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Literatura | Edição #383 - 05/12/2013

O tempo passa, mas o sonho não

Com o passar dos anos, pensamentos mudaram, porém a ideia de se tornar jornalista continuou fixa na memória

Marcela Cruz
Aluna de Jornalismo

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Marcela Cruz (Foto: Mariana Kateivas)

Marcela Cruz (Foto: Mariana Kateivas)

Há mais ou menos 17 anos, em algum lugar nesse “mundão” lembro-me uma menina negrinha, magrela, de olhos estatelados e cabelo arrepiado, que tinha a resposta na ponta da língua quando alguém perguntava sobre o que gostaria de ser quando adulta. Quero ser jornalista, respondia sem pensar. Sempre inventando brincadeiras novas, mas tinha uma que ela nunca deixava para trás. Com a escova de cabelo empunhada nas mãos ela acreditava ser uma grande repórter. Mas como não existe repórter sem cinegrafista, ela tinha uma companheira de aventura. Era a vizinha, dois anos mais nova, que levava no ombro a inseparável “filmadora”, feita de caixa de sapato e um cone de papel higiênico.

Aquela menina de sete anos que exibia a “janelinha” dos dentes vivia em um mundo de aventuras, histórias e perigos, isso sem sair de dentro do quintal de casa

Aquela menina de sete anos que exibia a “janelinha” dos dentes vivia em um mundo de aventuras, histórias e perigos, isso sem sair de dentro do quintal de casa. A mãe se desdobrava em um milhão de personagens, só para que a pequena repórter não perdesse o espírito da brincadeira, e a cada “reportagem” ela via uma conquista. Uma das “grandes matérias” feitas pela dupla foi ficar uma tarde inteira com o “microfone” e a “filmadora” na rua perguntando o nome de todo que passasse por ali. Foram 52 nomes marcados em uma pasta de papelão. O orgulho dos pais ao ver a felicidade da filha, entusiasmava a pequena sonhadora.

O tempo passou e sonho continuou o mesmo. As “janelinhas” sumiram, mas os olhos estatelados continuam. As aventuras se expandiram. Agora ela teria de enfrentar as entrevistas de verdade. As descobertas eram responsabilidade apenas dela, e do celular, que entrou no lugar da companheira cinegrafista que ficou para trás.

Tudo que era imaginado começou a ser realidade. Passear por bairros desconhecidos em busca de informações, enfrentar subidas de bicicleta, conhecer pessoas diferentes, correr de cachorro, sentir tristeza, alegria, pena, medo, compaixão. Tudo isso a fez lembrar-se daquela pequena sonhadora que ainda vive dentro dela. Hoje ela se despede de mais uma das etapas da vida, Deixa o último texto no Jornal Matéria Prima. Mas com a sensação de que muito está por vir, assim como quando deixou a casa dos pais para seguir seu sonho de ser jornalista.

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