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Literatura | Edição #417 - 15/06/2015

Epifanias pontuais de uma segunda-feira

Decidir mudar a vida exige mais que a força do pensamento; deixamos de lado nossos sonhos por falta de determinação

Maria Eduarda Martins
Aluna de Jornalismo

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Foto: Maria Eduarda Martins

Seis em ponto. Segunda-feira, o dia em que tudo pode mudar. Foi o que ela pensou, mais uma vez. Ela, que nunca havia acreditado em superstição, evitou colocar o pé esquerdo no chão antes do direito. Tomou café e encheu mais uma xícara, assim como tenta preencher tudo. Sempre teve essa mania besta de tentar preencher espaços. Acendeu um cigarro e disse para o espelho:

- Quero deixar minha marca no mundo. Quero ser alguma coisa.

Deixar sua marca no mundo seria difícil para qualquer um, especialmente para ela, que não sabia o que queria ser. Nunca soube. Nove horas. Enquanto ela não sabia o que queria ser, resolveu ligar para um antigo namorado. Afinal, uma pessoa bem sucedida, deveria ser assim em todos os “setores”, inclusive no amoroso. Ela sabia de cor as razões pelas quais aquele relacionamento teve fim. Obsessão da parte dela, traição e indiferença da parte dele. Mas por que não¿

- Quem poderia me amar ainda hoje, senão alguém que me amou, mesmo que errado, no passado, pensou.  Ligou, não obteve resposta. Tentou mais uma vez, sem resposta.

- Cretino! Nunca me serviu pra nada mesmo.

Meio-dia. Pegou o telefone mais uma vez e encomendou comida chinesa .Sempre gostou de comida embalada que se come com os famosos “pauzinhos”, menos sujeira pra limpar. Resolveu procurar entre as folhas amarelas um emprego.

- Quem sabe hoje não é meu dia de sorte¿

Quem sabe ela não consiga, finalmente, um emprego em um jornal. Ela sabia que queria escrever, sobre qualquer coisa que fizesse o nome dela ao fim do texto, soar importante.

- Toda essa procura merece um café. E um cigarro pra acompanhar, pensou.

Dezessete horas. O céu começava a ficar em tom alaranjado. Qualquer pessoa olharia para o céu e agradeceria aquela imagem, mas não ela. Só pensava o quão suja era aquela cidade. Adoçou mais um pouco o café, quase como se fosse uma tentativa de adoçar algo a mais.

Deixar sua marca no mundo seria difícil, especialmente para ela que não sabia o que queria ser

Dezenove horas. Começou a se arrumar pra sair, na esperança de que uma boa maquiagem e algumas doses de álcool pudessem mudar alguma coisa. Talvez uma entrevista de emprego, um novo amor, novos contatos. Qualquer coisa de novo. Acendeu mais um cigarro. E desistiu. Olhou para o cigarro, quase no fim, e viu, finalmente, sua marca. O batom vermelho no filtro do cigarro.

- Amanhã eu tento. Ah não, amanhã não, segunda-feira.

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