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Cidade | Edição #384 - 08/04/2014

“Aprendi com a escola da vida”

No ano que a ONU dedica à agricultura familiar, agricultores como João de Mello,80,de Cruzmaltina, ganham destaque

Vilson Junior
Aluno de Jornalismo

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Foto: Vilson Junior

O agricultor e pedreiro, João Moreira de Mello, 80 anos (Foto: Vilson Junior)

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar. A organização mundial tem como objetivo reposicionar a agricultura familiar no centro das políticas agrícolas, ambientais e sociais e chamar a atenção mundial para o importante papel desses agricultores na erradicação da fome e da pobreza.

Essa atividade corresponde a quase 70% da produção de alimentos no Brasil. Até mesmo os agricultores tiveram ótimo desempenho na safra 2013/2014. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, o Brasil é uma grande referência no mundo, hoje, por ter um conjunto de políticas públicas e programas de crédito que estimulam esse setor.

Para uma perspectiva melhor de como é a vida nesse meio, com os altos e baixos a reportagem do Jornal Matéria Prima conversou com o agricultor João Moreira de Mello, de 80 anos, que trabalhou na lavoura de café desde a infância e acabou fazendo parte da história do município de Cruzmaltina, a 113 km de Maringá, ao ajudar na construção da primeira escola municipal da região, em 1976.

Carinhosamente conhecido pelos moradores como seo Jango, perdeu o pai muito cedo e ainda menino trabalhava na roça, ajudando a mãe. Ele se destaca na comunidade por ter sido um dos pedreiros que construíram a primeira escola da região no ano de 1976. É aposentado desde 2005.

Confira a seguir, os principais trechos da entrevista com João de Mello:

Como era a vida na plantação?
Eu tinha três irmãs. Nós como nascemos praticamente em um sertão, convivíamos com isso. Cuidávamos nós três de tudo um pouco, ajudando a mãe. Colhíamos milho, feijão e arroz, tínhamos alguns porcos que vendíamos. Trabalhei desde quando eu tinha treze anos, quando perdi meu pai. Então, foi assim que levamos a vida por um longo tempo.

O senhor também é muito famoso na região por estar sempre presente nas construções de algumas obras importantes do município de Cruzmaltina. Como fazia para ter tempo livre, já que você vivia sempre nas plantações e colheitas?
Quando na roça faltava serviço ou a época não era muito propícia para a plantação, eu ia ajudar os outros nas construções. Uma delas, na verdade, foi a escola aqui da comunidade.

A construção da escola Emilio Garrastazu Médici, a primeira da comunidade, teve alguma complicação?
Eu e mais um grupo de jovens trabalhadores construímos no ano de 1976 o primeiro dos três blocos que agregam a escola hoje. A construção em si foi até rápida. Durou apenas quatro meses. Ficamos muito orgulhosos de construir um local de estudo para as crianças, já que nessa época as escolas mais próximas ficavam a uma hora de onde eu morava. Não tínhamos transporte como hoje para arranjar um tempo de estudo.

Quando escrevi pela primeira vez, não foi nem em papel, e sim em casca de palmeira

E como foi a educação que o senhor recebeu, já que não havia escola em Cruzmaltina naquela época?
Aqui era praticamente puro sertão. Só existia mato. Esse tipo de coisa [escola] não funcionava. Meu pai não tem culpa, minha mãe não tem culpa, ninguém tem culpa de nada. O pouco que sei mesmo é através do que fui pegando com o tempo. Escrever, ler, mexer na calculadora. Tudo isso aprendi com a escola da vida. Para se ter ideia, quando escrevi pela primeira vez, não foi nem em papel, e sim em casca de palmeira [risos].

Após tudo que o senhor já passou, com momentos difíceis e momentos alegres, hoje o senhor se sente em paz consigo mesmo?
Sim, vivo em paz, mas, agora é o seguinte. Da idade de 7 anos até 2005, foi a minha vida trabalhando. Não que me arrependo ou falo mal da vida que vivi, mas eu vivi. Vivi nas fazendas dos cafeicultores e dos grandes criadores de gado, ajudei em construções importantes para o município. E fico orgulhoso também por ter conseguido dar aos meus filhos uma boa vida e que eles estejam bem e ajustados. Tenho a minha casa própria e estou aposentado pelo INSS, ganhando meus R$ 700. Agora, tenho que tomar cuidado é com minha saúde e ter meu merecido descanso.

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