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Política | Edição #401 - 02/10/2014

No horário político, salve-se quem puder

A disputa pela cadeira do governador do Estado do Paraná se tornou uma guerra; o jogo político agora é campo de batalha

Wesley Bischoff
Aluno de Jornalismo

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“Interrompemos a nossa programação para a transmissão do horário eleitoral gratuito sob responsabilidade dos partidos políticos. Por favor, tirem as crianças da sala.” Essa é uma sugestão às emissoras de rádio e televisão durante os próximos programas políticos, pelo menos os que são de domínio dos candidatos ao governo do Estado do Paraná. A disputa eleitoral se tornou mais que embate de ideias, é também campo de batalha onde vale tudo para ocupar o cargo de governador pelos próximos quatro anos.

Durante sete semanas, os oito candidatos ao governo do Estado puderam expor nas emissoras de rádio e TV quais propostas tentariam cumprir caso sejam eleitos. Pelo menos, na teoria, era para ter sido dessa forma. O espaço cedido de forma gratuita consoante à lei nº 9.504/97, e distribuído de acordo com o tamanho das coligações, apareceu como um grande tatame frente àqueles que procuravam um candidato para escolher. Ataques e insinuações pessoais não faltaram, principalmente nas campanhas de Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).

De forma resumida, o candidato à reeleição Beto Richa tentou mostrar que transformou o Paraná nos últimos quatro anos. Efeitos gráficos impressionantes mostram números e mais números que buscam comprovar a capacidade de um governo que quer acreditar que todos estão crendo no avanço. Por outro lado, Requião, enquanto fala, martela com as mãos algo inexistente, perdendo­-se entre os próprios feitos e se tornando contraditório. Como exemplo, o candidato disse que ao contrário de Richa, no governo dele entre os anos de 2003 e 2010, não houve reajuste de um tostão a conta de luz. Seria uma pena se um levantamento feito pelo jornal Bem Paraná mostrasse que, durante o mandato do ex-governador, a conta de luz subiu mais de 30%.

Qual seria a vantagem dos paranaenses frente aos demasiados ataques da campanha eleitoral?

Entre o Paraná perfeito de Beto Richa e os desencontros com a verdade de Requião, Gleisi Hoffmann se mostra a mais avulsa entre os candidatos. Os programas da petista se resumiram em atuações no centro de Curitiba, ataques pesados ao atual governador, chegando a chamá-lo diversas vezes de incompetente, e em propostas já realizadas pelos governos federal e estadual. Gleisi tentou vender a ideia de transformar o Paraná em um minibrasil, com programas já existentes vindos do governo federal acrescidos do nome “Paraná”, como o PAC Paraná ou o Pronatec Paraná. Enquanto isso, os outros cinco candidatos – Bernardo Piloto (PSOL), Geonisio Marinho (PRTB), Orgier Buchi (PRP), Rodrigo Tomazini (PSTU) e Tulio Bandeira (PTC) – se espremeram em menos de um minuto cada na tentativa de atrair o eleitor.

Assistir a todos os programas eleitorais não é tarefa fácil. Em meio às propostas e ataques é possível perceber que cada candidato busca acionar uma alavanca, ou melhor, um botão: o verde de “confirmar”, do “vote em mim”. É quase uma lavagem cerebral gratuita na tentativa de ser herói indicando o concorrente como o vilão. A ferramenta utilizada é a da propaganda negativa. De acordo com Luiz Claudio Lourenço, no artigo Propaganda negativa: ataque versus votos nas eleições presidenciais de 2002, a prática tem a intenção de aumentar o índice de rejeição do adversário. Além disso, para Lourenço, esse tipo de propaganda “ultrapassa frequentemente o campo da conquista eleitoral e chega aos frágeis limites da ética no campo político”.

A dúvida que paira no ar é qual seria a vantagem dos paranaenses frente aos demasiados ataques da campanha eleitoral? O horário político na televisão, além de ser espaço de debates de propostas, precisa ser lugar onde reine o respeito e os interesses de todos. Por que não se espelhar em países como a Suécia, onde não há programas políticos em meios de comunicação e os candidatos, inclusive, emprestam megafones uns aos outros para fazer debate em praça pública? O fato é que, para eles, a minha, nem a sua opinião importam. O que vale mesmo são os botões que você vai apertar no próximo domingo. Afinal, de que importa um horizonte verde quando existe um botão da mesma cor na urna eletrônica?

Fotomontagem/Wesley Bischoff

Fotomontagem/Wesley Bischoff

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