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Literatura | Edição #410 - 20/04/2015

Escrever o passado como forma de voltar no tempo

As memórias, por mais remotas que sejam, nos fazem retroceder; nelas revivemos lembranças e bons momentos da vida

Alessandro Alves
Aluno de Jornalismo

Comentários
 
Foto: Alessandro Alves

Foto: Alessandro Alves

Sábado à noite, aqui estou eu, tentando escrever uma crônica, mas nada me vem à cabeça.  Até que surgiu, do nada, algo que me faz lembrar, lembrar de um passado não muito distante.

Lembrei-me nesse instante da minha infância, quando brincava com meus amigos num campinho de futebol improvisado, em meio ao pasto verdejante de uma invernada, campo pisoteado pelas patas do gado que por ali passava. Lugar que todos os fins de semana, aquela gurizada de pés descalços se reunia, e que sempre estava pronta para jogar uma pelada, não importava a hora ou o dia. Podia ser, em meio ao sol escaldante do verão ou na chuva fria do inverno. O que queríamos, era diversão e sempre conseguíamos. Passávamos horas e horas correndo atrás de uma bola, feita por nós mesmos de meias velhas e espuma. Se é que podemos chamar de bola, um embolado de meias costuradas com fio de linha de pesca.

A gurizada sempre estava pronta para jogar, não importava a hora ou o dia

Em meio a tudo isso, não posso esquecer dos meus amigos pernas de pau, como eram chamados os ruins de futebol, que em vez de chutarem a bola para o gol, chutavam o chão. Era pedaço de grama para todo lado.

Com tantas alegrias, porém, um fato me entristeceu muito. O nosso campo de futebol iria ser fechado. Saber que naquele lugar, onde vivemos tantos momentos de felicidade e diversão, nunca mais reuniria aquela garotada toda para jogar uma pelada, foi a pior notícia que poderíamos ter. O dono tinha vendido as terras para um fazendeiro da região que não queria saber de moleques pisoteando o pasto, só os bois.

Naquele instante acabou uma história de diversão vivida em minha infância, com amigos verdadeiros que deixei. De tanta tristeza fui embora para a cidade, procurando esquecer tudo o que passou, mas os amigos verdadeiros nunca esqueci e para sempre vão estar arquivados em minha memória. Memória que, embora pequena, tem capacidade suficiente para guardar os grandes amigos.

Às vezes deixamos de lado as peladas que jogamos nos campos de várzea quando moleques para relembrar essas histórias fazem a diferença em nosso dia a dia. Lembrar de amigos que fizeram parte do nosso passado é ter a liberdade de voar na imaginação. É simplesmente reviver o lado bom da vida.

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

Diego Mabel disse:

Aqui em Porto Nacional tinha uma linda praia com muitas dunas e ótimos lugares de banho com águas correntes e cristalinas, por causa do “progresso” perdemos essa grande atração, principalmente para nós moradores. Hoje temos um grande lago da barragem e apesar de termos a energia tão cara, mais amargo é a lembrança que não temos, a nostalgia de algo que não escolhemos deixar.

Angelica Golin disse:

Texto muito bacana! É impossível não lembrar de alguma coisa boa de nossa infância.

Carol disse:

Muito bom! Parabéns! Com certeza reviver momentos bons do passado faz bem! É uma alegria boba pensar em coisas que antes nem tinham tanto significado mas que hoje percebemos que fazem falta.

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