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Esporte | Edição #422 - 17/08/2015

“O grande encanto do pôquer é que é uma guerra de mentes e de pessoas”

João Simão, 26, é jogador profissional de pôquer e atualmente um dos maiores nomes da modalidade no país

Matheus Borges
Aluno de Jornalismo

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cpb20141129172153IMG_3292Avô engenheiro. Pai engenheiro. O filho, seguindo os passos da família, também passa no vestibular de engenharia civil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). História que pode acontecer em qualquer outra família. Porém, o futuro colocou dentro dessa história alguns episódios diferentes.

João Pires Simão, 26, torcedor do galo doido, Atlético Mineiro, nasceu em Belo Horizonte (MG), e durante a faculdade se aventurou em conhecer aquela modalidade em que as mesas do diretório acadêmico da universidade estavam “com fila de espera”, segundo ele. A modalidade que agitava a galera era o pôquer, que desde 2012 tornou-se reconhecido pelo Ministério do Esporte como esporte da mente.

Com o passar do tempo e os resultados aos poucos vindo cada vez melhores, aquilo que até então era brincadeira começou a ficar sério. Após se profissionalizar, resultados como mesa final do maior campeonato de pôquer do mundo, o World Series of Poker (WSOP), em 2013, e outros mais recentes, como campeão do PokerStars Caribbean Adventure (PCA), este ano, em Bahamas, e segunda colocação no Brazilian Series of Poker (BSOP), no ano passado, o credenciaram como jogador de alto nível, com muita regularidade.

Descobri que ser um bom profissional é mais importante que ser um jogador genial

Em entrevista ao Jornal Matéria Prima via Facebook, Simão contou sobre a transição para o esporte, inspirações que o levaram a crescer pessoalmente e profissionalmente e como é representar o país nos campeonatos afora.

Para você, que era estudante de engenharia civil e tem também a família envolvida no ramo, como foi à transição para o pôquer?
Na verdade nunca gostei de jogos, nem cartas, nem videogames. Mas por ter estudado em uma escola fraca, quase nenhum amigo entrou na UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais]. Por isso fui ao diretório acadêmico e por lá, todas as mesas estavam vazias, sinuca, pingue-pongue, pebolim e a mesa de pôquer com fila de espera. Fui me aventurar mais pelo social que pelo jogo. Aí, acabei tomando gosto pela competição e adrenalina. E só com o tempo que descobri o universo do pôquer, as técnicas e estratégias e vi ali uma possibilidade de estudar o esporte para fazer uma grana extra, nunca imaginando ser profissional, apenas visando melhorar as farras da época. As coisas foram fluindo, fui tomando gosto pelo esporte e pelo estudo, descobrindo que era possível sonhar mais alto. Meus resultados foram ficando melhores, os números atraentes, até ficarem irresistíveis, e conciliar com a faculdade já não era mais possível. Era preciso decidir entre o pôquer e a engenharia. Escolhi o que me realizava mais, não apenas financeiramente, mas, principalmente, em qualidade de vida.

Após muito tempo praticando o esporte, atletas de alto nível como você, André Akkari, Caio Pimenta e outros grandes, praticamente, já sabem tudo sobre o pôquer. Você acredita que para se sobressair sobre os adversários hoje é trabalhar mais a parte psicológica? No seu caso, você tem algum trabalho específico nessa questão?
Na verdade, nenhum jogador sabe tudo sobre o pôquer. Apesar de eu já ter masterizado o jogo em sua complexidade matemática e teórica, o grande encanto do pôquer é que é uma “guerra” de mentes e de pessoas. Adaptar, ajustar, induzir, manipular as pessoas é fundamental em jogo de alto nível. Para isso vir a seu favor e não a favor do concorrente, é preciso estudar muito, se adaptar sempre para não ficar com jogo ultrapassado ou previsível. Mas, com certeza, a parte psicológica vem se tornando grande diferencial. Me fortaleci muito nessa parte com a ajuda da minha esposa e foi um divisor de águas em minha carreira. Descobri que ser um bom profissional é muito mais importante que ser um jogador genial. Busco cada vez mais evoluir tanto psicologicamente quanto fisicamente. Obviamente não é preciso ficar sarado para jogar pôquer, mas uma boa alimentação e uma rotina de esportes faz com que nosso corpo funcione muito melhor. Como em qualquer competição de alto nível, qualquer detalhe faz muita diferença.

Em entrevista ao programa SuperPoker da BandSports, em 2013, você comentou que havia muitos bons jogadores no pôquer mineiro, mas que o cenário não era tão favorável, principalmente, pela falta de estrutura. Passados esses dois anos, o cenário atual é diferente com mais condições e estrutura para a prática do esporte?
Atualmente moro em Florianópolis [SC], jogando online. Quando jogo ao vivo é praticamente sempre pela Europa ou Las Vegas. Não tenho essa resposta tão precisa, mas em um cenário nacional a prática está cada vez mais condicionada e apoiada, com o crescimento exponencial do esporte.

Quem te inspira dentro do pôquer? E quais são os novos talentos que vêm por ai em sua opinião?
Tenho inspirações diversas. Para pensar o jogo, o Caio Pimenta foi o cara mais diferenciado que conheci. Para ser um grande profissional, o Akkari me ajudou muito. Os novos talentos com certeza estão vindo dos times de pôquer. Eles possuem muito material, todo o cenário favorável e grandes professores. Tenho certeza que eles são o futuro do pôquer brasileiro.

Há algum tempo você teve a experiência de poder ensinar novos profissionais do pôquer por meio do curso de coaching. Existe a pretensão de voltar a dar os cursos visando treinar possíveis novos talentos?
Os cursos foram uma das coisas que mais me realizaram profissionalmente. Ensinar é muito prazeroso. Felizmente, minha carreira está crescendo constantemente e, junto dela, meus projetos foram bem sucedidos, graças a Deus. Acabei abraçando todas as oportunidades, deixando minha vida pessoal de lado. Acredito que o equilíbrio seja fundamental, então tive que optar por encerrar algum projeto, no caso, os cursos. Sinto muita saudade, fico muito realizado vendo o sucesso dos meus alunos e com certeza é algo que vou voltar a fazer assim que possível.

E, para finalizar, como é representar o Brasil nos campeonatos afora? Você recebe muito apoio dos fãs da modalidade ou prefere se distanciar das redes sociais e ficar mais focado na competição?
Representar o país é muito bacana, é uma sensação muito boa receber milhares de mensagens de pessoas que não conheço, mas que estão em casa torcendo por mim. Apesar disso, procuro ser mais reservado, focar com minha família nos nossos objetivos, desligado das redes sociais durante os torneios. Depois, sim, parto para a comemoração com a galera.

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