Nayara Sakamoto
Aluna de Jornalismo

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instagram_com_bcc33b73Sempre pensei que pessoas preparadas para os piores traumas são sempre as que superam mais rápido. Pelo visto, enganei-me. Há anos adotei essa estratégia de pensar quais poderiam ser as piores perdas que alguém poderia sofrer. Meus pensamentos foram longe, graças à característica que herdei do meu pai biológico, como diz minha mãe.

E por falar em mãe…está perda certamente revirou meu hipocampo com o brilho da amígdala. Depois, tentei imaginar o quão doloroso deve ser a perda do automóvel que Nando Reis diz torna-se lembrança. Tenho de concordar com Nando, quem armazena é computador. A nós, só nos sobram lembranças.

Dias bem vividos, outros nem tanto. É dessa vida “chove não molha” que sempre escapei do martírio vazio com meus fiéis ideais. Eu os tinha com tamanha intensidade que sempre supriram todas as faltas e indagações existenciais. Minha filosofia de vida supria aquele cachorro que eu sempre quis, mas nunca pude ter. Ou, então, a bike do momento que meus pais, sabe lá o por quê, mas não foi por grana, não quiseram comprar.

Que ser “zen” 24 horas me cansava e minha alma gritava por liberdade de expressão

A verdade é que eu nunca gostei de pedir nada. Absolutamente nada. Por favor, não imagine que fui uma criança mimada e, na juventude, rebelde sem causa. Sempre gostei de jogar no time dos que agradecem porque os “pidonchos” são um saco. Porém, hoje, pego-me fazendo aquilo que detesto: pedir.

Pedir depois que perdi. Tamanha ironia a vida me aprontou. Lá se foi a minha filosofia de “calma, Nay. Tudo passa”. Adotei-a para os piores e os melhores momentos, buscando sempre o equilíbrio e consegui sucesso. Não sei se “tudo que é bom acaba”, mas minha filosofia acabou. Dei-me conta de que precisava viver, ao menos uma vez, no extremo. Que ser “zen” 24 horas me cansava e minha alma gritava por liberdade de expressão.

Libertei-me. Hoje, vivo no vazio inquieto d’alma que sangra como a hóstia da última ceia. Como sobrevivo? Clamando por amor puro, aquele que tudo supera, tudo suporta, tudo constrói. Mas, ainda suplico por um ideal, porque não aprendi a viver confortável sem. Alguém me ajuda?

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