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Esporte | Edição #402 - 09/10/2014

“A indicação foi boa, mas o meu talento contou mais”

Jonas Eduardo Américo, o Edu, começou no Santos por indicação de Pelé mas se destacou pelos dribles nos adversários

Lais Moser
Aluna de Jornalismo

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Edu ao lado de painel de fotos  que relembram a carreira (Foto: Arquivo Pessoal)

Edu ao lado de painel de fotos que relembram a carreira (Foto: Arquivo Pessoal)

Ombros arqueados, pernas curtas e meias “arriadas”. Bola sempre colada aos pés, humilhava os marcadores, quase sempre acostumados a correr atrás de pontas velozes. Essa é uma das descrições que cabem bem a Jonas Eduardo Américo, o Edu. Nome que vem à cabeça de qualquer santista quando se fala em ponta-esquerda, mas principalmente quando o assunto são os dribles.

Nascido em Jaú (São Paulo), no dia 6 de agosto de 1949, Edu começou a carreira profissional no Santos Futebol Clube, pela melhor indicação que um estreante poderia conseguir :Pelé. Ao lado do “rei”, Edu foi o jogador mais jovem a participar de uma Copa do Mundo. Com apenas 17 anos foi convocado para a Copa de 1966, na Inglaterra. Disputou também os mundiais no México e na Alemanha.

Com a camisa amarela jogou 54 partidas, venceu 40 vezes e marcou dez gols. Há poucos dias foi convidado a voltar à seleção, como membro da comissão técnica. Edu é sempre lembrado pela relação que tem com o Santos, isso porque jogou no clube durante 11 anos e é santista roxo. No “alvinegro praiano” marcou 183 gols, é o sétimo maior artilheiro da história do time.

Em entrevista concedida ao Jornal Matéria Prima, o ex jogador falou sobre a carreira precoce, experiências em Copas do Mundo, racismo e até sobre a volta dele à seleção brasileira.

Edu em sua primeira convocação para a Copa do Mundo (Foto: Arquivo Pessoal)

Edu em sua primeira convocação para a Copa do Mundo (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando você foi “indicado” por Pelé para jogar no Santos por Pelé, com apenas 14 anos de idade, já jogava em times pequenos na cidade de Jaú. O fato de você ter sido indicado por um grande nome do futebol fez alguém desacreditar do seu trabalho?
Eu conheci o Pelé na cidade de Santos, a minha família conhecia a dele. Eu morava em Jaú e ele em Bauru,  nossas famílias eram amigas. Meus dois irmãos já jogavam profissionalmente, e ele [Pelé] sabia, então perguntou para minha irmã se não tinha mais ninguém que jogava e ela falou de mim. Pelé falou que se eu fosse bom era para ela me levar lá [no Santos]. Eu aproveitei as férias de julho e fui fazer o teste, no fim das férias eu voltei para casa, mas eles pediram que eu voltasse ao clube, aí começou minha história no Santos. A indicação lógico que foi boa, mas o meu talento contou muito mais. Se eu não fosse muito bom eles não tinham pedido para eu voltar, até porque naquela época todo mundo era bom.

Da Revista Placar “Edu sempre teve problemas para se manter em forma”. Quando você jogava, essa cobrança era menor do que a sofrida pelo jogador Ronaldo, por exemplo?
Eu não tinha esse problema, me cuidava e me preparava. O que acontecia é que eu ficava no fim da fila [durante os treinos] e começaram a falar que eu tinha dificuldade, não conseguia fazer. Eu não ficava de fora, participava, a imprensa criou isso sobre o peso, aumentou o fato, assim como fez com o Ronaldo. Na época eu tinha um preparador físico que era o melhor do Brasil, eu fazia o treino normal e depois o que ele preparava, que era específico para mim.

Além do Santos, você já jogou no Corinthians, Internacional, Monterrey do México, São Cristóvão e Dom Bosco. Mas é um santista assumido. Você já jogou contra o Santos. Essa paixão atrapalhou?
Contra o Santos eu joguei uma vez só, pelo Corinthians. Não atrapalhou porque eu

Painel de fotos de momentos da carreira de Edu (Foto: Arquivo Pessoal)

Painel de fotos de momentos da carreira de Edu (Foto: Arquivo Pessoal)

estava magoado com o Santos, na verdade com a diretoria do Santos. E eu estava defendendo o outro time, eu tinha que jogar como se não fosse contra o meu clube, então não pesou. Talvez em outra situação fosse diferente.

Muito se falou sobre a inexperiência dos jogadores brasileiros que disputaram a Copa do Mundo de 2014, que uma equipe com mais idade saberia lidar melhor com as emoções. Mas você também estreou cedo na seleção brasileira, com 17 anos, em jogo de preparação para a Copa do Mundo de 1966. A vivência de Copa do Mundo foi também com pouca idade. Isso te atrapalhou e também atrapalhou nossa seleção este ano?
Não ganhamos a Copa este ano porque não tínhamos jogadores à altura dos outros países. Nosso futebol deixou a desejar, mas não tem a ver com a idade. A idade não quer dizer nada, ou você joga bem ou não. Na verdade acho que a pouca idade ajuda na disposição, no “frescor”. Os jovens têm mais pique. Ir com pouca idade para a Copa não me atrapalhou em nada, pelo contrário, consegui mostrar meu futebol para o mundo. Eu tinha esse pique.

Não ganhamos a Copa este ano porque não tínhamos jogadores à altura dos outros países

Pela seleção brasileira você disputou 54 jogos, com 40 vitórias e marcou 12 gols. Seu último jogo oficial foi na Copa do Mundo da Alemanha, com vitória do Brasil. Uma trajetória inesquecível. No último dia 17 você foi convidado por Gilmar Rinaldi para se integrar à comissão técnica da seleção nos jogos amistosos contra a Argentina e Japão. Qual sua principal função na comissão técnica?
São dois jogos importantes em que vou acompanhar a seleção brasileira, dois jogos

Foto do museu da CBF no Rio de Janeiro, Edu ao lado da taça (Foto: Arquivo Pessoal)

Foto do museu da CBF no Rio de Janeiro, Edu ao lado da taça (Foto: Arquivo Pessoal)

difíceis. Eu acredito que agora a seleção esta no caminho certo. Geralmente quando se perde é necessário mudança. Essa mudança aconteceu, o Dunga e a comissão técnica já estiveram em uma Copa, conseguem identificar  os erros e como melhorar. Essa formação da seleção já venceu, esperamos que agora aconteça o mesmo. É lógico, seleção é seleção. Vestia a camisa canarinho com muito orgulho, vestir essa camisa  mesmo em jogos amistosos já é um orgulho muito grande, agora eu desejo que eles [jogadores da seleção atual] vistam essa camisa e sintam esse orgulho. Estou orgulhoso de voltar à seleção.

Recentemente o goleiro do Santos, Aranha, ficou em evidência na mídia por causado episódio de racismo da torcida. Quando você jogava foi vítima do racismo?
Nossa educação, infelizmente, tem culpa nesses casos. No nosso pais existem diferenças não só de cor, mas social também. Todos sofrem com isso. Na minha época eles gritavam como torcedores, um grito para o time, para empurrar ou criticar, mas o time. O caso do Aranha é diferente, porque ele é goleiro, ele escuta tudo, o tempo todo. Cada um reage de uma maneira quando é vítima de racismo. Eu comecei garoto e todo mundo já me conhecia, conhecia minha história, isso abre muitas portas, dá vantagens. Existia respeito. De repente alguém era ofendido, mas como eu era “o Edu”, a história mudava.

A violência no futebol é tema recorrente nos gramados e arquibancadas brasileiras. Você continua frequentando estádios e assistindo aos jogos?
Essa violência assusta os torcedores. As vezes eu vou a jogos do Santos, como sou o sexto maior artilheiro da história do Santos,  o jogador que vestiu a camisa do clube mais vezes, e alguns outros recordes, tenho um camarote em minha homenagem. Tenho alguns privilégios, por isso vou ao estádio, mas a torcida sempre e recebe bem, com carinho.

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