Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Cidade | Edição #401 - 02/10/2014

Dos Correios às vendas, Benedito é empreendedor

O Jardim Alvorada (região norte) guarda histórias do morador que vive lá há quase 40 anos e hoje tem o próprio negócio

Ana Paula Candelório
Aluna de Jornalismo

Comentários
 
Benedito e a mulher dizem que hoje gostam mais é de viajar (Foto: Ana Paula Candelório)

Benedito e a mulher dizem que hoje gostam mais é de viajar (Foto: Ana Paula Candelório)

Muito trabalho, pouco estudo. Infância e juventude vividas em meio rural, num sítio em Mandaguaçu (a 21 km de Maringá).  Vinha para a cidade fazer compras, assistiu à inauguração da Catedral, até que um dia decidiu vir para ficar. É assim que começa a história de Antônio Benedito, 61, morador do Jardim Alvorada (região norte de Maringá), há 38 anos.

Benedito chegou à cidade com os pais aos 23 anos, em 1976. Um ano depois trouxe a então noiva, que morava no sítio vizinho e casaram-se. “A gente casou com a cara e a coragem. Fomos morar com os pais dele e moramos [todos] juntos por nove anos”, afirma a mulher, Odila Marques Benedito, 61.

Pai de três filhos, por anos o morador sustentou a casa trabalhando nos Correios , mas as necessidades foram aumentando e o salário diminuindo durante o governo do então presidente Fernando Collor (início dos anos 90), e por isso Benedito desligou-se do serviço público. “Na época o salário praticamente zerou. Virava e mexia a gente estava fazendo greve. A gente ia para a praça fazia até queima de contra cheque, mas não deu resultado”, afirma ele.

Como alternativa, foi para o Paraguai comprar objetos para revender. Obteve renda com isso por 15 anos, mas as dificuldades que ele e a família passaram não foram poucas. Fazia sol ou chuva, Antônio Benedito precisava viajar para fazer as compras e “ganhar o pão”, correndo o risco de ser assaltado ou ter as mercadorias apreendidas. “Muitas vezes, o [dinheiro] que eu sofria um mês para [ganhar e] comprar, eu perdia em um dia”, conta o morador. E pior, naquela época, nada de celular. “Chegava no ‘orelhão’, aquela fila para tentar ligar para casa”, relembra ele hoje, rindo da situação.

Odila também conta que convivia com a apreensão, enquanto o marido estava fora. “Passei noites sem dormir, pensando nas viagens dele. Falava para os meu filhos, ‘vamos rezar para o papai, para ele ir e voltar bem’.”

A iniciativa de Antônio Benedito é empreendedora e benéfica para a sociedade, pois gera empregos

O casal afirma que o problema maior era ir para comprar e chegar em casa de mãos vazias, por ter, diversas vezes, mercadorias apreendidas. Há alguns anos, em época do Dia das Crianças, o morador perdeu até os brinquedos que ia dar de presente para os filhos. “Ele perdeu a mercadoria na porta de casa. Quando ele estava chegando, a Polícia Civil veio e tomou tudo”, indaga Odila Benedito.

Apesar dos riscos de apreensões de mercadoria e de assaltos, Edvaldo Barboza, que trabalha com venda de produtos do Paraguai há cinco anos, diz que esse comércio tem suas vantagens. “É um passeio também, você vai comprar os produtos para vender e ganhar dinheiro. Toma café e até conhece pessoas diferentes”, comenta ele. Ele também é sacoleiro e tem os clientes frequentes, mas afirma que sempre procura trazer quantidades pequenas de encomendas.

Apesar das greves e mordidas de cachorros, situações que todo carteiro já viveu, além das dores na costas por carregar sacolas paraguaias, essas atividades somaram experiências para Antônio Benedito. Com os contatos que adquiriu nos antigos trabalhos e com o apoio do filho primogênito, que trabalha numa construtora, hoje ele tem o próprio negócio: construção civil. O morador não tem um estabelecimento, mas tem empregados registrados. “Eu administro, compro terreno faço construção e vendo”, diz ele.

Para Judson Ribeiro, 42, professor da disciplina de Materiais de Construção, do curso de Engenharia Civil da Unicesumar- Centro Universitário Cesumar, a iniciativa de Antônio Benedito é empreendedora e benéfica para a sociedade, pois gera empregos.

No entanto, Ribeiro faz um alerta: quem tem o interesse de fazer esse tipo de trabalho, deve contratar um engenheiro para acompanhar a obra e garantir a segurança da construção. “Ele pode ser empreendedor, mas tem que pensar em contratar um engenheiro que vai dar todo o suporte técnico, e em contrapartida terá segurança”, ressalta o professor.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Fábio Candelório disse:

Parabéns pela matéria!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.829 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Apaixonada por boas histórias, está sempre buscando um modo de ouvi-las e contá-las. A cada dia, descobre no jornalismo seus princípios, meios e fins.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

outubro 2014
S T Q Q S S D
« set   nov »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

galeria de fotos

George Carlin Cazuza Chico Buarque

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.