Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #421 - 10/08/2015

Maldita escolha, Branca nunca foi capaz de me amar

Pessoas apaixonadas valorizam companheirismo, mas meu amor platônico me custou muito mais do que ele realmente valia

Nayara Sakamoto
Aluna de Jornalismo

Comentários
 

Inofensiva e maravilhosa. Lembro-me que a caracterizei assim.

Outono de 2011, 14 anos, roupas pretas e cinto punk. Esse era o figurino de todos os “aborrecentes” da minha roda de amigos. Não existia motivo para ser mais feliz do que já éramos. Estudávamos no melhor colégio, tínhamos famílias e nunca passamos fome. Tudo era perfeito, até que…não sei quando e nem como, mas Branca tornou-se íntima da roda. A princípio, para mim, ela não combinava.

Na impureza senti o amor mais puro que já havia provado

Eu a vi rodar muito. Primeiro namorou o Arthur, logo depois o João. E quando menos esperei, flagrei-a com Mariana. Eu e Mari discutimos, pois fiquei decepcionada. Não demorou muito para todos gostarem de Branca. Ela fazia todos ficarem “bem”, com direito a sorrisos frouxos e tudo. Até que um dia eu não resisti. Ela me escolheu e eu a escolhi.

Ironicamente, a impureza de Branca me fez sentir o amor mais puro que já havia provado. Minha mente sabia que era cilada, já meu corpo só a desejava. Saímos algumas vezes escondidas porque não queria que meus amigos soubessem. Não deu certo. Mariana, sempre muito esperta, desconfiou e eu não consegui mentir. Então, combinamos em dividir Branca em troca do segredo.

Ela me oferecia, paulatinamente, pequenas doses do seu amor, alegando que precisava ser compartilhada com outros. Eu entendia e concordava, pois já estava perdidamente apaixonada. Meus olhos eram capazes de admirar cada átomo da sua composição. Lembro-me dela como um mar branco: sem onda, sem peixe e paradisíaco. Afinal, ninguém sobrevive com a ausência ou presença do amor dela.

Branca é a famosa “Gêni” retratada por Chico Buarque. Todos conheciam a fama dela, por isso, evitei de todas as formas que minha família viesse a saber do romance, mas souberam. Disseram que eu teria de escolher entre eles e ela. Fiz minha escolha, não me julguem. Nós tivemos ótimos momentos. Por outro lado, passamos por situações tão baixas que eu me envergonhava e, nem por isso, arrependia-me daquele companheirismo.

 Teria de escolher entre eles e ela. Fiz minha escolha

Ela não me deixava dormir mais, tomava todo meu salário e justificava ser por uma “boa causa”, pois eu precisava de mais uma porção de amor. Eu a amei mais que a minha família, minha profissão, minha paz…eu a amei mais que tudo e ela só me fodeu. Maldito vício que me mata todos os dias.

Foto: Nayara Sakamoto

Foto: Nayara Sakamoto

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.839 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Escorpiana, cheia de dúvidas, insistindo em contar histórias

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

agosto 2015
S T Q Q S S D
« jun   set »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

galeria de fotos

Chico Buarque George Carlin Cazuza

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.