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Cidade | Edição #411 - 04/05/2015

Golpe no Chile levou Manolo à Esperança

Manuel José Espech de Almeid, 70, fugitivo da forte ditadura implantada naquele país, vive em Maringá há 20 anos

Laryssa Cunha
Aluna de Jornalismo

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Rua estreita e sem saída, casa simples com um empático visual. Ali, naquela casinha toda arrumada ouve-se histórias de quem sofreu, lutou e amou durante um período de muitos conflitos no Chile. Precisamente no dia 11 de setembro de 1973 ocorria o golpe militar chileno, quando as forças armadas derrubaram o regime democrático e Augusto Pinochet se autoproclamou presidente, instalando no país uma forte ditatura. Um dos milhares jovens que na época fugiram do país se instalou no Brasil, especificamente em Maringá.

O que eu tenho de lema é  decorrente da experiência de vida

Ainda conversando com sotaque espanhol, já meio aportuguesado, Manuel José Espech Almeida, 70, mora na zona norte de Maringá, no bairro Vila Esperança. Manolo, apelidado assim no Brasil, acende um cigarro, senta para conversar com a reportagem, e nitidamente vai fundo em suas memórias. Aposentado por conta de um problema na retina, o socialista mergulha no seu passado e, pausadamente, revela todo o processo que desencadeou o golpe de Estado no seu país. Com bom humor inteligível, fala de sua autobiografia, escrita durante dez anos com fatos verídicos, muita política, pitada de ficção, o ápice da felicidade e o momento mais delicado que viveu no Chile.

Manolo e seu cachorro Lenin na varanda de sua casa ( Foto: Laryssa Cunha)

Manolo e seu cachorro Lenin na varanda de sua casa
( Foto: Laryssa Cunha)

 A sagacidade logo é demostrada, Manolo se mostra um homem alimentado por ideologias, que vai desfiando, em tom professoral, a aula sobre política. Sobre seu lado mais humano, revela: “O que eu tenho de lema é  decorrente da experiência de vida. Eu sempre me coloquei no lugar do injustiçado e aprendi, no decorrer de todo esse trajeto, analisar o cotidiano das pessoas.” A amiga Luciana Fagião Correia, 40,que mora com o aposentado o descreve como uma “pessoa companheira, admirada por toda sua história de vida”.

Para entender melhor as privações da realidade de um golpe de Estado, Sergio Alvarez Silva, 49, diretor do Colégio de Aplicação Pedagógica, que também vivia a ditadura no Brasil, resume: “Durante a ditadura você não tem liberdade de expressão, todos seus direitos como cidadão são cerceados pelo grupo que está no poder.

A admiração pelo regime socialista ainda é tão grande no chileno da Vila Esperança que até mesmo os companheiros animais receberam dele nomes peculiares. São dois gatos e um cachorro. Os nomes evidenciam o amor do aposentado pela política. A gata se chama Krupskaja, o gato Fidel e o cachorro Lenin, “ícones políticos” que passeiam de um lado a outro na casa de Manolo.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

luciana oliveira disse:

Muito boa matéria, instigante e bem escrita, dá vontade saber mais dessa pessoa!

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