Cidade | Edição #400 - 18/09/2014

Idosas têm receita para brilho e alegria

Criado por professora aposentada, grupo do Ney Braga se reúne todas as semanas para realizar atividades e se divertir

Wesley Bischoff
Aluno de Jornalismo

Deromi (segunda à esquerda) e as senhoras do Grupo Brilho e Alegria (Arquivo Pessoal/Deromi Oliveira) [1]

Deromi (segunda à esquerda) e as senhoras do Grupo Brilho e Alegria (Arquivo Pessoal/Deromi Oliveira)

É na casa da ex-professora Deromi Oliveira, 63, que todas as terças muita risada e descontração acontece. Em meio às atividades, conversas e, claro, várias gargalhadas, o Grupo Brilho e Alegria, formado por 35 idosas, vê na união um motivo para trabalhar a mente e se divertir. A ideia da criação do grupo veio da ex-professora depois da aposentadoria. Vivendo no Conjunto Ney Braga (zona oeste de Maringá) há 30 anos, Deromi é conhecida no bairro pelo trabalho realizado no colégio e pelos projetos que desenvolve.

Segundo a ex-professora, antes de se aposentar, trabalhava 40h semanais no colégio do bairro. Em alguns dias, dava aulas pela manhã, à tarde e à noite. Quando se aposentou, Deromi ficou em dúvida sobre o que faria naquele momento. Foi vendo as necessidades dos idosos do conjunto que teve a ideia. “Eu formei um grupinho que foi aumentando, aumentando, aumentado e já estamos aí há 11 anos. Ficamos bem à vontade, pois nosso objetivo é sair de casa para conversar e fazer aquele lanchinho da tarde”, explica a fundadora.

O Brilho e Alegria se tornou mais que um grupo, agora é uma família. Dirce dos Santos, 72, amiga de Deromi há mais de 30 anos, e moradora no Ney Braga há 32, foi uma das primeiras participantes do grupo. Antes de falar sobre o Brilho e Alegria, Dirce mostra, contente, as fotos da festa de Bodas de Ouro, realizada este ano, e relembra um pouco da história do bairro. “Quando começou, aqui era bem fraquinho”, conta, gargalhando. Para ela, fazer parte do grupo é muito bom, já que está em contato com pessoas da mesma faixa etária. “A gente passeia, se diverte. É algo que muita gente diz ‘não posso porque tenho que cuidar dos meus netos’, mas acho que temos que ter essa liberdade de participar.”

Temos que ter essa liberdade de participar

As 35 senhoras, que se reúnem semanalmente para dar boas risadas, estão garantindo muito mais que felicidade. De acordo com Mariângela Gamba Maestri, psicóloga e especialista em neuropsicologia, o cérebro precisa de atividades diversificadas para poder trabalhar o potencial, pois isso contribui para o sentimento de capacidade, felicidade e vitalidade. “Estão usando a coordenação motora, a memória para lembrar de receitas, a visão, o tato, a criatividade, e muitas outras. Todas essas atividades, nos levam à atenção, concentração e, automaticamente, melhoram a memória e a autoestima, pois sentem-se capazes.”

Além das reuniões semanais, o Brilho e Alegria também participa de palestras e passeios que são desenvolvidos em parcerias com a Igreja Católica, com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Conjunto Ney Braga, ou de forma independente. No último dia 9, o grupo visitou um parque aquático, onde passou o dia todo. Segundo a psicóloga Mariângela Maestri, além de descontrair, essas atividades ajudam a melhorar questões sociais e os relacionamentos interpessoais, já que ocorre uma identificação entre os membros do grupo. “Tudo isso é emoção. A emoção solidifica a memória e, assim, consolida a aprendizagem.”


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