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Literatura | Edição #383 - 05/12/2013

Tinindo e trincando, fim do início e meio

A épica batalha entre uma garota, o que os outros não esperam dela, o que ela deseja de si própria e entre ela mesma

Andreia Melero
Aluna de Jornalismo

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Andreia Melero (Foto: Arquivo pessoal)

Andreia Melero (Foto: Arquivo pessoal)

Não procure por significantes significados. Isto aqui, realmente, é um desabafo. No fim do início, decidiu ser o que queria no momento ontem, daquele dia, daquele instante. Cada ensejo transparecia o efêmero e esse era o problema. Não queria mais ser o passageiro, o passado. Queria tornar-se o condutor, o inesperado.

Não tendo as (in) certezas do presente e, nem as (des) lembranças felizes do passado, já era hora, outrora, de passar pelo meio, ir em frente e abandonar os vícios, os delírios e a dúvida. Libertou-se ali, bem no meio (fio). Ela se fez contrária à letra, à imaginação, (in) vocação e fé. De cá estar, na fé. (Bem) Vinda de onde tanto (des) gosto não exposto era imposto, sentia no pulso o impulso de querer. Mesmo que o crédito estivesse sempre em companhia do “des”, prefixo companheiro fixo de tantas verdades, (ver) “tentes” sempre surgiam.  Mas o que ecoava no fundo coberto pela derme e suas camadas, era o necessário, o (lá) tente, e a vontade de chegar, de mudar o mau fim espelhado.

A menina pelejava, dançava, sangrava e o nariz arrebitava. Ia mostrando como realmente era e apesar do (des) amor, jogava-se pelo mundo

Foi-se embora iniciar o meio que era (pré) destinado, abandonou o “era uma vez” e começou a (sobre) voar e lutar para derrotar todos os “in”(capaz) e “des”(necessária) que o tal princípio urrava. Iniciou-se a luta pelo meio, findando aquele alfa.
Botou a cara à tapa, calçou o all star surrado, tiniu-se e trincou-se de forma que nenhum baiano, novo ou velho, esperava. Pulou de cabeça e brigou pelo que queria. E queria ser jornalista. A menina pelejava, dançava, sangrava e o nariz arrebitava. Ia mostrando como realmente era e apesar do (des) amor, jogava-se pelo mundo.

Cravejava o querer (es) nos mistérios e incandescia mais e mais todas as vezes que o severo e sincero “nunca” batia no rosto. Afinal, quanto mais fraca ficava, mais forte os sonhos a tornavam, esgotando a mágoa, pelos olhos. Ela desbravava cada letra, movia-se pelas ideias e ansiava por justiça.

De tanto não parar, ela estava chegando lá, passando intensa e dolorosamente pelo meio. São tantos fantasmas de nãos e de fixos prefixos refletidos no espelho, tantos obstáculos nascendo que, em alguns momentos fracos e obstinados ao fracasso, toda força caia por terra. Mas ela sabia que seria assim e assim ela queria.

Se fosse para ser fácil, não se chamaria futuro, e sim Taylor Swift, portanto, junto com cada hesitação, medo e desaforo, ela (res) pira e segue em frente. O fim visto de longe, mas já visto, faz-se muralha. Mas como sempre, ela sacode a poeira. E assim, gritando em alto e bom texto, todos os dias ela mergulha na própria trajetória, apenas querendo, vai saltando e acenando para o início, o deixando perplexo, contrariado.

Chegar ao fim é o roteiro pessoal do final. Não o feliz, ludibriado da Disney. Na vida real, o príncipe não vem montado em um cavalo e quase nunca se é a única princesa disponível de todo reino. Ela quer o fim certo, sem nenhum receio de reflexos, reinados. Quer apenas chegar, sem nenhuma vergonha. E agora, com metade do caminho andado, está próximo o momento de ir até lá e fazer contagem regressiva para o fim. Faltam dois anos, para ela, para a luz.

Despertando  e despencando, é fim de ano

Quando o despertador toca, as lembranças do que passou se fazem presente e nos enchem de saudade sobre  o que ainda não  foi
Andreia Melero
“Ten ten ten ten ten ten ten ten.” Maldito   despertador. Já não bastava o infortúnio do barulho, tinha que ecoar pela   casa, pelo cômodo, tinha que se infiltrar na minha cabeça, no meio descanso e   no meu sono, tinha que erradicar minha inocência, minha decência. Que horas   são? Droga, já é novembro e eu não fiz nada. Mas deixe estar, no ano novo   minhas resenhas vão ser mais fortes. Mas deixo claro que há grande chance   delas fazerem companhia às promessas de 2008, que também eram fortes, mas não   o suficiente para enfrentar o mês de março.2009 até que foi vibrante,   espetacular, certeiro e cheio de vida. Daí acabou fevereiro e o gostinho de   “vai dar merda” voltou.2010 não decepcionou, encarou de   frente cada despertar, enfrentou todos os dilemas e aposentou o coração,   usando apenas o cérebro. Mas como Janeiro não durou para sempre, quando   chegou o dia 15, bem, não preciso explicar, né. Tudo é lindo até 15 de   janeiro. Na verdade, de 24 de dezembro a 15 de janeiro, tudo fica perfeito. As   pessoas deixam de lado toda falsidade, intriga, inveja e descaso de todo o   ano e passam para a fase do “sempre nos amamos e somos verdadeiros”. Beijos   de Judas e abraços de Loki abarrotam   os calendários. “É muita Claudia para pouca cadeira”. Essa frase nunca foi   tão bem usada.

E lá veio 2011, esse seria   diferente. Ou não. Provavelmente não. Não, não foi. Um ano de desgostos, mais   que os outros, sim senhor. Foi marcado pelas perdas, nem prometer algo era   possível. Às vezes, todos os dias, ainda me pego pensando neles, o pai e o   irmão, as perdas seguidas de um ano seguido. Dói sempre, mas sigo em frente.   Sempre. Viu como sou sentimental? Não é porque gosto do estranho e incomum   que não tenho sentimentos como toda garota, anormal, mas ainda assim uma   garota.

Começando pela balança, 2012 foi   marcante. Principalmente a parte em que eu queria quebrar todas as que via   pela frente. Não pode ser. Como engordei tanto? Na boa, vou pedir uma pizza   para poder pensar. Todas dietas iniciadas, todas que não passaram de dois   meses, todas roupas perdidas. Deixa para lá, tem sorvete no freezer. Agora   vou ser jornalista.

2013 prometeu. Prometeu e como todo   fim de semana, não cumpriu. Ah se eu tivesse sido séria, seu tivesse feito   mais, reclamado menos, ter tido mais coragem e abandonado o amor ao cifrão   antes. Se fosse antes, eu faria diferente. Provavelmente é um blefe, mas o   que vale é a tentativa. Mas o que vale é tentar, não é mesmo? Tentando estou   trabalhando no que gosto e nem posso chamar de trabalho. Tentando estou me   libertando do que me atrasa e sim, estou vencendo os medos. Tentando,   valorizo mais aqueles que me amam, aquela panelinha que de tanta expressão,   explode em coletivo e abandona as superficialidades. Sim, falo da tal sala   31.

Sentirei saudade quando tudo isso   acabar. Inesquecível é a palavra correta. Mas não fiquem muito emocionados.   Ainda é de manhã e a ironia matinal é incontrolável, afinal, não existe   felicidade antes do meio dia.

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Viciada em livros, música e séries. Tempo nublado, café e carinho sempre se encaixam.

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