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Saúde | Edição #378 - 24/10/2013

Transplante, uma conexão entre os seres humanos

Somente no primeiro semestre deste ano, o Brasil realizou 11,5 mil transplantes; número de cirurgias dobrou em 10 anos

Juliana Duenha
Aluna de Jornalismo

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Transplante pode representar muito na vida de milhares de pessoas (Foto:Antônio Cruz/ABr)

Transplante pode representar muito na vida de milhares de pessoas (Foto:Antônio Cruz/ABr)

O transplante é a transferência de células, tecidos e órgãos vivos com a finalidade de restabelecer uma função perdida. Os transplantes mais realizados no mundo, segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), são os de medula óssea, rim, fígado, pulmão, coração e pâncreas. No Brasil, o transplante de um órgão ou tecido de uma pessoa já falecida só é realizado caso algum membro da família autorize o procedimento, mesmo que em vida a pessoa tenha manifestado o desejo de doar.

O Ministério da Saúde divulgou no dia 25 do mês passado, os dados do balanço de transplantes do primeiro semestre deste ano. “A média que queríamos de transplante para este ano seria um por mês, mas a gente esta na media de dois ou três transplantes por mês, só aqui neste hospital. Teve anos que ficamos sem nenhum transplante, teve outros em que fizemos apenas um. Melhorou bastante”, afirma a enfermeira Arlete Marquesone Nunes, 31, coordenadora do núcleo de hemodiálise de um hospital de Maringá.

Nos últimos dez anos, o Brasil dobrou o número de doadores, passando de 7,5 mil para 15 mil cirurgias.  Foram realizados 11,5 mil procedimentos. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 50% das famílias brasileiras, ao perder um ente, são favoráveis à doação de órgãos. Em 2010, havia 59 mil pessoas que já estavam prontas para a cirurgia, na fila, aguardando no Sistema Brasileiro de Transplantes. Já neste ano, houve redução de 35% nesse número, passando para 38 mil até o mês de junho.

No Brasil, o transplante de um órgão ou tecido de uma pessoa já falecida só é realizado caso algum membro da família autorize o procedimento

Segundo Arlete Nunes, a pessoa que recebeu algum órgão terá de tomar medicamento regularmente a vida toda. “Foi colocado um órgão no corpo da pessoa, é um corpo estranho que o nosso organismo naturalmente tenta expulsar. Para o organismo não expulsar, existe medicações prescritas pelo médico.”

Rose Oliveira Santos, 42, contadora, ficou na fila para um transplante de córnea durante três anos. Realizou o procedimento em 2003. “O transplante de córnea é bem simples, basicamente o que eles analisam é só a idade do doador e se está em uma posição boa de espessura. No meu caso, tenho uma doença chamada ceratocone e para quem tem a doença, a córnea que tem que ser transplantada é espessa.”

A contadora conta que durante o tempo de espera na fila, não é preciso nenhum procedimento sério, apenas consultas de rotinas ao oftalmologista. “Esse transplante também não tem urgência, os outros órgãos que são irrigados,  já saem do doador e em pouco tempo tem que transplantar. A córnea pode ficar até seis dias [sem transplante], porque se não der certo com aquele paciente, pula para o outro”, afirma.

“Quando você acaba de fazer a cirurgia, sai do hospital com vários colírios, mas é coisa de 15 dias, não a vida toda. As restrições são apenas na primeira semana, não pode lavar a cabeça, não pode passar maquiagem, não pode usar creme, tintura no cabelo. Até hoje tem que cuidar do sol, das impurezas. E todo ano eu acompanho com o oftalmologista”, relata Rose Oliveira.

Muitas pessoas aguardam em listas de espera, algumas delas morrem antes de terem a chance de um transplante. Várias pessoas têm medo de doar órgãos talvez por não saberem o que esse ato pode representar na vida de milhares de pessoas, pois não existe transplante sem doador.

 

A vida prolongada pela máquina 

Apesar do aumento do número de transplantes, cresceu também o número de pessoas que precisam desse procedimento

Mariana Bortolo
Aluna de Jornalismo

A vida dependendo de uma máquina. Essa é a rotina dos pacientes que têm insuficiência renal, ou seja, quando não têm mais o rim em funcionamento. Uma das opções de tratamento, não de cura, é fazer hemodiálise. Esse processo é a filtragem do sangue para eliminar as substâncias tóxicas do organismo, como, o excesso de sódio, potássio e a ureia. As pessoas com insuficiência renal vão ao hospital três vezes por semana e ficam “dialisando” por quatro horas.

Existem três formas de tratamento: a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante (Imagem: Rafaela Schon)

Existem três formas de tratamento: a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante (Imagem: Rafaela Schon)

Existem três formas de tratamento: a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante. Em artigo publicado em 2012, a Central de Transplante do Paraná (CET-PR), indica que foram feitos 276 transplantes de rim de doador falecido.

Transplantada aproximadamente um mês a estudante Nayara Fernanda dos Santos, 22, sempre teve problemas renais, porém, nunca tão graves. Desde pequena Nayara fazia exames e ia constantemente ao médico. Quando completou 17 anos, tudo agravou com a morte da mãe, ela passou a ficar inchada, tinha muito vômito e dor de cabeça. “Foi bem difícil. Mudei para Maringá e passei a morar com meu irmão. Larguei os estudos, só concluí o magistério. Tudo ficou mais complicado, pois a alimentação era restrita, não podia comer lanches e frutas. A base das refeições era o arroz, feijão e a carne tinha que ser um pedaço do tamanho da palma da minha mão.” Porém, Nayara não teve de enfrentar a fila do transplante, pois irmão dela era doador e depois de um ano e três meses fazendo hemodiálise ela conseguiu o transplante. “O que sonho para o futuro é voltar para minha cidade, começar a trabalhar e estudar.” Nesses anos de rotina de hospital, Nayara diz ter aprendido a ser mais responsável por ter feito hemodiálise e também psicologicamente mais forte.

O transplante pode ser feito por doador falecido ou por algum membro da família que é compatível. Isso ocorreu com a professora Tamara Gualberto, 26, transplantada há dois anos. O pai dela foi o doador. Tamara tinha problema no pâncreas que posteriormente resultou na perda dos rins. “Com 10 anos fui diagnosticada com diabetes, então fui perdendo a função do rim. Em 2008, a hipertensão determinou totalmente a perda dos rins.” A alimentação de Tamara era bem delimitada, pois com o problema do diabetes a dieta era mais rígida. “Não podia comer doces e massas, devido à diabetes. Na questão renal, a maior dificuldade era não poder beber água, não podia abusar dos alimentos que continham ferro, algumas proteínas, fósforo, cálcio e tudo isso encontrado nos alimentos.” Hoje, Tamara considera ter uma vida normal. “Minha vida é muito melhor agora do que antes. Trabalho, estudo, cuido da minha casa e marido, posso até viajar e me divertir”, diz.

O que sonho para o futuro é voltar para minha cidade, começar a trabalhar e estudar

Quando completou 17 anos a psicóloga Rafaela Caroline Schon descobriu o problema renal. Hoje com 25 anos ela diz que a expectativa de ser transplantada é baixa, porque não se sabe quando vai acontecer. Com o crescimento do número de transplantes, aumentou também o número de pessoas que precisam ser transplantadas. “Muitos médicos me usam como exemplo na espera do transplante, mesmo que ainda esteja na fila. São oito anos que estou aqui, muita gente que entrou depois de mim, já foi transplantada”, relata. Rafaela complementa, que a lição que leva para a vida é ter paciência e que os seres humanos não são absolutamente nada, pois ela está lutando pela e, querendo ou não fazer dialise é um risco.

Filtragem do sangue para retirar as substâncias do organismo (Imagem: Rafaela Schon)

Filtragem do sangue para retirar as substâncias do organismo (Imagem: Rafaela Schon)

Nefrite é uma inflamação nas paredes dos rins. Esse foi o diagnóstico do biólogo aposentado Vagner Alexandre Bongiorno, 36, há 14 anos na fila do transplante. Hoje, Vagner não fica tão empolgado quando fala em transplante. “Minha expectativa era boa no começo. Mas, o tempo vai passando e nunca chega, então não tenho muita esperança e procuro não ter para não ficar tão ansioso e depois isso virar uma frustação.” Quando ressalta o valor a vida, ele diz que o que mais sente falta é poder beber água, sem se preocupar em “pegar peso”. Logo, vem a questão de ser livre, fazer o que bem entender, como viajar, pois quem fica na máquina tem essa restrição. Quando viaja tem de ter a liberação de ambos os hospitais, sem contar com a preocupação no transporte dos medicamentos e os profissionais que o atenderão fora da cidade.

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