Literatura | Edição #409 - 09/12/2014

A arte de dar vida às pequenas histórias

Pessoas comuns que vivem nos bairros de Maringá viram protagonistas nas palavras de estudante de jornalismo

Lethícia Conegero
Aluna de Jornalismo

Lethícia Conegero (Foto: Patrícia Marques)

Lethícia Conegero (Foto: Patrícia Marques)

Cidade nova, amigos novos e um universo inteiro para descobrir: o do jornalismo. Foi assim que cai “de paraquedas” em Maringá em 2013, o meu primeiro ano de faculdade. Mudanças causam estranhamento, é normal.  E alçar voo fica ainda mais difícil quando se é tímido e reservado. Esse, sem dúvida, foi o meu caso.

Entre descobertas, alegrias e saudade de casa, sobrevivi bravamente ao meu primeiro ano de faculdade. Ouvíamos falar muito de um tal “Jornal Matéria Prima”, o jornal-laboratório que era produzido pelas turmas do segundo ano de Jornalismo. Os dias se passaram e quando menos esperava, lá estava eu: já não era mais caloura e fazia o meu cadastro no site do JMP para postar meus textos quinzenalmente. A partir daí, fui desafiada: minha primeira edição seria de bairro. Isso mesmo! Eu conheceria Maringá por bem ou por mal. A minha sorte é que foi por bem.

Coloquei minha mochila nas costas e lá fui eu: papel e caneta na mão, somados a um turbilhão de sentimentos de encarar o novo e o desconhecido. Joguei-me no mundo procurando uma pequena grande história perdida nas ruas da cidade. Histórias de pessoas comuns que, em minhas palavras, podiam ganhar vida em um texto feito com muito amor e carinho, e que todos pudessem ler com apenas um click. Conheci os mais incríveis personagens das mais diversas aventuras: a avó budista que escrevia livros, o catador de papel que virou fotógrafo, a mulher que superou a depressão com o amor dos cães e a família que tinha galinhas de estimação. Algumas dessas histórias viraram textos publicados no JMP, outras não. Mas mesmo aquelas que não foram para o papel, ficaram arquivadas aqui, dentro de mim e em minhas lembranças sobre o ano que se passou.

Conheci os mais incríveis personagens das mais diversas aventuras

Depois da editoria de bairro vieram tantos outros textos que impulsionaram o meu olhar crítico, além de estimular meu lado poético e também observador. Mais uma etapa se conclui e eu continuo me definindo como uma pessoa reservada, mas posso dizer que aprendi a lidar com isso para não deixar a timidez me frear. Não posso parar. Quero alçar voos mais altos e alcançar lugares inexplorados.

Esse é o meu adeus. Me despeço do Jornal Matéria Prima com sensação de dever cumprido e mais, a alegria de ter aprendido e crescido com cada experiência que me proporcionou. Aos viajantes de primeira viagem que estão chegando para assumir o posto eu digo: abracem cada oportunidade que tiverem e deem o melhor de si. Cuidem com carinho do nosso JMP e se deixem levar pelas experiências incríveis que vêm por aí. Boa sorte!


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
http://www.jornalmateriaprima.com.br

Endereço para o artigo:
http://www.jornalmateriaprima.com.br/2014/12/a-arte-de-dar-vida-as-pequenas-historias/

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