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Cultura | Edição #407 - 13/11/2014

“Os bons críticos estão aposentados ou dentro das universidades”

Daysi Bregantini, 60, é quem conduz a Revista Cult, uma das mais respeitadas revistas de jornalismo cultural no Brasil

Patrícia Marques
Aluna de Jornalismo

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Daysi Bregantini posa ao lado de capas marcantes da Cult (Foto: Arquivo Pessoal / Daysi Bregantini)

Daysi Bregantini posa ao lado de capas marcantes da Cult (Foto: Arquivo Pessoal / Daysi Bregantini)

O jornalismo cultural ocupa espaço importante na imprensa. A premissa básica desse gênero jornalístico é produzir e analisar notícias de cunho artístico, social e literário, sem perder a linha editorial.

Devido ao grande número de publicações que visam a crítica das artes e das atividades culturais em geral, dentre as quais revistas, tabloides, cadernos e suplementos de jornais impressos, pode-se perceber que a importância desses periódicos não se limita ao universo editorial, mas também atinge e influencia a economia, devido à inserção de apelos publicitários inseridos nesses materiais e que geralmente contribuem para a sobrevivência desses impressos, ainda mais em tempos de mídias digitais, como o mundo nos dia de hoje.

Para conhecer um pouco mais sobre jornalismo cultural e como funciona uma publicação desse gênero, a reportagem do Jornal Matéria Prima, conversou com a jornalista Daysi Bregantini, 60, dona da Editora Bregantini, responsável por publicar a Revista Cult.

Após trabalhar durante 20 anos com assessoria de comunicação, a paulistana apostou as fichas em um novo projeto e há mais de 10 anos atua como diretora e editora responsável pela revista, que é uma publicação brasileira  impressa de circulação nacional  bastante conhecida e respeitada no segmento do jornalismo cultural.

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, Bregantini conta um pouco mais sobre a trajetória dela no jornalismo, a história da Revista Cult e conta como “se faz” uma revista desse porte.

Como foi trocar uma carreira estável em assessoria, de longos anos, para arriscar tudo em um produto que acreditava ser a “chave” da sua realização profissional, a Cult?
Fundei uma agência de assessoria de comunicação, Attachée de Presse, em 1981. Fui muito feliz e me realizei. Em 2000 deixei a Attachée de Presse, que continua viva, para me dedicar a novos projetos. Comprei o título Cult e passei a me dedicar ao universo cultural.

A Cult trata da cultura de modo geral, falando também de música, artes visuais e cinema. É uma revista literária que também discute ideias e filosofia. Tendo um leque de informações tão variado, quem é o público leitor da publicação?
A Cult exerce o jornalismo cultural. Não é uma revista de entretenimento e sim de conhecimento. O público leitor é formado por pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação.

Como funciona a produção de conteúdo da revista e a hierarquização do que é mais relevante para os leitores na hora de editar?
Os dossiês são pautados com muita antecedência, pois tratam de assuntos aprofundados e dependem de especialistas. Nós temos um elenco de colaboradores bem organizado e selecionamos os assuntos depois de algumas pesquisas acadêmicas.

O jornalismo cultural passa por um momento difícil e produz pouco

Como você descreve o atual cenário da crítica cultural e literária no Brasil?Bom… o jornalismo cultural passa por um momento difícil e produz pouco. A Cult é praticamente a única revista de cultura (com circulação nacional) que sobrevive. Os bons críticos estão dentro das universidades ou aposentados. Os pensadores que fazem a diferença são acadêmicos.

Mesmo com dificuldades, a Cult sempre se preocupa em fazer o bom e velho jornalismo cultural. Quais os desafios de se manter um impresso nos dias de hoje, onde o on-line ganha cada vez mais espaço?
É uma luta diária, árdua, uma guerrilha.

Até que ponto a Cult tenta manter a linha editorial imune às influências mercadológicas e a pressão da imprensa?
Não existe pressão da imprensa, e sim da indústria cultural. Nós resistimos.

Além do Jornalismo Cultural, a Cult também investe em atividades culturais. Você acredita que essa diversificação é interessante?
Sim, nós temos um centro cultural “Espaço revista CULT” que ministra cursos variados, exposições, palestras e debates. É um espaço muito lindo. wwwespacorevistacult.com.br

Há anos comandando a edição da revista, você com certeza tem muitas histórias boas para contar e certamente teve seus momentos preferidos, ou seja, o que você mais gostou de publicar?
Gosto de tudo que publicamos. Verdade.

E o que ainda gostaria de publicar?
Uma entrevista com Raduan Nassar.

Que conselhos você daria aos “focas” que querem trabalhar com jornalismo cultural?
Coragem!

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