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Educação | Edição #407 - 13/11/2014

A lacuna da educação não está na cor

Ação afirmativa qualifica pela cor e nega educação de qualidade, direito humano fundamental no exercício da cidadania

Bruna Tamires
Aluna de Jornalismo

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artigoEra uma vez um país que acreditava se igualitário. Em um mundo preto e branco, a cor da pele significa regalias. Como se não houvesse um termo meão, foi dito que o branco é superior ao negro e o mundo, por si próprio, julgou a afirmação como verdadeira. O debate é antigo, raça e racismo lado a lado, aguardando irrequietamente que a cor do vencedor seja aclamada. A efervescente discussão entre os direitos de pretos ou brancos culmina este século e consigna outra forma de descriminação: cotas raciais.

Em agosto de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) sancionou a lei de cotas ou ações afirmativas. A lei nº 12.711 assegurou que 50% das vagas das 59 universidades federais e 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia fossem destinadas a alunos que tivessem estudado integralmente no ensino público, integrassem o sistema racial – negros, pardos e indígenas – ou que tivessem renda mensal inferior a um salário mínimo e meio. O sistema de cotas é, aparentemente, justo, uma vez que entre o pobre e o rico existe, de fato, uma inquestionável discrepância no que diz respeito ao acesso à educação.

A diferença entre o QI do negro e do branco tem origem ambiental, não genética

Conquanto, entre a interminável escala de cores, a única diferença é a quantidade de melanina. Para Richard Nisbett, professor de psicologia social e codiretor do programa de cultura e cognição da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a diferença entre o QI do negro e do branco tem origem ambiental, não genética. Segundo ele, estudos recentes apontam que a  influência hereditária do conhecimento é demasiadamente pequena, não ultrapassando os 20%. Em outras palavras, a ingerência do meio está acima da cor vista na pele que, em nada, atinge a capacidade cognitiva do negro ou branco.

Notoriamente, o movimento negro não se preocupa apenas com o QI. A justificativa dos pedidos calorosos por cotas raciais baseia-se na “injusta meritocracia” imposta pelas universidades. O problema, no entanto, é anterior ao sistema de aprovação das instituições, visto que a qualidade da educação fundamental e básica oferecidas pelo governo é muito discutível. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco, o Brasil aparece entre os 53 países que ainda não atingiram os Objetivos do Milênio no quesito Educação para Todos 2015. Nem sequer está próximo disso.

Indiscutivelmente, a meritocracia incondicional é impossível num país heterogêneo, em que condições sociais são tão adversas. Todavia, incitar a ascensão social, por meio do mérito, pode ser a base para uma sociedade que enxergue caráter e inteligência, não a cor da pele. Indubitavelmente, a tragédia da escravidão no país não deve ser esquecida.

O Brasil ainda carrega cicatrizes dessa época, mas, faz-se imprescindível, mencionar a tão aclamada miscigenação que, por meio da “mistura” criou um país perfeitamente heterogêneo. Problemas socioeconômicos atingem crianças pardas, brancas e negras, e impossibilitam o acesso ao ensino de qualidade, normalmente oferecido por escolas particulares. Nomear uma cor para “favorecê-la” não resolve o problema da falha educação de base oferecida pelo país, tampouco ajuda na diminuição da descriminação. Ainda que os números apontem para o crescimento do número de negros nas universidades, isso não significa educação de qualidade ou país igualitário. Penosamente, quer dizer que a cor garante uma “esmolinha” no fim do ensino médio e que essa boa caridade do governo afasta ainda mais o branco do negro. Há, ainda, um longo percurso a ser trilhado pelo país, tanto culturalmente, para exterminar a discriminação, quanto educacional, para oferecer igualdade escolar entre as diferentes classes, raças, cores, tipos, tamanhos e todo o resto que defina as desconformidades.

Afinal, a lacuna não está na cor e não deve ser o único motivo de luta, e sim, a educação fundamental para tornar a meritocracia mais justa.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Thatiana disse:

Quero parabenizar o seu trabalho, aliás, não apenas esse mas todos que você tem feito. Sempre soube da sua capacidade em escrever textos com belas palavras, e você sempre soube o quanto torço pela sua carreira! Não digo isso por você ser a minha amiga, digo isso por ser verdade, e basta acompanhar seus trabalhos para ver o quanto é esforçada e dedicada, o quanto escreve e pesquisa com amor e carinho a sua profissão.

Parabéns!

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