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Cidade | Edição #387 - 05/05/2014

De curso em curso, Diná ensina como envelhecer

Desde que descobriu a Universidade Aberta, idosa do Cidade Nova contraria tudo o que dizem sobre a velhice

Talita Trento
Aluna de Jornalismo

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Diná Arroteia de Albuquerque com os origamis feitos por ela

Diná Arroteia de Albuquerque com os origamis feitos por ela (Foto: Talita Trento)

Diná Arroteia de Albuquerque, 61, que vive na Rua Recife, bairro Cidade Nova, região norte de Maringá, em um local cercado por pessoas idosas e de vidas pacatas, contradiz tudo o que falam a ela sobre a velhice. A ex-professora de geografia responde a quem lhe pergunta sobre o amor que nutre pelo exercício físico. “Sempre gostei muito de atividades, praticava esportes e cheguei até a participar de um Campeonato Paranaense de Bolão”, contou.

Em 2010, depois de se aposentar, Diná conheceu o projeto Unati (Universidade Aberta à Terceira Idade), organizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), que trouxe mais compromisso para o dia a dia da ex-professora. A iniciativa que promove o bem estar aos alunos é aberta para todos acima de 55 anos e oferece cursos gratuitos diariamente nas áreas de arte, saúde, línguas estrangeiras, atividades físicas, entre outros.

O representante dos alunos, João Brito, 50, que auxilia os participantes, diz que o projeto começou por volta da década de 1980, no Rio de Janeiro, e hoje abrange diversos Estados. “A Unati é composta por 50 professores, todos docentes da UEM, que se disponibilizam a dar aulas nos cursos oferecidos. É um órgão próprio que tem o papel de levar conhecimento para os que sempre sonharam aprender, mas não tiveram oportunidades”, explicou Brito.

Satiko Nanya, doutora e mestre em Ciências Biológicas, professora da UEM que participa da Unati com o curso Mundo dos Insetos e Saúde Humana, diz o que os idosos sentem dentro da convivência familiar. “Muitos perdem espaço na família, pois os filhos saem de casa e os netos não querem ouvir histórias rabugentas. Assim, eles procuram o projeto para que possam conversar e compartilhar sobre tudo o que já viveram. Fazemos o papel de psicólogos também, auxiliamos e aprendemos com eles. É um antídoto contra a depressão”, contou a professora.

Depois que comecei a participar dessas atividades conheci  verdadeiras amizades

Sem perder o ânimo, dona Diná participa de duas atividades no momento: a ginástica e o curso de origami do módulo II. A aposentada diz que assim que terminar esses cursos pretende começar outros que são oferecidos. Além disso, a iniciativa da UEM oferece aos idosos interação social, criando laços concretos de amizade. “A gente sabe da idade, sabe que é difícil e que tudo é sinônimo para desanimar, mas depois que comecei a participar dessas atividades conheci pessoas que vou levar para o resto da minha vida, verdadeiras amizades”, disse Diná.

Depois de passar por um longo período de depressão, ela conseguiu reerguer-se e trazer mais alegria para dentro de casa. A ex-professora contou que após a aposentadoria, os dias ficaram escuros e sem vida. “Vinham em minha mente aqueles pensamentos horríveis e a doença acabava comigo”, contou Diná emocionada. Graças à motivação da família e desse projeto para a população idosa, ela pode conhecer novos prazeres que, até então, estavam encobertos pela tristeza.

Discussão e comentários »

2 comentários | Deixe seu comentário

MÁRCIA ARROTÉIA CASSORILLO disse:

Realmente os cursos que a UEM oferece para pessoas acima de 55 anos são maravilhosos, veio para preencher e enriquecer a vida dos alunos que o frequentam. Pude constatar isso de perto, a entrevistada, Srª. Diná Arrotéia de Albuquerque, é minha irmã e os referidos cursos realmente fizeram diferença em sua vida.
Resido em Paranavaí, cidade próxina de Maringá, por essa razão não posso realizar tais cursos que são de grande valia na vida de qualquer pessoa. Seria muito bom se a UEM tivesse condições de fazer parcerias com outras instituições, em outras cidades, certamente o lucro seria de nós enquanto cidadãos.

Fátima Lucena disse:

Márcia, conheço Diná de Jaru-Ro e há muito tempo procuro notícias dela sem sucesso e hoje acabei encontrando essa reportagem, muito interessante por sinal, e aí vi seu comentário e como irmã seu contato com ela é imediato. Então Márcia gostaria que ela entrasse em contato comigo. Gosto muito de Diná, sinto saudades dela e gostaria de notícias.Obrigada, um abraço.

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