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Literatura | Edição #426 - 21/09/2015

Na nossa guerra, em nome do amor, mataremos o sono

Dormir com a cama inteira para você é apaziguante, mas os desconfortos de dividi-la podem ser experiências magníficas

Nayara Sakamoto
Aluna de Jornalismo

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Foto: Camila Mendes

Foto: Camila Mendes

Não há nada como compartilhar as preciosas horas de sono após um dia cansativo. Realmente, isso deve ser prova de amor. Após nos organizarmos, ou quase, porque alguém sempre fica com a menor parte da cama, começa a primeira batalha. O edredom maior que o tamanho de duas camas, subitamente, acanha-se como uma menina indefesa e alguém, não muito contente, fica metade descoberto.

Puxa dali, puxa daqui. Apalpa o travesseiro. Apalpa mais um pouco. Pronto. Agora está ideal para deitar. Você fecha os olhos e começa a calcular as horas de sono até o momento do impertinente despertador cantarolar o som agonizante.De repente, é atrapalhado pelo Sem Sono.

Você viu que o Eddie Redmayne vai protagonizar a Lili em “Garota Dinamarquesa”?

Hum, vi sim. Estreia ano que vem, não é?


O “não é” não teve um pingo de interesse em ser respondido, mas para soar interessado, o Com Sono questionou. De cara, vi que vai dar conflito, pois alguma hora o Sem Sono vai perder a linha dos assuntos, porque não existe mais o feedback do Com Sono.

Pele na pele e imperfeição na imperfeição. Isso vai além de dormir com alguém

Quando o Sem Sono resolve, finalmente, ajeitar-se para dormir, o Com Sono já está em “sono de beleza”, deturpado pelos movimentos que a mola do colchão insiste em dançar com a inquietação do outro. Quando tudo acalma…um dos dois da tremeliques espantosos que faz o outro querer discar 192 e chamar o Samu só para chegar se está tudo bem. Obviamente, os tremeliques são da pessoa que estava metade descoberta.

No apogeu caloroso daquele que se cobriu até o pescoço…eis que surge a tentativa de lançar pernas e braços para fora da cama, já que transpirou como alguém que fez sauna no Vale da Morte. Nessa hora, qualquer possibilidade de mudança na temperatura gera discórdia. Ar-condicionado e ventiladores viram Palmeiras e Corinthians no pequeno ninho de amor.

Após a Odisseia na cama, os corpos aconchegam-se mesmo com o suor, com os tremeliques e com a respiração da pessoinha amada que alcança 5,7 na escala Richter. Toca o impertinente. O som é, de fato, agonizante. Você acorda odiando a vida, mas agradece por olhar ao lado e ver que aquela pessoa ainda está ali. Pele na pele e imperfeição na imperfeição. Isso vai além de apenas dormir com alguém.

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