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Literatura | Edição #426 - 21/09/2015

A aterrorizante chegada da segunda-feira

Domingo vai, domingo vem e, com ele, a depressão; nada é mais difícil do que se despedir do fim de semana

Ana Carolina Prado
Aluna de Jornalismo

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O tempo fechando é sinal que a segunda-feira está chegando (Foto: Shutterstock)

O tempo fechando é sinal que a segunda-feira está chegando (Foto: Shutterstock)

Domingo, quatro da tarde. Acordo e começo a preparação para a tão “querida e esperada” segunda-feira. Almoço, deito-me no sofá e começo a trocar o canal da TV como se estivesse prestando atenção no que estou fazendo. Depois de muito procurar, deixo no programa daquele cara que a cada três palavras solta um “Ôh louco, bicho” e xingo, mais uma vez, a programação dominical brasileira. Decido assistir a um filme, faço pipoca e só me dou conta que peguei no sono quando acordo com a campainha tocando. Visita. Minha tia, cinco filhos, dois genros e uma nora aparecem em casa para “dar um oi” (leia-se comer de graça).

Ligo o modo automático e converso com eles como se estivesse entendendo perfeitamente a história que minha tia começa a contar. Entre muitos sins, nãos e uhuns, olho para o relógio e vejo que já são nove horas. Preciso arrumar um jeito de mandar essa gente embora e decido pedir uma pizza para agradar as visitas que, depois de tanto esquentar banco, comem e saem de fininho, deixando uma pilha enorme de louças para lavar e a depressão pré-segunda-feira batendo à porta.

Completamente desanimada e cansada, apesar de não ter feito nada o dia todo, desisto de arrumar a casa antes de me deitar e deixo tudo para segunda-feira. No dia seguinte, acordo achando que é sábado e sinto uma imensa vontade de me jogar janela abaixo quando percebo que o fim de semana acabou e tem uma pia cheia de louças me esperando. Segunda-feira já começou me pregando uma peça.

O que me motiva é pensar que falta pouco para acabar esse dia infernal

Chego ao trabalho com “cara de segunda-feira”, cumprimento o colega da mesa ao lado e começo a responder uns e-mails.  Eis que meu chefe – enviado da perversa e tenebrosa segunda-feira – adentra a sala e despeja sobre a minha mesa uma pilha de relatórios para entregar até o fim do dia. Olho para os papéis, olho para o colega sofrendo para atender o cliente ao telefone, respiro e começo meus afazeres. Meio-dia e ainda não cheguei nem à metade dos relatórios que tenho que entregar até as 18h.

Pulo o horário de almoço e continuo trabalhando como se não houvesse amanhã, ou melhor, como se houvesse. O que me motiva é pensar que faltam menos de doze horas para acabar esse dia infernal.

Não bastasse a fome, a pressa e a vontade de matar o chefe, um temporal se manifesta lá fora. O vento entra pela janela, bagunça todas as folhas e desorganiza todo o trabalho que, em pouco mais de quatro horas, eu iria terminar. Respiro, recolho as folhas do chão e penso que “poderia ser pior”. Sempre pode ser pior.  Arrependo-me amargamente de ter dito essa frase. Uma goteira começa a pingar sobre a minha cabeça e, consequentemente, nas folhas. Agora sim, meu trabalho estava indo por água abaixo.

Pego um pano, tento secar as folhas e o chão, quando o infeliz do colega entra na sala, escorrega na poça d’água e derruba o copo cheio de suco em cima das folhas. Minha vontade é gritar, chorar e degolar meu “querido” colega. Mas não, pego o mesmo pano, seco minha mesa, imprimo novas folhas e começo meu trabalho do zero. Refaço os relatórios à velocidade da luz e termino quinze minutos antes do prazo. Sorrio feliz e aliviada. Finalmente posso respirar. Quando penso que venci o karma da segunda-feira, ouço alguém bater à porta. Meu chefe:

– Más notícias. Pedi o relatório errado. O certo é este aqui – diz ao me entregar outra pilha de papéis.

– O prazo é amanhã ao meio-dia, sem falta, sentencia.

Olho para o relógio, 18h em ponto. Pego minha bolsa, respiro fundo, dou um sorriso para o chefe e saio sem olhar para trás. Graças à Deus, amanhã é terça-feira.

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