Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Cidade / Saúde | Edição #389 - 22/05/2014

Aposentada usa crochê para superar hanseníase

A vontade de vencer a doença prevaleceu e hoje Conceição Furlan, 69 anos,comemora o prazer da luta pela vida

Talita Trento
Aluna de Jornalismo

Comentários
 
Dona Conceição e as peças de crochê feitas por ela

Dona Conceição e as peças de crochê e pintura feitas por ela (Foto: Talita Trento)

A casa simples e rústica da moradora do bairro Borba Gato, região sul de Maringá, desenha a primeira imagem da rua. Aposentada, Conceição Aparecida Furlan, 69, descobriu que deveria enfrentar a batalha contra a hanseníase, deixada pela vida no caminho dela. Há cinco anos começou a sentir fortes queimações nos membros e outras partes do corpo. Mais tarde a falta de sensibilidade também apareceu. Procurou um médico, mas foi em vão. A aposentada passou por 14 clínicas particulares sem que descobrissem a origem da dor. Foi em um posto da rede pública que Conceição Aparecida foi diagnosticada com hanseníase, popularmente conhecida como lepra.

Segundo a aposentada, como a doença já estava em estado avançado ela teve de encarar um ano de tratamento para a recuperação total. “Foi preciso muita coragem para enfrentar tudo isso, porque minhas pernas estavam pretas e eu já não sentia quase nada do lado esquerdo. A recuperação aconteceu aos poucos.” Por causa da demora da descoberta da doença, a dona de casa conta que apesar de todos os tratamentos ficou com sequelas na perna esquerda.

Foi preciso muita coragem para enfrentar tudo isso, porque eu já não sentia quase nada do lado esquerdo

O médico Luiz Jorge Moreira Neto, com especialização em Infectologia e pós-graduação em Infecções Hospitalares explica como a doença é adquirida e se manifesta no organismo. “O contágio se deve principalmente por vias aéreas, sendo que o convívio que temos com as pessoas portadoras da doença no dia a dia pode ser um risco. Outro fator é o contato com a pele lesionada de quem já tem a hanseníase.” Segundo Neto, o período de incubação é extenso e na maioria das vezes o paciente não tem referência de quando adquiriu a doença. “A pessoa, tendo contato hoje com a hanseníase, pode desenvolvê-la até 20 anos depois.”

Depois de todos os medos e angústias vividos por Conceição, ela descobriu no crochê uma nova forma de colorir os dias de dor. “Foi com muita fé em Deus e com o apoio de minha família que hoje estou aqui, com saúde e disposição para enfrentar todas as lutas que a vida me propuser”, conta, emocionada.

A psicóloga Valéria Sanvo, 28, com especialidade em Saúde Mental e mestrado em Psicologia explica como atividades de artesanato e a fé em um ser superior alimentam a esperança de cura da doença. “Para essas pessoas que passam por problemas com doenças mais graves, o artesanato entra como papel de construção, de algo simples, mas com um grande valor sentimental. Isso contribui principalmente no sentido de socialização, em que o artesanato envolve outras pessoas também, e no sentido de simbolização de algo que é produzido pelo próprio paciente. A depressão nesse momento é descartada e a vontade de superação fala mais alto.”

Durante o período de tratamento da doença, Conceição Aparecida produziu tapetes, toalhas e outros bordados e descobriu nisso a oportunidade de aumentar a renda familiar, fazendo algo que fosse prazeroso. “Hoje mesmo tive várias encomendas de crochê. Tenho meus clientes que sempre pedem novos tapetes.”

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

VALDIR MAEUS DE OLIVEIRA disse:

A reportagem ficou perfeita,ate parece que foi feita por profissional ja esperiente,acredito que escolheu a profissão certa.
Va em frente temos certeza que sera uma grande profissional.
abrçs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.839 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Dizem que caí de paraquedas no jornalismo, mas aviso: quem pula cai sempre em terra firme.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

maio 2014
S T Q Q S S D
« abr   jun »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

galeria de fotos

Mario Quintana Chico Buarque Cazuza

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.