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Crítica de Mídia | Edição #416 - 08/06/2015

Dois crimes e desequilíbrio na cobertura

Morte de médico ganha cinco páginas no Globo e comoção; Extra pede para que assassinato de jovens não acabe esquecido

Alessandro Alves
Aluno de Jornalismo

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Como se status social valesse mais que a vida, os jornais Extra e O Globo optaram por dar maior destaque sobre o assassinato do médico Jaime Gold, no dia 19 de maio na Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio de Janeiro), a outro assunto de mesma proporção: a morte de dois jovens no mesmo dia em confronto com a Polícia Civil no Morro do Dendê, também no Rio.

Reprodução de capas dos jornais O Globo e Extra

Reprodução de capas dos jornais O Globo e Extra

O Globo exibiu em primeira página no dia 21 como “tragédia anunciada” a morte do médico. Relatou o fato em, no mínimo, cinco páginas. Sobre os dois jovens (Gilson e Wanderson), mortos no Dendê, o jornal dedicou somente duas colunas em meio a outra página interna. Um pouco diferente disso, o Extra mostrou no alto da capa o crime contra o médico e fez um apelo para que não fossem esquecidas as mortes dos dois jovens, mostrando o que todos já sabem: a condição social e o local onde o crime ocorre é que determinam o “tamanho” da cobertura.

Como se não bastasse, no dia seguinte, 22, o Extra descreve aspectos vividos anteriormente pelos assaltantes – assassinos do médico, relacionando com a pobreza e sofrimentos dos rapazes no crime revoltante do Dendê. Nesse mesmo dia o Globo anuncia a prisão de um adolescente de 16 anos, suspeito de matar o médico e mostra uma ficha de 15 crimes cometidos pelo garoto. Mas não para por aí. O jornal publica uma charge na qual compara os ciclistas da lagoa como se fossem prisioneiros do Estado Islâmico. Um verdadeiro absurdo pensar dessa forma e fazer esse tipo de comparação, como se no Rio não existisse algo bom, só violência. Como se as pessoas não pudessem sair às ruas sem serem assaltadas ou mortas.

No livro Ética na comunicação: da informação ao receptor (2001) os autores Barros Filho e Bartolozzi citam casos semelhantes. Segundo eles criou-se a falsa sensação de aumento na criminalidade em função da alteração no mecanismo de direcionamento das notícias. O que dá para entender é que ocorre um tipo de efeito social na mídia e os próprios veículos de comunicação, por meio da seleção, da hierarquia e quantidade de notícias publicadas sobre um mesmo assunto, fazem as pessoas agirem e pensarem de tal maneira.

Crime em ponto turístico não é mais importante do que crimes em favela

Se os veículos de comunicação usassem a influência que têm, equilibrando de maneira adequada as notícias, ajudariam a reduzir essa falsa sensação de que nas comunidades pobres só existe violência e mortes. E mais. Crimes em pontos turísticos não seriam mais importantes do que crimes em favelas, ou seja, ambos teriam a mesma importância para o público.

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