Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Cidade | Edição #414 - 25/05/2015

Café conta a história de vida de Terezinha

Junto à família, no "pau de arara", ex-agricultora deixou o Nordeste em direção ao Sul atrás do sonho de uma vida melhor

Matheus Torrezan
Aluno de Jornalismo

Comentários
 
Terezinha no quintal da casa onde mora, no Vitória (Foto: Matheus Torrezan)

Terezinha no quintal da casa onde mora, no Vitória
(Foto: Matheus Torrezan)

Em uma rua tranquila e arborizada do Jardim Vitória, região norte de Maringá, mora  Tereza Izaura da Silva,74, a dona Terezinha. Ela chegou aqui em 1962, em cima de um caminhão apinhado de gente, mesmo caminho trilhado pela maioria dos agricultores vindos de outras regiões para trabalhar nas lavouras de café. Maringá não era o destino inicial da então jovem agricultora. Ela deixou a Bahia para trabalhar em lavouras de algodão de São Paulo, mas a possibilidade de melhorar os ganhos com a colheita do “ouro verde” levou toda a família de volta ao “pau de arara”, rumo ao norte paranaense.

O historiador João Laércio Lopes Leal, do Patrimônio Histórico de Maringá, lembra que esse foi um período importante para o município, mas também uma época de transição. A cidade estava expandindo horizontalmente. O café, e toda a cadeia produtiva que girava em torno do grão impulsionando a economia na época, teria apenas mais alguns anos de prosperidade. Logo entraria em declínio, dando lugar a novas culturas.

Na lavoura, dona Terezinha diz ter feito um pouco de tudo: derrubava os grãos, limpava os troncos nos cafeeiros e ajudava a esparramar a colheita sobre o terreiro da fazenda, rastelando o café. Serviço pesado, que não poupava homens, mulheres nem crianças. Segundo ela, a vida na fazenda era muito simples, como a casa de madeira em que vivia com a família. Com frestas entre uma tábua e outra, em dia de ventania, lembra a ex-agricultora, ventava mais dentro do que fora de casa.

Dona Terezinha com o marido, em 64, após o casamento
(Foto: Arquivo pessoal)

Em vez de descanso, a família aproveitada os fins de semana para lavar as roupas. “Roupas [sujas] de café eram muito encardidas, tinham barro nos joelhos”, diz ela. E foi num raro momento de lazer que dona Terezinha conta ter conhecido o marido, José Luiz da Silva, hoje com 79 anos. “Eu estava na casa do namorado da minha irmã e ele estava na casa dos amigos dele. Pelo buraco da casa eu vi ele me olhando e minha irmã falou: ‘olha, bem bonitão’.” Dessa troca de olhares até o namoro, diz, foi questão de dias. E do namoro para o casamento “não deu nem dois anos direito”, brinca.

Pelo buraco da casa eu vi ele me olhando e minha irmã falou: ‘olha, bem bonitão’

O casal viveu na zona rural ainda por mais 26 anos e de lá, já nos anos 90, veio direto para o Jardim Vitória. Já aposentada, hoje dona Terezinha se dedica ao crochê, à costura e curte a família junto com o “marido bonitão”.

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.827 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Único e exclusivo. Gosto de comédia, mas sem muito palavrão

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

maio 2015
S T Q Q S S D
« abr   jun »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

galeria de fotos

Mario Quintana Chico Buarque George Carlin

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.